Mostrando postagens com marcador SOS FC. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SOS FC. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A Bela Adormecida do Espaço

Título original: La bella durmiente del espacio
Autor: Ralph Barby
Pseudônimo do casal: Rafael Barberán e Àngels Gimeno
Editora: Cedibra  --  Ano livro / história: 1977 / 1973
Coleção: SOS Ficção Científica (Série Verde-11)
Tradução de: Alana Hélade Gandra
Páginas: 128  -- Sem ISBN e acabamento barato
Tamanho: de uma foto (+/- 10x15 cm)

É isso aí, criançada, nem tudo são flores. Todos os livrinhos que eu tinha lido do Coleção SOS até hoje eram histórias bem safadas, mas, dado o contexto, não diria que eram ruins. Exceto talvez o A Nuvem Cósmica, e se teve mais algum faz muito tempo e esqueci. [pior é que no link que acabei de colocar vi que o autor é o mesmo... iiihhh, Ralph Barby, será que o problema é você?] Os dois únicos que eu li desde que comecei o blog até que foram divertidos, já esse agora... O bom deles é que são tão curtos que você lê rápido - nem que seja pela curiosidade de como vai terminar. Então não traumatiza. Mas não foi bom não.

Não dava para esperar grande coisa com um nome desses mas, por isso mesmo, eu estava curioso. Por falar nisso, não há nenhuma mulher verde no livro (falar que as capas desses livros não costumam ter relação com o miolo é padrão, mas não custa avisar): os ETs malignos da história lembram os olhudos de sempre, mas sem narizes e com franjas coloridas. Mas tem sim uma mulher com pouca roupa e um astronauta. E sim, você reconheceu o astronauta! [ou se não reconheceu, você é uma decepção como nerd e desonra sua família e seus antepassados!] [se você for um "nerd de ficção-científica" pelo menos; em Fantasia a negação sou eu, por exemplo, que só li Tolkien, Lewis e, recentemente, Martin, e nunca nem joguei RPG ou um livro jogo]

O casal de escritores (casados na vida real) é conhecido por escrever também histórias mais leves e despreocupadas. E essa faz parte do bolo. Caso vocês não tenham lido o link lá no alto, alguns exemplos de ficção-científica deles são: "Compro múmias siderais", "Ah, que pequeninos", "Tem que pintar os invasores" e "Para a cama, terrestre!".

E o nome dessa história é justa. O enredo é o seguinte: um astronauta (Al Cirus) é salvo por alienígenas e torna-se um "convidado" do planeta deles. Lá eles pedem a ajuda dele para tirar de hibernação uma astronauta de uma nave perdida, que eles salvaram 100 anos antes. Haviam outros dois na mesma nave, mas quando os ets tentaram descongelá-los não deu muito certo. Então eles deixaram a mulher lá, esperando uma chance melhor de sucesso - que é agora o astronauta humano, que conhece todos os procedimentos. Ou seja, um cavaleiro que tirará a dama de seu sono eterno.

E a raça extraterrestre tem uma sociedade estilo insetos, cujos membros são divididos em castas e apenas a rainha (e suas substitutas, já nascidas, chamadas princesas) têm a capacidade de se reproduzirem. E como os ets sabem que a 'bela adormecida' é uma fêmea fértil, ela até é chamada de "princesa humana" por eles.

Mas os pacíficos alienígenas (do planeta Siderium, a "bilhões de milhas") estão meio impacientes com esse descongelamento. O que será que há por trás disto?

Até começou bem... Tem uma parte logo no início, quando os cabeçudos estão se apresentando ao humano:
_ Seja bem-vindo ao planeta Siderium.
_ Siderium? Nunca ouvi falar dele.
_ Há milhões de mundos com vida e dos quais jamais ouviu falar, soberbo terrestre.


HA! TOMA ESSA! O autor deu uma boa sacaneada nesse jeitão antigo de que os alienígenas não só usam termos terrestres que eles não teriam como conhecer, como dos humanos chegarem em qualquer lugar sabendo ou concluindo tudo com exatidão.

Mas pelo jeito não foi proposital, porque passando a boa impressão inicial, assim que ficamos sabendo do horrível plano dos vilões temos só os mocinhos tentando bolar um jeito para escapar, através da porrada. Ou melhor, o mocinho, porque a mocinha (chamada Ágora) é acéfala e chorosa. [como foi que ela se tornou astronauta?!]

Vejam bem, isso dos aliens serem malignos e quererem dominar o universo enganando nossos pobres mocinhos, que costumam ser um sujeito musculoso e altivo e uma mulher loira de beleza fenomenal, isso não me incomoda. Histórias antigas eram assim. Mas nessa abusaram um pouco do machismo e da burrice dos vilões. Além da mocinha chorosa (de "busto redondo e firme, cintura fina e quadris harmoniosamente modelados"), num dado momento até uma doutora alienígena, com um físico completamente diferente do humano, numa sociedade completamente diferente, age como se estivesse ficando interessada no robusto e másculo humano.

No correr da história até ficamos sabendo que, muito tempo atrás, a sociedade deles era fisicamente parecida com a nossa. Mas eles foram se melhorando com o passar do tempo, até virarem um povo que vive abaixo da terra numa sociedade altamente tecnológica, mas com uma sociedade estilo um formigueiro, desprovida de amor e compaixão. Ah, que triste! E essa é a desculpa dada na história para isso, o astronauta deduz que há ainda uma atração primordial no DNA deles pela virilidade humana! Não... não... não! Eu não me sinto atraído por nenhum bicho que deu origem aos humanos. Essa desculpa não cola.

Ah, e a burrice: num dado momento, achando que o astronauta estava dormindo, eles começam a conversar sobre o plano completo deles para o seu futuro de dominação galáctica e o uso que terá a prole do casal terrestre nisto. Sabem aquela cena, típica de desenho animado, quando o vilão começa a conversar com o sub-vilão, de forma completamente desnecessária, sobre o plano completo justo na hora que o mocinho ia entrar na sala: "Eles não sabem que na verdade planejamos dominar a Terra", "E imagina se soubessem que faremos isso usando a nave deles que não foi destruída como dissemos", "Fique calmo, eles nunca a acharão escondida no hangar nº 2, na zona azul, com a senha 12X34Y, que ficará sem proteção na rotação de turno em exatos 17 minutos." Pois então, foi nesse estilo. O plano completo numa conversa aleatória ao lado da única pessoa que não poderia ouvi-la, só porque acharam que ele estava dormindo.

O plano pelo menos era divertido: depois do casal ter 10.000 filhos, porque a mulher seria convertida numa rainha bem estilo formiga, com aquele ventre gigante, os extraterrestres colocariam seus cérebros nos corpos humanos e dominariam o universo. Sendo que parte da prole seria usada como gado, para fornecer a parte restante com carne - coisa que eles não têm no mundo dele. E uma pequena parte para gerar mais humanos.

De positivo na história, a preocupação ecológica dos alienígenas com a flora na superfície do planeta. E só. [e, claro, a parte do "soberbo terrestre", rs!]

E aí, terminamos a história com um pouco mais de machismo:
_ Al, você me salvou!
_ Não quero agradecimentos, Ágora, quero outra coisa...


Ok, tinha rolado um pouco de clima entre eles antes (mas bem pouco e muito rápido). Mesmo assim, nos dois parágrafos seguintes, com o astronauta de volta à sua nave original, o resto da tripulação ainda congelada, e a missão ainda interrompida, ao invés deles saírem de perto do lugar onde os alienígenas o encontraram inicialmente...

Ela dá a outra coisa.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Depois do Fim

Título original: Soy… el último
Autor: Curtis Garland
Pseudônimo de: Juan Gallardo Muñoz
Editora: Cedibra  --  Ano livro / história: 1977 / 1972
Coleção: SOS Ficção Científica (Série Amarela-18)
Tradução de: Margarida Santana Gandra
Páginas: 128  -- Sem ISBN e acabamento barato
Tamanho: de uma foto (+/- 10x15 cm)

O futuro... No longínquo ano de 1986! Estados Unidos e China desenvolvem armas com algum novo tipo de radiação e, aí, o navio com elas afunda. [eu não consegui achar a parte certa agora, mas acho que foi um acidente, e não um ataque]. E no espaço, alguns meses depois, um astronauta que estava sozinho é obrigado a descer no planeta pelos protocolos automáticos de sua pequena nave. Ele preferia ficar lá e morrer de fome ao invés de encarar o planeta em sua devastação, mas... não teve jeito. E agora, que tipo de mundo espera o nosso herói?

Finalmente, depois de "algum" tempo, leio mais um livrinho da coleção SOS da Cedibra. O ruim é que, por mera coincidência, foi do mesmo autor da última postagem, e aí... Não só isso, como descubro que ele voltou ao mesmo tema! Tudo bem... Eu meio que pedi por isso! O livro se chama Depois do Fim e em espanhol é Sou o Último, então... obviamente... seria algo pós-apocalíptico com um sujeito que é o último sobrevivente da raça humana. O que já lembra um pouco o Centúria XXV (o tal livro da última postagem).

A propósito, o Centúria nem tanto, mas esse agora, tem que ter rolado uma inspiração no Eu Sou A Lenda. Será muita coincidência caso não tenha tido. Por outro lado, Talvez o filme do Will Smith passe a ser melhor se eu considerá-lo uma adaptação deste livro, e não do do Richard Matheson.

Opa! Nisso que dá escrever a postagem toda fora de ordem... Estava folheando o livro agora, tentando achar a parte sobre a guerra (?) entre os EUA e a China, para escrever certo lá no alto [que eu escrevi depois dessa parte], e esbarrei num devaneio do personagem, que eu já tinha esquecido:
" (...) alterações genéticas provocadas por um cataclismo universal. Este era o caso, sem dúvida, tinha que ser. "Os Mutantes de Mathieson", por exemplo. Mas isto não era literatura. Nem ficção científica. Era a realidade, crua e direta. A última realidade dos últimos dias do planeta."

Na hora eu nem tive o estalo, talvez por Matheson estar com um "i" errado perdido ali no meio. Mas taí... Não só é a prova de que *foi* inspirado de alguma forma, como o autor foi simpático de nem esconder. Por falar em erro, pô, monge é com G, no livro todo estava com J. Mas fora isso, português com todas as próclises e ênclises devidas, gosto disso nos livros mais antigos. E lá está escrito cataclismo com O, que é estranho, mas também é o correto. Bom saber, nunca tinha notado isso.

Mas voltando... Não só temos o humano perdido e sozinho num mundo arrasado, como [AHA! SURPRESA!] ele descobre que existem sobreviventes que só saem a noite [vampiros? não, só fotofobia mesmo]. E aí é que o voltar ao mesmo tema ganha peso: são pessoas mascaradas que "por trás das máscaras estão todos morrendo pela radiação, com a pela destroçada e nojenta". [acabei de repetir a mesma frase da minha outra postagem].

E aí o nosso mocinho (Milton Zorbe) precisa se preocupar em fugir durante o dia e sobreviver durante a noite, até descobrir uma solução mais permanente ou simplesmente desistir.

Claro, como qualquer livrinho dessa coleção (que em quantidade de texto estariam mais para um "conto longo" do que uma novela ou romance), de ficção científica barata, a narrativa é cheia de coisas que "são assim porque são"e você tem que ler atropelando, porque ela não tinha nenhuma intenção de ser algo mais profundo do que só uma aventura ligeira mesmo.

Então, por exemplo, o primeiro contato dele foi com uma mulher que não fez nada para preocupá-lo, fora o fato de não querer mostrar o rosto e continuar conversando com a luz apagada. Aí ele acende a luz mesmo assim, fica assustado com a quantidade de outras pessoas nas sombras e nota que eles usam mantos e máscaras. Ao invés de só se desculpar com aquela gente assustada (que ele faz, pelo menos), ele resolve ficar com medo e incendeia todo o quarterão, só para ter uma baita fogueira (luz para espantar o pessoal que tinha medo de luz). Até onde ele sabia eram só pessoas com máscaras que podiam muito bem viver naquelas casas.

Para alguém que estava desolado por ser o "último" humano, ficar com medo e resolver fugir quando finalmente encontra sobreviventes... não é o que eu faria. Detalhe: "finalmente" é bondade minha, isso foi no 1º dia dele de volta na Terra. Mas ele deu sorte, porque os sobreviventes comiam carne humana. Viu? É esse tipo de conveniência que temos que suportar nesses livrinhos. Mas eles são assim mesmo, só historinhas pulp corridas e cheias de clichê, e sabendo disso, são até divertidos.

Acho que o cara ter ficado mais de 10 meses sozinho no espaço deixou ele ruim da cabeça. Depois, quando há uma rápida trégua e o segredo dos sobreviventes é revelado e eles tiram as máscaras, o cara fica horrorizado demais só porque eles eram feios, como se tivessem lepra. Tudo bem, a minha geração foi insensibilizada de tanto ver filme de zumbi e outras maquiagens divertidas, mas pô, é só carne caindo, sangue e algumas pústulas, talvez algum pus. Deu nojinho e ele decide que a raça humana deixou de ser raça humana. Não convence. [ainda bem que ele foi ser astronauta, e não enfermeiro.]

Ah, e todos os personagens canibais adotam novos nomes, todos tirados da Bíblia, porque eles acham que a raça humana está sendo punida e eles têm que aceitar o castigo. Pode ser um bom livro para iniciar algum amigo religioso mais fervoroso em ficção-científica - várias vezes o personagem conversava com a "mocinha" dizendo que ele acreditava no Senhor e que tinha que manter a fé, e os canibais ainda por cima veneravam um velocino. Essas "indiretas" religiosas incomodaram um pouco, mas eram tão rápidas que... dane-se.

E, claro, no final, ele acha a cura e fica com a mocinha. E aí eles "saem para explorar e repovoar o planeta." [também tirei essa frase da minha outra postagem]

Só um último comentário, dessa vez pelo menos a capa quase fez sentido. É mesmo um astronauta, num lugar devastado, sendo perseguido por pessoas que usam vestimenta monástica. Só que o cara da capa tem barba e bengala! Fez-me pensar mais no Saruman do que em um leproso radioativo canibal. Até imaginei, pela capa, que 'depois do fim' [ha!] o mundo teria descambado de volta para a magia.

Mas é isso. É uma adaptação safada de Eu Sou a Lenda com toques de De Volta ao Planeta dos Macacos, mas continuam sendo bons livrinhos para carregar para salas de espera (ou casamentos) e ler sem compromisso. E como ninguém [ninguém!] resenha esses livros em nenhum lugar, aguardem, que eu volto com mais! [mas se for essa a minha missão na Terra, vou ficar chateado, rs!]

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Asimov & Munro

AHA! Muito maneiro! Reconheci a capa assim que comprei.

Isaac Asimov - Earth Is Room Enough - Fawcett Crest      K. L. Munro - Sabotagem no Espaço - Cedibra

Já vi outros casos de capas reaproveitas no Brasil (procurem "Nós, os marcianos" e "The Asutra", por exemplo), mas essa é a primeira vez que eu tenho um na minha estante!

E... é isso. Só achei legal e estava de bobeira em frente ao computador nesse feriado de Carnaval. Para creditar, arte (aparentemente) de Paul Lehr.

ATUALIZAÇÃO JUNHO/2013: Esbarrei com isso abaixo no Google Imagens. Ha! Muito maneiro. Se o história não tivesse me parecido tão ruim [apesar de eu ter ficado curioso com a reviravolta final], era capaz de comprar, só para ter mais um na coleção.

Theodore Sturgeon - Vênus Maix X - Editora Hemus

sábado, 26 de janeiro de 2013

Centúria-25

E a Coleção SOS Ficção Científica.

Título original: Centuria-XXV
Autor: Curtis Garland
Pseudônimo de: Juan Gallardo Muñoz
Editora: Cedibra  --  Ano livro / história: 1977 / 1974
Tradução de: Margarida Santana Gandra
Páginas: 128  -- Sem ISBN e acabamento barato
Tamanho: de uma foto (+/- 10x15 cm)

Vivendo e aprendendo... Na minha cabeça "Centúria" tinha dois sentidos: um grupo de soldados comandados pelo Centurião, lá no antigo exército romano; e os textos do Nostradamus. Comecei a ler o texto desse livro, que é no futuro, achando que alguém faria alguma menção à ele, dizendo algo do tipo "Veja só <alguma coisa>. Mas já devíamos saber... Nostradamus previu isso na Centúria 25!", mas ao mesmo tempo, eu sempre checo primeiro o nome original dos livros que leio, e lá estava Centuria-XXV. Ok, não deveria mudar nada na minha cabeça... Mas sempre que vejo algarismos romanos penso em séculos, e bolei a teoria número 2: será que centuria é século em espanhol [além de 'siglo'] e o título do livro foi só uma "tradução" muito da  mal feita?

Pois é... Fui checar agora, escrevendo a postagem, e descobri que centúria é sinônimo de século em português mesmo. Morria sem saber.

Mas agora que fiz mais uma das várias confissões de ignorância desde blog [blogar também é cultura], vamos ao que interessa: o livro.

Bem, antes disso, recapitulem o que é ficção de polpa. Esse texto do Wikipedia escreve muito sem falar quase nada, mas servirá. É isso que esse livreto é: ficção de polpa da melhor (?) qualidade. Mocinha em perigo, herói musculoso e vilões exagerados.
Neste livro a mocinha até que mete porrada também, mas ela não perde a chance de ficar assustada e abraçar o sujeito.

Ah, e ignorem a capa. Não há nenhum astronauta no livro. Muito menos 6 saindo de uma nave. E nem é coisa de brasileiro, a original era igual (imagem roubada deste flickr). Capas forçadas, coloridas e chamativas, e não necessariamente conectadas com a história, é bem típico das pulps também.

Eu não ia nem resenhar o livro. Mas esse é um daqueles casos que parece ninguém mais falou dele em site nenhum... Então eu não resisti.

Até uma mini explicação sobre isso antes: esse livro faz parte de uma coleção dos anos 70, da Cedibra, chamada [eu acho] SOS Ficção Científica [na verdade, era só Coleção SOS, mas com o tempo o "Ficção Científica" deixou de ser uma observação no canto para ocupar meia página], que são traduções para o português de livros curtos de ficção-científica barata espanhola. Esse autor, por exemplo, de acordo com o Wikipedia, só de ficção-científica escreveu 142 livros.
E aí você junta algo sem muita informação na internet (FCs espanholas antigas), só algumas menções aqui e ali, ou o site que linkei no nome do autor [excelente e gigantesco site sobre os autores, mas nem tanto sobre os livros], e aí você converte isso para o Brasil (antigos livros vagabundos, traduções de FCs descartáveis, por uma editora que não existe faz 30 anos), e temos algo com ainda menos informações, ao quadrado.
Os livros originais são da Bruguera, nome famoso no ramo, mas mesmo assim... Não há praticamente nada sobre esses livros em nenhum canto. Se fossem americanos teriam dezenas de sites com resenhas, fan-sites, colecionadores, etc. Então... Eu não podia deixar o bichinho des-resenhado em toda a internet.

Vamos que vamos!

A história: um sujeito acorda, meio desorientado... E com razão! Ele estava morto! E ele sabia disso! Ele lembrava de ter sido assassinado quando lutava por justiça contra corporações malignas. Quando ele sai do lugar onde acordou descobre que não só já passou bastante tempo (indefinido inicialmente), como que ele estava em um mausoléu em sua homenagem numa ilha. Porque ele não só foi considerado um herói por sua luta, mas também era famoso por ser o 1º ser-humano anfíbio, geneticamente modificado (ou criado, não lembro) para este fim.
Daí ele arranja um barquinho e vai em busca de entender o que diabos aconteceu com o mundo, descobrir se ele é o último humano que sobrou, e porque ele ressuscitou, assim, do nada!

Corta a cena. Estamos em outro canto do planeta (mas não muito longe) e descobrimos uma mulher, bolada por motivos parecidos, lutando contra dinossauros e descobrindo que tem super-força, não se queima, e ainda sofre de amnésia, pois não lembra de nada anterior a ter acordado, de seu congelamento desde épocas pré-históricas, dentro de um vulcão! [isso mesmo!]

Claro que os 2 heróis, com quase 2 metros de altura, ela de pele morena e bronzeada, curvas fartas, olhos negros e cabeleira longa e negra; ele loiro, olhos azuis penetrantes, musculoso e longa cabeleira loira [e guelras em algum lugar] iriam se encontrar logo e se apaixonar pelo simples fatos que são lindos de morrer, deuses de carne e osso, e estão sozinhos num mundo devastado.

E não resisto, a postagem ficará longa, mas tenho que digitar a descrição deles.
As primeiras, pelo menos, porque eles são fisicamente elogiados diversas vezes no livro.

"Triton (...) com seu porte gigantesco, louros e compridos cabelos e olhos celestiais, recordava um Aquiles, Ulisses, Segfid* ou Parsifal. A verdade é que possuía a arrogância dos deuses, a beleza dos heróis, a fortaleza de um Titã e a grandeza de um gladiador. Uma mente lúcida, nobre e inteligente, movia aquela massa de músculos e tendões vigorosos, aquele corpo excepcional que um inconcebível milagre biológico tinha devolvido à vida (...)"  [* = acho que Segfid é o mesmo que Siegfried]

Verdade seja dita, as demais descrições não são como esta, de quase meia página, mas ele é elogiado rapidamente outras vezes depois também. Da mocinha, Vulkania, não há uma descrição longa e contínua, mas monta-se uma imagem dela aos poucos, no capítulo em que ela é apresentada. Vamos às partes:

"braços vigorosos e nus (...) seu rosto firme, sensual, emoldurado pelas rebeldes mechas de cabelo negro azulado"; "Vulkania, a fêmea poderosa e selvagem, que movia sua nudez primitiva"; "olhos profundos, escuros como a noite"; "A esfinge vivente, que surgira das profundezas do vulcão radioativo"; "alta, vigorosa, cheia de força física (...) corpo vigoroso, vibrante"; "suas formas sensuais eram demasiado agressivas para passar despercebidas"; e "coxas fortes e macias (...) seios exuberantes".

Putz... Parece que estou descrevendo um livro pornô! Mas é isso, criancinhas... Aos heróis de antigamente não bastavam fazer coisas heróicas, eles tinham que ser absurdamente descritos como seres acima de todos os mortais. E se possível, no máximo de adjetivos, que é para aumentar o texto.

Voltemos rapidamente á história, mesmo porque o livro é fino, e se eu escrever muito, conto o livro inteiro.

Depois de se encontrarem e começarem a andar pelo mundo, em busca de sobreviventes, Charlton Heston e a Nova, quer dizer, Tritão e Vulcânia, vão para Austrália, lar original do mocinho, e acabam sendo feitos prisioneiros por um povo que usa máscaras, que se denominam Os Impuros, e são avisados que enfrentarão um julgamento que certamente os levará a morte. [comentário desconexo: por mais absurdo que pareça, não consegui achar uma foto boa da Linda Harrison e do Heston, ele até está bem na foto que linkei, mas ela nem tanto. Para tirar a má impressão, vejam mais imagens dela aqui]

Pensando bem... Esse livro tem quase 40 anos e não é nada que vocês encontrarão na Saraiva mais perto de vocês (talvez nem no sebo mais perto), então não os deixarei no suspense...

SPOILERS ABAIXO:

Eles precisam provar para os captores que eles não são do maligno povo dos Puros, que seqüestra e mata os do povo impuro sempre que eles deixam seu lar, um antigo bunker atômico mal protegido da radiação.
Eles provam, pois o cara é anfíbio e a fama dele ainda durou até o século XXV, e a mulher não se queima, coisa que seres humanos não conseguem. Ah, bem lembrado: ela também não é humana, ao que tudo indica é alienígena. O povo mascarado, agora confiando nos ressuscitados, mostra que por trás das máscaras estão todos morrendo pela radiação, com a pela destroçada e nojenta [isso parece ser outra idéia tirada de Planeta dos Macacos, do segundo filme agora], e explica que os Puros vivem numa cidade protegida e escondida, porque se move e está sempre mudando de lugar, chamada Novo Éden, onde são imortais e não sofrem com a radioatividade.

Nossos heróis oferecem ajuda e vão atrás da tal cidade [nota: nisso só faltam 10 curtas páginas para acabar o livro, então você sabe que a solução será muito rápida], são outra vez seqüestrados e preparados para serem julgados novamente [pelo jeito todos os sobreviventes da humanidade são advogados], e aí o cara faz um discurso raivoso, se solta, mete a porrada na banca de juízes, e nota que não há sangue... Ó céus! São robôs! Ele se livra de mais alguns; encontra uma forma de desativar todos de uma vez; encontra a Vulkania sem nem precisar procurar; e juntos acham uma biblioteca, onde descobrem que o último dos imortais morreu faz algumas décadas, mas, só de birra, deixou os robôs no lugar, para os Impuros continuarem temendo-os e sendo mortos sempre que possível. Mistério resolvido e cidade encontrada, eles a levam para os Impuros, para que eles possam viver lá, onde não há radiação, e assim terão uma chance de prosperar.

Nossos heróis se despendem, prometendo visitá-los algum dia, e saem para explorar e repovoar o planeta.



FIM DOS SPOILERS.

Como eu disse antes, o livro é bem fino. Letra grande e espaçado. Dá para ler num único susto. Tenho vários livros desta coleção. Muitos eu li na minha época de pirralho e muitos eu só fui comprar depois de velho, e os leio de vez em quando, quando quero algo para descansar a cabeça entre livros mais complicados. Ou se preciso de algo pequeno e fino que caiba bem num bolso [dica: são ótimos para bolsos internos de paletós, para levar em casamentos se você é como eu, que chega na hora, e não tem ninguém no lugar, nem o padre, nem parente, e o coro está testando os instrumentos - outra opção é levar cruzadinhas, mas a Coquetel parou de fazer as do Nível Difícil em tamanho menor]
Fazia tempo que não lia nenhum deles até, acho que desde antes do blog entrar no ar.

Um detalhe divertido é que nem sei quantos livros existem na coleção. São pelo menos 87, mas nunca descobri a quantidade correta. Até vou aproveitar que estou com tempo e vou explicar o cálculo, para caso surja algum outro fã da série por aqui e também tenha a mesma curiosidade. Ou se você for um fã mais bem informado, agradeceria imensamente a elucidação do mistério.

Vamos lá: esse livro é o nº 24 da Série Amarela. Ainda não encontrei nenhum livro nesta série acima do nº 33. Então, por puro chute, assumo que este seja o último dela.
Existem livros de FC dessa coleção que não têm uma 'série colorida', são apenas numerados; e nunca encontrei nenhum deles acima do 15. Ao mesmo tempo, nunca encontrei nenhum da Amarela abaixo do 16. Logo, imagino que sejam uma seqüência só.
E nas demais séries, Azul, Verde e Vermelha (não sei a ordem de publicação) nunca descobri números maiores que os 18. Então ficamos assim:

Série Incolor + Amarela: 1 ao 15 + 16 ao 33
Séries Azul, Verde e Vermelha: 18 livros cada série.

E daí: 33+18x3 = 87!

ATUALIZAÇÃO: a ordem de publicação é a seguinte:
Série Incolor: em 1974 e 1975  //  Demais séries: simultâneas em 1976 e 1977

Mas nunca se sabe, as séries de bolso de romance e de velho-oeste da Cedibra, ambas da mesma época, chegaram, pelo menos, por volta do nº 200. [pode ser bem mais, é que pesquisei isso agora em pouco segundos apenas] Mas se você reparar na Série Amarela, do 16 ao 33 também são 18 volumes... Acho que 18 era o limite nas séries de FC, então aposto que são "só" 87 mesmo.

O negócio é tão ruim de conseguir informações, que dos 87 [ou mais?] livros, dois deles eu não consegui nem descobrir os nomes (Vermelho 16 e Azul 2). Isso vasculhando pelos autores ou pela coleção no Google, Estante Virtual e Mercado Livre. O problema é que também existem livros destes autores em coleções da Futurama ou da Nautilus, por exemplo. Então, geralmente, só dá para ter certeza vendo a capa, que nem todo site traz.
Depois, com tempo, acho que vou scannear as capas dos que eu tenho só para fazer uma postagem-homenagem.

ATUALIZAÇÃO: descobri o nome do Azul 02 uma semana depois da postagem, mas reparei algo que deveria ter notado antes: todos os "incolores" que identifiquei são do K.L. Munro, exceto um! Esse 1 não era da mesma série. Ao invés de ser da Coleção SOS, ele é da Coleção Trevo Negro (de terror). Literalmente, paguei pra ver [comprei! vai que era mesmo da SOS]. Então, de volta à estaca zero. Não sei o nome de dois: "Vermelho 16" e um dos "incolores" com nº indefinido.
→ ATUALIZAÇÃO DURANTE A ATUALIZAÇÃO: Resolvi fazer uma checagem por eliminação, para descobrir o provável nº desse... E num anúncio vencido do TodaOferta, que nem dava o nome dos livros, apenas 'SOS Coleção Cedibra', eu olhei a fotinha... Vi uma capa desconhecida, e deu para ler o nome do livro. Há! Só falta 1 nome agora!

ATUALIZAÇÃO 3: até que foi divertido o suspense... Hoje é dia 6/fev, e jogando mais uma vez no Google, por falta do que fazer [e uma certa obsessão, depois que o assunto começou], encontrei o nome de outros livros da série no catálogo de uma tal Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos [o Google na verdade me jogou numa página de busca sobre "larvas" no tal catálogo]. Bem, já estava lá... Busquei por CEDIBRA VERMELHA, e fui lendo cada um dos títulos, com o suspense crescendo [acervo bem catalogado, por falar nisso]. E lá estava, perto do final, o escorregadio título do nº 16. Mistério resolvido. Agora é achar para comprar.


E é isso, calculando proporcionalmente, tamanho do livro x tamanho da postagem, acho que essa aqui ganha de longe. Nunca escrevi tanto para falar de tão pouco texto. Mas é divertido escrever sobre essas coisas que ninguém mais escreve. Não tem lá muita graça resenhar Crepúsculo ou Guerra dos Tronos [ambos têm postagens que estão em rascunho] porque para esses há 2 milhões de sites a respeito.

Quem tiver achado interessante, estejam a vontade para procurar esse livro [neste momento, 27/jan/2013, há 3 disponíveis no Estante Virtual] e os demais da coleção pelos sebos da vida. Há vários outros bem... hummmm... Não vou dizer que são bons... Bom mesmo, acho que nenhum dos que li foi, mas são antiquadamente divertidos. Só corram para chegarem antes de mim! Porque resolvi que vou tentar completar os 87 [ou mais].

[ou façam o inverso: se tiverem e quiserem vender, entrem em contato, que digo quais já tenho e quais quero comprar]