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domingo, 20 de abril de 2014

The Chessmen of Mars

Autor: Edgar Rice Burroughs
Arte da capa: Michael Whelan
Editora: Del Rey Books
Ano livro / história: 1987 / 1921
Páginas: 220  --  ISBN: 0-345-35038-3  --  Tamanho: de bolso
Tradução para o português: não existe [poxa, Aleph...]

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Yes!! Menos um livro para a meta de ler todos os 11. Vamos lá!
Feriadão, ótimo para pôr a leitura em dia. Mas o plano de ler todos até final de 2014 eu posso considerar furado. O último, antes deste, eu li em jan/2013. Faz mais de um ano! Eu ia escrever que a minha desculpa é que, de lá para cá, eu li 2 dos livros de Guerra dos Tronos e dois da Torre Negra: ou seja, 4 tijolos e, pelo mero volume trambolhal dos dito cujos, isso segurou minhas outras leituras... Mas seria mentira. Porque depois de começar a escrever isso eu olhei melhor (*) e vi que os li em 2012, não em 2013.

[(*), sim, eu tenho uma planilha. Eu gosto de lembrar quando eu li o quê e ajuda a localizar autores e contos quando preciso, além de evitar comprar livros repetidos.]

Em 2013 eu apenas mantive minhas leituras bem variadas mesmo. Pegando para ler vários livros fora do meu padrão de FC antiga e, com exceção dos 3 primeiros livros da Haruhi, não li nenhum que fosse da mesma série que outro. Foi um ano divertido e bem variado, e acho que não li nada de Barsoom por mero acaso. Acontece.

Como esses livrinhos são bons, vou colocar o 6º da série na minha lista mental para breve. Quero ver se começo a ler os livros do Hugh Howey finalmente, então lá vem mais um tijolo. Mas tentarei ler o nº 6 até o meio de ano. E algo que me deixou um pouco curioso com eles: logo no começo do livro o Carter recebe cartas sobre outras coisas acontecendo no país dele. Seriam essas coisas as tramas dos próximos livros?

Mas agora... paremos de encher lingüiça falando sobre planos que foram para o brejo [bem, vou tentar ler todos até o final de 2016 então], e falemos do livro.

Já perdi a conta, mas acho que, até o momento, já temos uns 8 seqüestros ou aprisionamentos de princesas:

Livro 1: a Dejah
Livro 2: a Dejah de novo e, no meio do caminho, o Carter encontra outra princesa (Thuvia) prisioneira, que havia sido seqüestrada antes.
Livro 3: a Dejah é re-seqüestrada.
Livro 4: a Thuvia é seqüestrada 3 vezes na mesma história.
Livro 5: e cá estamos, a Tara (filha do Carter) sai pra passear, perde-se, e é feita prisioneira. Aí vem o sujeito salvá-la e, durante a fuga... Ela é feita prisioneira na cidade seguinte. A foge e... pegam ela de novo. E apesar de não aparecer diretamente na história, ficamos sabendo que a esposa de um cara desta cidade era uma princesa na cidade do mocinho principal - antes, claro, de ter sido seqüestrada.

Acho que estou notando uma certa preferência temática pelo autor. Mas pode ser só impressão minha. Que tolice.

Mas até fui bondoso na minha contagem. Reencontrei um site que visitei faz muito tempo, com resenhas de todos os livros e... a contagem de seqüestros/resgates caso a caso. E de acordo com eles, até o 5º livro temos 19! E acho que eles nem contam os seqüestros que aconteceram antes de cada livro começar, como eu fiz com 2 dos acima.

Por falar nisso, para quem gosta de FC e Fantasia, em livros ou filmes, o tal site (Black Gate - Adventures in Fantasy Literature) merece uma visita bem demorada.

Agora, falemos sério, porque dizendo assim parece que eu não gostei do livro. E eu gostei! Claro, eu não consigo ter um olhar muito crítico, não sou professor de literatura nem nada, então o que me importa é que, ao ler o livro, ele me divirta. Eu falei isso lá na resenha da Trilogia Thraw: os livros eram cheios de forçadas e coincidências exageradas, mas... eu teria adorado ver tudo aquilo numa Sessão da Tarde. E o "As Peças de Xadrez de Marte" é isso, assim como os livros anteriores. É uma aventura meio-velho-oeste / meio capa-e-espada que, praticamente, só é ficção científica porque está em Marte.

Trocando alguns termos, daria para fazer a história se passar todo no mundo de Aladim, por exemplo. Seria num deserto. A pouca tecnologia apresentada poderia ser mágica (ou alquimia). Os seres sem cabeça poderiam ser zumbis. E as naves voadores poderiam ser tapetes. Putz, eu consigo facilmente imaginar a Jasmine nos livros do Burroughs.

Por falar nisso, eu imaginei a Tara como a Amanda Seyfried (de O Preço do Amanhã), mas de cabelos longos e escuros - e pele vermelha, claro. Sei lá. Combinou.

Mas paremos de viajar de novo [eu juro, eu não faço essas postagens nem mamado nem fumado], e falemos da história.

A história: menina gosta de menino. Menino diz que gosta da menina. Menino é visto apenas conversando com outra menina. E a menina original fica chateada. Para piorar, o pai dela resolve apresentá-la a um moço de outra cidade, rapaz de futuro, com carreira. O que a deixa ainda mais fula da vida. E o fato do sujeito ser todo garboso e engomadinho a irrita ainda mais profundamente. E aí ele apaixona-se a primeira vista por ela, e pronto, a garota fica puta de vez.

Qualquer um que assistiu novela nos últimos 30 anos: você já sabe como isso termina.

Mas, incrivelmente, vindo do Burroughs, eu tive uma surpresa. Eu tinha certeza de que o amigo de infância (o cara que conversa com outra moça) iria acabar se redimindo com a menina e o sujeito garboso (líder de outra cidade marciana) iria acabar sequestrando-a.

Na verdade, ele era mesmo um bom moço, e ficamos sabendo disso logo nas primeiras páginas. Isso atiçou minha curiosidade. Aparentemente a história não teria nenhuma princesa sequestrada desta vez. Ser feita prisioneira 3 ou 4 vezes na mesma história? Sim. Mas não foi sequestrada!

Voltemos. Tudo acima aconteceu numa festa no palácio, logo no começo da história. A garota se retira e, no dia seguinte logo cedo, resolve passear sozinha em sua pequena nave. [eu nunca consigo imaginar direito o que o Burroughs tinha em mente com essas naves dele. No começo parece ser um tipo de jet-ski aéreo, mas depois dá a impressão de ter o tamanho de uma lancha, mas sem cadeiras, e grandes tanques embaixo.]

Está lá ela, passeando no céu, fazendo algumas coisas mais arriscadas, típicas de adolescente... E ela é pega numa tempestade. Não uma qualquer, mas a mais assustadora já vista em muitos anos. Chega a derrubar uma das duas torres de Helium (a cidade capital) - o que é um detalhe importante vindo do autor, já que ele sempre menciona a cidade como tendo duas torres. Bem... agora só tem uma.

Ela não chega a ser arrastada como uma vaca num tufão [ou como tubarões num tornado] [onde esse mundo vai parar?], mas a nave dela não tem potência suficiente para vencer as correntes de ar e só sobra acompanhar a tempestade. De forma relativamente segura, mas ainda assim ela vai parar bem longe. E depois do sufoco de dois dias sem comer e dormir, controlando a navezinha, ela avista algo que parece um vinhedo com alguns silos em volta, e resolve descer; para descansar e talvez encontrar água e comida.

Como se ela não tivesse crescido ouvindo histórias horríveis, contadas pelos pais, sobre povos estranhos e violentos por toda a parte, que adoravam sequestrar a mãe dela. Adolescentes...

Se bem que em Marte não existe bússola nem GPS... Então descer e procurar ajuda talvez fosse mesmo a única opção. [mas cacete! Na Terra, mesmo antes de inventarem os dois, você não podia sair navegando ou pilotando sem aprender a se localizar pelas estrelas ou qualquer coisa! E aí, o "rei" de Marte deixa a neta aprender a pilotar sem saber isso?] [e putz... acabei de lembrar que 1 ou 2 livros atrás o irmão da garota inventou o piloto automático! Já era hora de todas as naves terem isso. Ainda mais a droga da nave da PRINCESA!!!, mas vou parar de divagar sobre isso... no dia que eu for rei de outro planeta eu penso em formas melhores de proteger a família real.]

Obviamente, descer num lugar desconhecido nunca dá certo em Marte.

Corta de volta para o palácio. Algumas horas depois da princesa ter saído para passear no céu e a tempestade ter mostrado que não era bolinho, fica óbvio para todos o que ela fez e o problema que ela deve ter arranjado. Mas nas ruas a situação é pior, o governo precisa de toda força de trabalho para ajudar a população no meio de uma calamidade, e também mal dá para decolar com naves para busca.

Mas eis que o líder da outra cidade, cuja nave ainda estava lá estacionada, resolve partir atrás da mulher amada (que ele conheceu por apenas uns 30 minutos). Todavia, a nave é boa mas não é mágica. E depois deles viajarem por algum tempo, ao salvar um outro tripulante de cair da nave, cai ele. E descrevi as primeiras 15 páginas do livro.

Na primeira cidade (a dos "vinhedos") a garota encontra uns seres sem cabeça (se entendi corretamente, no topo do pescoço descabeçado há um buraco, por onde eles se alimentam e, provavelmente, respiram). Ela fica assustada, espera anoitecer, bebe água, come umas frutinhas e aí... Fica presa no lugar, porque tem leões famintos vagando por ali. No dia seguinte, seres com cabeça a encontram e, claro, não eram pessoas de bem. A garota tenta fugir e, por acaso, "arranca" a cabeça de um deles. E aí descobre que a cabeça tem perninhas e que são seres em separado. Basicamente: tem as mulas de carga (que são os corpos sem cabeça, usados para serviços braçais, proteção e como alimento) e você tem seres que são basicamente... a cabeça. Um antigo povo que de tanto buscar o intelecto, evoluiu até quase só sobrar o cérebro. Claro... Porque não?

História vai, história vem. O sujeito que tinha ido atrás dela (Gahan) a encontra, salva e ainda fazem um amigo (Ghek) entre o "povo-cabeça" (kaldanes). Aí eles pegam a navinha dela que estava escondida e seguem sem rumo. Porque não só a droga da princesa não aprendeu nada sobre navegação, mas a porcaria do líder de outro povo e capitão da própria nave também não sabe se localizar. E a porcaria do sujeito que deveria ser puro intelecto passou a vida inteira só tomando conta de seres sem cabeça colhendo amoras! Cacete! O Burroughs também tá de sacanagem, né?

Ah, e a Tara não reconhece o sujeito, já que ela só a viu, a contragosto, por pouco tempo e com ele todo emperequetado, e neste ponto da história ele está usando um roupa qualquer e maltrapilho. E ele, para tentar conquistá-la sem ela já desdenhar logo de partida, entra na onda, inventa outro nome e não conta quem é.

E encontram uma nova cidade. Resumindo, porque a postagem está gigante, todo mundo é feito prisioneiro. O líder maligno da cidade acha a Tara linda e resolve casar com ela, ela o esculhamba de todas as formas, e ele decide matá-la. E depois decide casar com ela de novo. O Gahan vai parar num jogo de xadrez que é jogado com pessoas, que lutam até a morte para tomar cada casa. Detalhe divertido: o Burroughs escreveu as regras deste "xadrez marciano" e elas estão no final do livro.

E claro, como acontece todas as vezes em todos os livros, eles fazem um amigo na cidade inimiga. E o Ghek dá uma ajuda aqui e ali. E tem um velhinho que empalha os desafetos do vilão. E uma outra cidade. E algumas reviravoltas. E fantasmas. [não exatamente] E ratos gigantes. [ok, do tamanho de gatos]

E boa parte do final da história envolve corredores escuros, porque além de não terem inventado a bússola, nenhuma droga de marciano pensa em pegar um pedaço de madeira e fazer uma tocha nessas horas. [Putz... eu me empolgo nessas postagens... Falo, falo, falo... Se deixar rolar eu resumo a história inteira] [e não durmo].

Mas então, apesar do Burroughs repetir à exaustão seus temas preferidos, parece que ele sempre fica pensando numa nova forma de repetir a história, então até que não cansa. Eu achei o livro bem divertido, mesmo sendo bem episódico (que é como foi originalmente lançado). Dos livros da série até o momento, esse é o que melhor viraria um seriado para TV. De X em X páginas algo acontece de errado, como se porque você NÃO pode deixar o mocinho e a mocinha viverem felizes para sempre em 3 episódios. Tem que parecer que vai dar certo, e aí dá problema. E repita. São quase dois livros em 1 porque depois que eles fogem da primeira cidade, se não fosse pelo Ghek você até esqueceria que eles passaram por lá.


Por falar no Ghek, ele é responsável por uma das passagens mais divertidas, em que ele tira um baita sarro do guarda que estava cuidando do cativeiro dele, "mentindo" descaradamente, mas sem dizer nenhuma mentira. Achei engraçada. Podem me culpar. Outra coisa legal é o estilo das falas (lembrando que o livro é de 1921, está quase fazendo 100 anos!): as conversas são sempre totalmente educadas, corretas e arcaicas [lembrou-me os primeiros livros do Guerra dos Tronos, antes de perceberem que na verdade era 'erro' de tradução - mas eu gostei muito mais da tradução do Candeias como estava, de repente até mesmo por isso].

Acaba que o livro não termina da forma abrupta como eu pensei que aconteceria [possivelmente trauma do livro anterior], mas rolou um certo "problema de continuidade": como foi que acharam Helium tão fácil - e rápido - no final da história, se antes eles mal conseguiam se achar? E se é tudo tão perto, como foi que essa cidade ficou desconhecida tanto tempo?

No final, a história do livro passa-se em 1 ano. Eu não tinha imaginado tudo isso não, fiquei com a impressão de uns 4, talvez 6 meses. Mas, como eu já disse sobre outro livro, tudo para o Burroughs leva muito tempo. Acho que se ele descrevesse alguém escolhendo o jantar na geladeira, a frase seria "E tendo contemplando todas suas opções, três dias depois ele optou por apenas uma banana."

E lá atrás, numa das postagens anteriores, eu coloquei dois links para a arte das capas. Pois acabei de achar outro (Dana Mad) com as imagens em uma resolução ainda maior. Putz, sensacional. E vale muito a pena passear pelo resto do site, vendo outros artistas colecionados lá.

Ainda no tema, um passatempo: encontrar em todas as capas marcianas a assinatura do artista (é um círculo com um M e um W sobrepostos, é o logotipo no topo do site, no link lá no alto) [e alguém conseguiu achar a assinatura justamente na capa do Chessmen?]

Mas é isso. Essa postagem ficou em rascunho por 5 meses. Li o livro em abril e estou colocando isso no ar em setembro. [e para constar, ainda não li nenhum outro livro da série... e ainda estou devendo postagem sobre uns 3 ou 4 que li depois desse... já falei isso antes, mas... essa vida agitada de blogueiro ainda acaba comigo. rs!]


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sábado, 5 de janeiro de 2013

Thuvia, Maid of Mars

Autor: Edgar Rice Burroughs
Arte da capa: Michael Whelan [adoro as capas dele, depois desta série descobri outros meus com capas do sujeito]
Editora: Del Rey Books
Ano livro / história: 1985 / 1914
Páginas: 128  --  ISBN: 0-345-32898-1  --  Tamanho: de bolso
Tradução para o português: não existe [e aí, Aleph?!]

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Aha! Mais um livro para cumprir a meta de ler todos os 11. Vamos lá!

A história: No final do terceiro livro eu disse que o filho do John Carter (o Carthoris) arranja uma namorada (a Thuvia). Na verdade... Não arranjou não. Ele até que insiste, mas ela foi prometida à outro príncipe e se mantém fiel aos votos, mesmo não tendo interesse no outro sujeito que ela mal conhece. Em paralelo, outro príncipe de outra grande cidade marciana (Dusar) também está tentando conquistá-la. Mas ao contrário do Carthoris, que é meio metido mas é um bom sujeito e respeita a moça, o tal príncipe (Astok) tenta convencê-la pelos motivos e das formas erradas. O principal argumento dele é que ele a ama, é bonito, rico, um príncipe de uma cidade poderosa, e ela tem mais é que amá-lo por causa disso, e basicamente é uma idiota se não concordar. [e eu achava que eu era ruim de galanteios...]

Em paralelo, o Carthoris inventou o piloto automático. Ele está lá mostrando para uns sujeitos que inventou um treco que basta dizer para onde quer ir, e a nave vai sozinha, ele pode até cochilar no caminho. Aí perguntam para ele o que acontece se outro sujeito tiver a mesma idéia, no caminho inverso. Aí ele explica que também inventou (não com esse nome) o transponder (aquele aparelho que ficou famoso quando dois aviões se esbarraram sobre a floresta amazônica): se vier uma outra nave fazendo o oposto, tem um esquemete lá e elas se desviam sozinhas. Ponto para o Burroughs, que pensou nisso 99 anos atrás. E durante toda a explicação, um sujeito ouve com sombria atenção.

Até um detalhe que é sempre bom recapitular, a história é cheia de clichês, mas... Lembrem: esse livro é da época que os clichês ainda não existiam, estavam sendo inventados. Muitos pelo próprio Burroughs. Então boa parte das coisas manjadas, do ponto de vista atual, na época ainda eram mérito da história.

E começa a ação e o plano nefasto. O atencioso acima era um capanga do príncipe maligno, que adultera o piloto automático para mandar o Carthoris para uma cidade abandonada no meio do nada. Assim que ele deixa a cidade a Thuvia é seqüestrada por soldados do vilão, disfarçados como se fossem de Helium (a cidade do Carthoris). [ou algo assim]

E aí uns boatos bem colocados são feitos. Testemunhas contam para o pai da Thuvia o que viram. Ninguém encontra o Carthoris para perguntar qualé a dele e se ele seqüestrou a garota. E a cidade de Dusar vai colocando lenha na fogueira, querendo colocar cidades amigas em guerra e depois conquistar os destroços.

E corta. Temos um pouco de ação na tal cidade abandonada. Não lembro bem a lógica, mas mandam a nave do Carthoris se perder no mesmo lugar onde resolvem esconder a mocinha. Acho que foi só pela comodidade. "Soldados malignos, fiquem aí tomando conta da seqüestrada, mas quando chegar uma nave perdida, matem o piloto. E continuem o bom serviço. Boa tarde." Não lembro. Mas isso não dá muito certo, aparecem os macacos albinos do primeiro livro, e nem os vilões sabiam que a cidade estava cheia de marcianos verdes. No final, a Thuvia muda de seqüestrador, e é levada agora por um dos verdes.

E lá vai o Carthoris atrás, sem nem saber que o resto do planeta está quase em guerra mundial, achando que ele é o culpado por toda a confusão. E ele encontra a Thuvia num acampamentos dos verdes, que estão para atacar uma cidade desconhecida, habitada por marcianos brancos, mas de um outro tipo, sem serem os do 2º livro [os carecas do filme, mas não lembro se eram carecas no livro também]. Esses tem como traço característico o cabelo castanho-arruivado. E eles não sabem que o resto de Marte ainda existe, estão isolados e acham que todos já morreram e eles são a última cidade em pé.

Enquanto ele pensa em como salvar a moça, um exército de arqueiros sai da cidade e ataca os verdes. Mortos e sangue para todos os lados, e no meio da batalha ele salva a Thuvia. Aí eles notam algo estranho. Todos os mortos são dos verdes, e não há sangue, nem flechas, e nenhum corpo do exército da cidade.

Não vou explicar não. Leia o livro. Mas fica mais um ponto para o Burroughs, que teve, 100 anos atrás, outra idéia que foi ficar conhecida bem depois, em Matrix, a de que basta o cérebro acreditar que você se ferrou e deveria morrer, para morrer de verdade. [meio que entreguei a solução, mas há toda uma seqüência na cidade que podemos pular, na verdade, estou me empolgando e contando quase o livro inteiro]

No final, tudo parecia bem, mas mocinho e mocinha se separam, e lá vamos nós de novo... a Thuvia é re-seqüestrada pelo vilão. Aí tem mais alguns rolos, o Carthoris faz um amigo entre os castanhos-arruivados, finge-se de soldado do exército inimigo, muitas coincidências fortuitas, o cara é um bom espadachim, e fim!

Opinião: 
Li a primeira metade do livro bem aos poucos, não muito animado. De repente o ritmo melhora e li todo o resto quase num golpe só. Acima eu já comecei a esquecer algumas coisas, mas é que estou escrevendo isso duas semanas depois de ter terminado.

No começo há duas partes bem cansativas. Num dado momento o vilão chega na cidade de Helium; e a descrição do local, do comércio, barraquinhas e o cacete, parece que não termina. Não sei se foi má vontade minha na hora, mas deu uma canseira. Isso se repetiu na descrição da cidade abandonada um pouco depois. A teoria da má vontade até pode ser real, porque a história desse livro é: outra princesa marciana é raptada, e outro humano (meio-humano, mas ok) precisa salvá-la.

Já comecei o livro naquela de "De novo? Quantas vezes princesas serão seqüestradas em Marte?" mas pretendo ler todos os livros marcianos do Burroughs até 2014 [tem que dar um tempo entre eles, e estou também intercalando os livros da série Torre Negra, bem mais grossos], e apesar de eventuais pesares, eu gosto deles. Então tudo bem.

Outro problema é a cidade perdida ter continuado perdida. O resto de Marte não conhecê-la, ok. Eles nunca foram lá e olharam, e os marcianos verdes não se dão bem entre si, então não devem ficar trocando informações geopolíticas entre eles. Mas não vi nenhuma explicação decente para ELES, da cidade perdida, não saírem dali para explorar.

Agora, apesar de retomada do interesse, o livro teve um problema no final... Bem, não estarei entregando nada se disser que o filho do John Carter salva a princesa, e termina com ela. Isso é minimamente óbvio. Mas no processo temos uma baita guerra sendo preparada, imensos exércitos voadores [já falo deles] prontos para se chacinarem, um governante que descreveu todos os horrores que aconteceriam à sua cidade se algum dia descobrissem que o idiota do filho dele foi o sequestrador, ah, e o filho escapa, mas com todo o seu exército pronto para ir atrás - o Carthoris tinha uma nave mais rápida, mas dane-se, o cara iria atrás com certeza - e aí, quando você espera que algo aconteça, que os mocinhos encontrem seus reis e anunciem "Vejam, estamos vivos e não foi culpa de filho do Carter", e talvez até tenhamos alguma rápida batalha terminada de forma honrosa, para terminar logo a história, aquela coisa de "Nobre rei inimigo, reconheço que seu filho é um babaca e que você não é totalmente santo, mas nada vale todo o sangue que derramaríamos, uma vez que a mocinha foi salva. Baixemos nossas armas."... Ou uma descrição ainda que rápida da batalha, terminando com papai e filhinho vilão mortos, e corta a cena para um casamento.

Não! Nada disso acontece. A Thuvia passou boa parte do livro apaixonada pelo mocinho mas, honrada por ter sua mão prometida, sem declarar seu amor a ele e nem dando esperança pro rapaz. Desmotivando-o sempre que possível. Aí finalmente essa situação se resolve (surpreendentemente sem a morte do cara que tinha a mão dela em promessa) e aí... Não, o livro não termina com eles se beijando. Mas termina aí.

Temos todo uma situação política insustentável que já deu merda, amigos desfazendo amizades, exércitos batendo no peito, nações estrangeiras ao resgate, vilões NÃO derrotados, doidos para continuar (ao que parece) com seus planos malignos, e... nada disso se resolve no livro. Talvez o livro seguinte faça alguma menção, alguém converse com alguma princesa dizendo "Veja se não vá ser sequestrada você também, hein! Já tivemos duas e da última vez aconteceu X, Y e Z... Menina, foi um problemão que só vendo!". Mas sei lá, não tenho grandes esperanças não.

Confirmando... Acabei de olhar o texto do livro e, nele inteiro, o nome Thuvia só é mencionado 1 única vez, e Dusar (a cidade vilã do livro atual), é mencionada 2 vezes. Não li o livro, isso não é garantia de nada... Mas ainda mais agora, eu confio no meu chute de que toda a parte acima ficou mesmo sem resolução. Fica subentendido que os vilões foram devidamente castigados e tudo acabou bem sem muito sofrimento. E pronto!

Ah, mas algo de bom no final. Falei acima dos exércitos. Ok, sei que é exagero meu, mas a rápida descrição dos exércitos voadores no final ficou bem legal... Peguei um pouco do visual do filme (o John Carter of Mars, que não é de todo o mal, acabei não resenhando até hoje, mas eu gostei), juntei com o que eu já tinha imaginado ou visto de outras imagens por aí, e ficou muito bonito! Teria sido uma cena espetacular. E não só por isso, grande coisa as naves voando... Mas é que nessa parte do livro, de surpresa, o Burroughs traz os marcianos amarelos e os marcianos negros! Dane-se! Entreguei! Mas esse livro tem 99 anos. Porra! Já posso contar spoiler. Eles haviam sido completamente ignorados o livro inteiro. E aí... É descrito que naves deles também se ergueram e estão indo pela batalha, ajudar John Carter, o cara mais cativante e carismático do Sistema Solar pelo jeito.
Não quero saber, foi só meia página de texto, mas a surpresa valeu a "cena". Foi como num filme em que a direção propositalmente te faz esquecer de um personagem, só para fazê-lo chegar no final, correndo com um exército atrás! Muito bom.

Ah, isso acontece nesse livro no final também. Todo aquela história da cidade perdida, ignorada depois, é usada no final, para ajudar a resolver uma situação.

Mas é isso. Começa devagar, fica interessante, e termina meio abruptamente. Agora é esperar mais alguns meses e ver qual a próxima princesa que será seqüestrada.
Dica: a mocinha do próximo livro é a irmã do Carthoris!


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domingo, 8 de abril de 2012

The Warlord of Mars

Pronto, terminei a "trilogia" inicial (aspas porque na época, ninguém tinha essa mania por trilogias, mas os 3 primeiros livros mais ou menos fizeram uma).

A boa notícia é que diminuiu bastante a 'porrada + fuga + porrada + fuga' do segundo livro. E somos apresentados agora aos orientais de Marte marcianos amarelos. E não, EU não estou fazendo piadinha com a cor, quem parece que fez foi o escritor. Ah, qualé... Amarelos, com espadas em forma de gancho, de barba. Ok, o cara não falou nada de olhos puxados, e nesse site aqui eles parecem piratas, mas não teve como... ainda mais depois deles usarem espadas-gancho e pequenos escudos redondos. Li o livro imaginando-os com uma moda puxada para cavaleiros mongóis e barbas triangulares - e alguns até com olhos puxados.

A história. Bem, não contarei aqui como termina o 2º, mas "O Comandante de Marte" (título nacional, em breve pela Aleph) começa exatamente onde esse parou. Bem, quase, passaram-se 6 meses. Mas parece que tudo que o Burroughs escreve para o Carter leva semanas ou meses... Teve uma passagem no livro em que o cara fica procurando o caminho num rio numa caverna. Ele se perdeu um pouco... Normal. Mas levou DIAS procurando o caminho. Curiosamente, quando ele acha o caminho certo, o pessoal que ele queria pegar - que não teve o problema de se perder, tinha acabado de chegar no local também. Esse exagero do escritor, de tudo levar semanas ou meses incomoda um pouco. Mas estou divagando por um detalhe sem grande importância.

Ok, a história continua onde o outro parou - com o Carter precisando salvar a esposa (e a Thuvia, amiga do 2º livro e título do 4º) - mas eis que, ela é raptada novamente. Como o 2º e 3º livros são praticamente 1 livro só quebrado em 2, vou logo dizendo: seqüestrada pelos mesmos caras que a seqüestraram no 2º, ou seja, é o mesmo sequestro ainda na prática. O Carter não consegue salvá-la de cara e precisa ir atrás da esposa, primeiro seguindo os malfeitores até uma outra grande cidade do povo vermelho, no meio de uma floresta com insetos gigantes (onde ele por acaso esbarra e fica amigo do pai da Thuvia), e depois até aos reinos escondidos no pólo norte, moradia dos povos amarelos.

No final tudo termina bem. E o Carter finalmente beija a esposa depois de 22 anos tentando (20 anos entre o 1º e 2º livro, 1 ano no 2º, 6 meses entre o 2º e 3º, e imagino que mais uns 6 meses no 3º). E o filho dele arranja uma namorada.
Infelizmente os marcianos verdes quase não aparecem. E nos livros seguintes aparecerão menos ainda. Pena.

No final, foi um livro melhor que o 2º. Menos cenários impressionantes e personagens novos. E os marcianos amarelos nem foram tão desenvolvidos assim, acabando sendo vilões meio genéricos, mas o excesso de luta e fuga do 2º realmente estava incomodando. Se você passar pelo segundo pensando em não chegar no 3º, pode dar uma chance. Melhora.

Mas agora vou dar uma parada. Vou ler alguma FC mais recente, ou fantasia, ou talvez até um livro sério. É que o enredo do 4º livro envolve o filho do Carter e a Thuvia... adivinhem? Sendo seqüestrada! Ai, ai... Essas mulheres de Marte precisam de guarda-costas urgentemente. E olha que a Thuvia é mais safa que a Dejah. Se eu ler os 11 livros em fila vou terminar me chateando.

E só para terminar, links com capas. Um com a arte limpa das da Del Rey (bizarramente divertidas, daí minha preferência por elas) e outro, com estas e muitas mais.

John Carter of Mars Covers by Michael Whelan
Mars book covers: Science Fiction & Fantasy

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domingo, 25 de março de 2012

The Gods of Mars

Primeiro as boas notícias: "Os Deuses de Marte", de Edgar Rice Burroughs, deve sair em português no começo de abril e a continuação, "O Comandante de Marte" (The Warlord of Mars) já no mês seguinte. Informação tirada do Facebook da Aleph.

Agora a notícia +/-: com o lançamento do filme e relançamento do livro "Uma Princesa de Marte", a capa mudou!! Pena, a capa original era muito bonita, com alto relevo e tudo. Seria legal continuarem no mesmo padrão. Mas imagino que agora o 2º e 3º livro seguirão o padrão sem-graça novo. O consolo é que a capa do livro NÃO é o poster o filme. Um grande alívio.

E infelizmente, agora a notícia ruim: o livro não é bom. Das 180 páginas, as primeiras 100 são de porrada e fuga, seguidas de porrada, luta e fuga. E novamente mais luta e fuga. E aí... Eles fogem novamente e se preparam pra lutar. E finalmente começa a história. Mas aí o Carter é feito prisioneiro de novo, foge e parte pra luta.

É... baita maldade descrever assim, talvez até um pouco de exagero, mas estejam preparados: é muita luta e fuga!
Ah, e muita paixão. Com exceção de uma, todas as mulheres do livro se apaixonam pelo sujeito. [ok, são só duas! mas no livro inteiro acho que só há 4 mulheres - e uma é a vilã e outra é a esposa]
[opa, 5! lembrei que a Sola faz uma pontinha]

E acabei de me tocar que como li no ebook, eu não percebi se esse livro era mais fino ou grosso que o original. Achei que era mais fino, o que explicaria a história menos "densa", mas não... Bizarramente ele é mais longo que o primeiro. Haja lutas e fugas!! [estou tomando como base as edições Del Rey: livro 1 e livro 2]

A história é de 1913 (lançado em forma de livro em 1918) e parece que o Burroughs aproveitou o tempo pensando em novos ambientes, personagens e novos povos, legal!, mas fiquei com a impressão de que ele não sabia o que fazer com tudo isso. Obviamente a impressão é falsa, dada a época do livro ele deve ter feito exatamente o que os leitores juvenis de então queriam: um sujeito machão, bom de briga, estrategista nato, irresistível para as mulheres, num ambiente fantástico, com um enredo meio Guerra Civil + índios, e tecnologias estranhas. O mérito do Burroughs [e aqui eu ressalvo minha ausência de pesquisa sobre o tema, vulgo: chute!] é que ele talvez tenha se adiantado, já que Doc Savage, O Fantasma, e outros heróis pulps +/- no estilo vieram uns 10/20 anos depois. Claro, outros escritores foram a influência do ERB, mas quem hoje lembra do "Gulliver de Marte"? [eu também não lembro, acabei de descobrir isso]
[se bem... eu devia ter lembrado dele sim, ele aparece no começo do 2º Liga Extraordinária, é o cara num tapete voador em Marte]

Mas mesmo contextualizando, não muda o fato de que nasci na segunda metade do século XX. Quando aprendi a ler essas histórias já tinham mais idade que meus avôs; então não é possível se desligar totalmente.
Uma Princesa de Marte, por exemplo, eu gostei, e nem achei que Dejah tão desamparada e boboca como muita gente achou. Mas de repente foi meu cérebro distorcendo a minha visão um pouco, para algo mais atual. Neste ele não conseguiu.

Resumindo rapidamente a história: quem leu o 1º livro ou viu o filme sabe que, no final, o cara vai parar na Terra de volta (de formas completamente diferentes, mas ok, termina igual), passa um bom tempo tentando voltar acaba e conseguindo (de formas completamente diferentes, mas ok também). Aí começa o 2º livro.
Ele volta, mas foi parar num outro canto de Marte (lá pelo Pólo Sul), onde é inicialmente perseguido por homens-planta-bebedores-de-sangue e acaba conseguindo a ajuda de um outro marciano que arranjara o mesmo problema.
Escapam, mas vão parar na base dos marcianos-brancos de onde precisam fugir (para quem viu o filme: são os carecas!, que não apareciam no 1º livro), mas acabam sendo pegos no meio de um pega-para-capar entre estes e seus inimigos mortais: os marcianos-negros (no próximo filme, talvez?). OBS: ambos tem aparência humana, ao contrário dos verdes.

Os Brancos vivem em bases na montanha, os Negros em bases subterrâneas. Ambos extremamente religiosos (sendo que no caso dos negros, a própria deusa vive lá com eles) e consideram que os marcianos de outras cores são lixo que eles podem usar para escravizar, se divertir ou comer. E o Carter acaba sendo feito prisioneiro destes também. E fica o livro todo reclamando achando que vai morrer sem rever a esposa.
Se o filme chegar a ser feito, devem ficar cenas espetaculares, bases subterrâneas, mares escondidos, submarinos, templos e jardins.

Bem, obviamente ele foge, caso contrário não existiriam 11 livros (se bem que vários não são com ele) e quando finalmente ele chega em casa, depois de fugir de toda essa galera...

SE NÃO QUISER SABER MAIS, PULE PARA O ÚLTIMO PARÁGRAFO:

... descobre que a esposa não está lá - ela agora é prisioneira do mesmo pessoal! Que coisa!
E, só de sacanagem, o regente temporário, que é de Zodanga, ainda tenta um golpe de estado. (eu já esqueci um pouco do 1º livro, então não sei agora se no filme aquele sujeito é esse e adiantaram esta parte do enredo, ou se é outro zodangano aprontando). Mas é isso. Aí ele vence todos e no final fica com a mocinha.

Na verdade, não fica não... a história termina um pouco em aberto, quem começar o 2º livro vai ter que ler o 3º.

ÚLTIMO PARÁGRAFO:

E quem quiser ler logo, o livro é gratuito para download em inglês.
Eu não gosto de não ter o livro em papel, mas ainda estou na esperança de alguma editora (a Aleph?) relançar tudo, ao invés de ter que comprar antigas edições em sebos pela Amazon. Como só os 5 primeiros livros entraram em domínio público, ninguém relança os 6 seguintes.
Só a Disney relançou tudo, mas me recuso a comprar essas edições com capas de livro infantil (e quem é a BRANQUELA na capa do 2º? são ETs vermelhos!!) Mas além das capas, no 1º livro falta a introdução original. Falha grave. Sou mais comprar as Del Rey de 30 anos atrás. Ou esperar mais um pouco...

ATUALIZAÇÃO: li o terceiro livro já, mas para não ter que ficar alterando cada postagem de cada livro da série cada vez que ler mais um deles, padronizarei da seguinte forma:
Clique no marcador John Carter abaixo para resenhas dos demais livros da série.

domingo, 20 de março de 2011

Uma Princesa de Marte

1911! Cacete, eu li o livro sabendo que era velho, mas achei que era algo lá dos anos 30... Algo ligeiramente pré-Campbell. Mais um pouco e era da época do H.G. Wells. [e na verdade, é. A Máquina do Tempo foi escrita em 1895, mas ele ainda escreveu muita coisa no séc. XX]. Mas vamos lá.

Título original: A Princess of Mars
Autor: Edgar Rice Burroughs
Editora: Aleph  --  Páginas: um pouco menos de 300
Ano livro / história: 2010 (1ª edição) / 1911
Acabamento: muito bom, páginas em tom meio amarelado e capa com alto relevo.

Resumo: após a guerra civil americana, soldado sulista é misteriosamente transportado para Marte, onde primeiro precisa ser aceito por uma tribo de violentes marcianos verdes, e depois lutar para proteger uma princesa feita prisioneira.

O enredo é basicamente a de um homem branco numa tribo indígena, e que depois encontra uma cidade de europeus. Ok, os índios são verdes, tem 3 metros de altura e 4 braços, mas tudo bem. Em Avatar os "índios" são altos e azuis. Os "europeus" são marcianos de qualquer jeito, mas são culturamente mais próximos de nós. Detalhe, eu não consegui imaginar a montaria dos ETs do livro, então aproveitei que eles tinham 6 membros e me lembrei dos "cavalos" do Avatar com 6 pernas. Não deu outra, usei os cavalos de Pandora no lugar dos corretos. Que no começo do livro eu fiquei com a sensação de terem uma aparência meio ave, mas imaginá-los montando "avestruzes" à lá Rango ficou pior.

De ficção-científica... Bem, há menções no livro à tecnologia mais avançada, principalmente as "pranchas" e barcos voadores, mas no geral, a única tecnologia são espingardas. [não disse? velho-oeste!]

E a história vai seguindo, um enredo sem complicação, quase simplório, mas extremamente agradável. Começa mostrando a conquista de confiança e entendimentos dos costumes, e depois o complicado romance do John Carter com a Princesa do título. O planeta em si me lembrou bastante a Marte do Stanley G. Weinbaum, ou mesmo Crônicas Marcianas do Bradbury. Mas principalmente o primeiro, pelas ruínas encontradas várias vezes ao longo do livro.

Podia falar mais dos acontecimentos, mas é legal ler sem ficar esperando "quando vai acontecer aquilo que eu sei que vai acontecer?", então paro por aqui de comentar a história. Eu mesmo, fora saber da existência e que um amigo odiou o filme barato feito sobre ele e sempre me mandou manter distância [não o filme ridículo de 2009, e sim um dos anos 80, que como não consegui agora descobrir qual era estou com a impressão de que o filme na verdade não tinha relação alguma com o livro, fora ser em Marte e ter uma princesa], nada mais sabia. Até esquecera que era o mesmo autor de Tarzan.

A história começa devagar e depois dá uma acelerada. Eu comecei a ler este livro fugindo de outro e no começo achei que a história estava enrolando. Mas quem começar e achar o mesmo, continue, toda a ambientação anterior serve para depois, no meio de história você já se sentir em casa. Foi a primeira coisa que li do Burroughs, não sei se esse é o estilo dele. Ou simplesmente estava tão a fim de ler algo bom (ao contrário do que eu estava lendo, resenha em breve) que talvez estivesse impaciente. É bem provável.
[atualização, terminei de ler o tal livro ruim que estava lendo, quem tiver curiosidade, resenha aqui]

John Carter é aquele herói de histórias antigas. Cavalheiro e mais forte e esperto que todo mundo. É uma espécie de Fantasma ou Flash Gordon. Mas os personagens secundários (uns 4) não chegam a ser sem profundidade alguma. Dá para gostar ou 'acreditar' em todos eles. E a Princesa foi surpreendentemente bem caracterizada; é uma dama da corte, mas geniosa e de opinião própria, não uma acéfala que fica dizendo "Ooohhh... meu herói!" que era meu medo pela época do livro.

Acho que não há planos da editora lançar todos os 11 livros do universo marciano do Burroughs ("Barsoom series", se alguém for atrás no Google). Creio que este livro só foi lançada porque na época do Avatar (mesma época do lançamento do livro), circulou que o livro fora a inspiração do James Cameron.
E as histórias se parecem um pouco mesmo. Se alguém se interessar mas quiser poupar, tanto este como algumas das continuações já estão em domínio público (em inglês, aqui), vocês podem baixar e ler gratuitamente que não será pirataria (lembrando que isso vale para o texto ORIGINAL, novas traduções não são o texto original, então piratear o livro da Aleph não está valendo, seu safado!).

Falei dos cavalos lá em cima, então falemos um pouco mais das aparências.
Uma coisa que eu nunca sou bom é com descrições. Quando eu li O Hobbit, o Tolkien começou o livro sem dar uma boa imagem e, com base no desenho desfocado da capa (da primeira edição da Martins Fontes), eu passei o livro inteiro os imaginando com uma aparência beirando os Muppets. Isso aconteceu com os ETs verdes do Princesa... Depois de alguns detalhes aqui e ali, que *não* me permitiram montar uma boa figura, desisti. Os marcianos na minha cabeça viraram J'onn J'onzz's de 4 braços. (para quem não liga o nome à pessoa, esse é o Ajax, da Liga da Justiça). Mas não usei a versão careca e musculosa, e sim a forma marciana original, mais magra e de cabeça bem pontuda. Só troquei os olhos também, da configuração humana para algo meio saltado e negro (tipo os ETs-cinzas-cabeçudos). E no meio do livro incluí 2 dentões, como de um tigre-de-dentes de sabre, mas apontando para cima.
E claro, coloquei tangas tipo Conan/He-Man em todos eles. Pela descrição do livro ficam todos peladões, mas bilaus de marcianos de 3 metros balançando para lá e pra cá não me interessavam nem um pouco.
Depois que eu terminei o livro, fui checar como eles se pareciam na Liga Extraordinária vol. 2, e até que a minha versão daria para enganar também.
A raça da princesa foi mais fácil, foi só pegar humanos e mudar a cor. Se bem que se você joga Dejah Thoris no Google, quase ninguém a fez na cor correta.

O Woola foi mais divertido. O meu ficou muito parecido com a versão que o Jon Favreau pretendia, mas com o desenho, e não a versão "final" de aparência pré-histórica. E o meu era peludo, como diz o livro. Mas a mesma cara meio engraçada e os olhos redondos no alto (tipo 'Caco, o Sapo' como o livro diz também).

Humm... Bem, é isso, eu fico querendo falar mais, fazer comentários inteligentes e perspicazes sobre a história, o escritor e contexto, mas uma hora acabam as idéias. Nem todo mundo nasceu para ganhar o Pulitzer como crítico literário. E o blog também não se chama "Resenhas literárias de um nerd sabido"... então tenho desculpa para ficar divagando sem rumo. E minha idéia também é só fazer recomendações falando um pouco do que eu achei e não resumir a história pela milésima vez como já reclamei em outro post. Quero que alguém na dúvida venha aqui e eu o ajude a decidir se lerá ou não, ou apenas esbarre no post e fique curioso. E claro, dar um pouco das minhas impressões (ao invés de apenas escrever "Nota X. Recomendo."), que é divertido e nem sempre existe a chance de ficar falando de cachorro-sapos peludos de 6 pernas. :-D

Eu recomendo e depois vou comprar as continuações. Mas vou esperar lançaram o filme de 2012 (John Carter of Mars), na esperança da editora se animar e lançar as continuações em português.


[ATUALIZAÇÃO 17/JULHO]: Já saiu o trailer do filme: Omelete / John Carter of Mars trailer 1. E sinceramente, achei uma bela m*. Vou ver o filme, claro, e provavelmente irei gostar, mas a roupitcha He-Man e a
Dejah Thoris parecer mais a De-Pé-Com-Punhos levemente bronzeada, incomodaram o suficiente. É provável que esteja de acordo com o pessoal tinha em mente na época que o livro saiu, como eu disse, o livro é basicamente um faroeste. Mas mesmo assim, não gostei muito. E na minha cabeça a sociedade marciana estava bem mais decadente do que as maravilhas tecnológicas que aparecem em cena. Mas é esperar para ver...

[ATUALIZAÇÕES 2012]:
1) O filme ficou bem legal.
2) Clique no marcador John Carter abaixo para resenhas dos demais livros da série.