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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

The Last Rites of Ransom Pride

Duração: 1h22min  --  Ano: 2010  --   Trailer / outro trailer
De: Tiller Russell (de nada interessante)
Com: Peter Dinklage. Isso mesmo, o Peter Dinklage! Eu disse PETER DINKLAGE! [Estou zuando o tom, claro, ele só faz uma ponta; mas acho que a única maneira de fazer alguém se interessar por este filme é falar que o Tyrion de Guerra dos Tronos está nele.] Falando sério agora...

Com: Lizzy Caplan (de Cloverfield - O Monstro e Hot Tub Time Machine), Dwight Yoakam (de Os Três Enterros de Melquiades Estrada, Bandidas e Adrenalina 2), Jon Foster (só filme ruim), Cote de Pablo (do seriado NCIS), Scott Speedman (o mocinho da trilogia Anjos da Noite), Kris Kristofferson (da trilogia Blade e... [eu estava olhando a lista de filmes deste cara, tentando lembrar onde eu o conheci e porque ele é famoso - porque a lista tinha muita porcaria - e aí o Wikipedia me ajudou: esse cara é um compositor de música country!, ser ator deve ser só um passatempo, então era daí que eu o conhecia!] [mas filme... continuo não lembrando qual o 1º onde o vi]), Peter Dinklage (de Vira-Lata, o Super Cão) e Blu Mankuma (de Mundos Opostos e do seriado Forever Knight [adorava essa série! e o texto do link está +/- errado, porque eu vi essa série foi é na TV aberta mesmo]).

A história: matam o pai da menina e a menina mata o cara que matou o pai. Anos depois, já adulta, o namorado da menina morre e ela promete a ele enterrá-lo na terra da família. Mas... o cara matou o irmão de outra sujeita (uma bruxa (?) mexicana) que não quer devolver o corpo. E temos a sujeita querendo se vingar da menina e vice-versa. O pai do namorado (que já foi matador e agora é pastor) querendo se vingar dela por ter descaminhado o filho. Um amigo do pai ajudando. E um anão no meio da história que também está se vingando de alguma coisa pelo jeito. E um militar aposentando. E gêmeos siameses moribundos.

Opinião: Esse filme estava na minha lista para ver a anos. Eu não lembro porque. Algo me fez ficar curioso na época. talvez tenha sido só a estética amalucada. Não sei. Provavelmente os mini-trailers de 20 segundos que saíram na época.

O filme é uma mistureba de paisagens legais e enquadramentos bonitos (apesar de eu não gostar da tonalidade usada) com a impressão que ter sido feito como um trabalho em grupo pra faculdade - mas tinha gente demais do departamente de arte e gente de menos na parte de redação.

E provavelmente alguém bem chato da parte de montagem, que não devia ter muito que fazer e insistiu em cortes abruptos que as vezes servem como flashbacks relâmpagos, e outras vezes só estão lá porque, pelo jeito, o cara precisava fazer alguma coisa para justificar o salário. Irrita depois de 10 minutos. Os tais cortes as vezes estão resumindo a cena que acabou de acontecer e que ainda lembramos com perfeição. Para que eu precisava de um resumo dela?

Sinceramente, se não fosse a atriz bonitinha [enquanto eu via ela me lembrou a que fez a Pekkala] eu talvez não tivesse suportado tanto tempo. Lá no começão, quando o filme ainda era só uma idéia, saiu um teaser com atores completamente diferentes e uma loirinha genérica como protagonista (mais um ponto a favor da minha teoria dele ser um tipo de projeto, e não algo perfeitamente planejado). Nada contra loiras que parecem ter saído de Coyote Ugly buscando vingança no México de 1911, mas... aquele trailer não inspirava nenhuma confiança. Os seguintes (tanto os longos como os de 20 segundos) foram mais divertidos e os atores pareciam finalmente terem sido escolhidos "direito".

Mas ainda é muita canastrice (exceto pelo Kristoferson, mas que aparece bem pouco), numa história bem rala, que é uma desculpa para vários tiroteios e a mocinha principal fazer cara de eu sou foda o tempo todo. Apesar da última cena dela ser uma luta de facas usando uma camisola das antigas, então a última aparição dela em cena nem é memorável. Mas o chapéu de maquinista dela é tao legal, dando um ar steampunk ao visual, que 10 minutos depois do filme você provavelmente só se lembrará dela desta forma. E no dia seguinte você nem mais lembrará do filme.

Bom para uma tarde modorrenta. Mas nem tanto, que se der sono, a preguiça falará mais alto e você preferirá tirar um cochilo. [foi exatamente o que aconteceu comigo, e eu optei pela soneca de meia hora. e só resolvi terminar o filme depois só porque eu realmente estava sem nada melhor para fazer - e se deixasse para ver outro dia corria o risco de nunca terminar].

E para ninguém falar que eu estou sendo mal com o coitado... Algumas opiniões de outros sites. [e eu juro que não induzi o Google, peguei as primeiras páginas que vieram colocando o nome do filme + "review"]

"A boring, one-dimensional film with an uninteresting plot" (Blog Critics), "falls well short of the mark" (Screen Daily), "what can go wrong? As it turns out; everything." (Cinema Blend) e, resumindo, "Well, it's a big pile of shit." (Den of Geek).

O pior é que a produtora desse filme começou com ambição (vide The Hollywood Reporter e Film School Rejects) [ah, a ironia...] como se fosse ser alguma revolução. Bem... Para cada história de sucesso há muitas de fracasso. Mais uma para pilha.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Transformers 4: A Era da Extinção

Eu nem ia fazer essa postagem. O filme não merece. Mas parece que ultimamente só tenho feito postagens longas e quando eu gosto de algo. Hora de voltar a fazer valer a parte ranzinza do título dessa bagaça.

E porra, que filme merda! [desculpem os termos, mas é a forma mais rápida de resumir toda a situação] Eu tinha esperanças. Achei que iam deixar de lado a parte mais infantilóide e dar um rumo decente. Não ia virar um drama oscarizável, claro, mas não ser vergonha alheia, do tipo que pré-adolescentes, depois de ver, renegariam, para não ficar mal entre os amiguinhos (mas todos teriam visto, claro) que foi esse.

Fiquei feliz só de pensar que os carros caipiras do 2º ou 3º filme estariam mortos nesse. E aí me colocam um robô usando saias! Outro samurai, com mais expressões faciais que os atores humanos! E o robô vilão tinha a cara do Esqueleto (vilão do He-Man)!

Tem horas que eu fico feliz em ver um filme sem história e muitas explosões. Mas precisa ser bem feito. Eu até me diverti com a porradaria do Líder Optimus no 3º filme. Ele puxando uma espada. Ele usando uma escopeta! Mas tudo tem limite... e esse filme não teve. Foi criado por uma criança sem noções de bom cinema. E eu não sabia que o filme tinha TRÊS HORAS!!

Bem, foi melhor que o segundo filme e sei que verei o quinto quando sair. Mas foi muito ruim. É até bom estar postando alguns dias depois de ter visto - no calor do momento eu teria muito mais reclamações, mas agora já estou de bom humor. [mas ficar relembrando o filme não está ajudando] Por falar nisso, cacete!, quer fazer a droga do robô vazar óleo para parecer sangue, OK!!!, mas não me faça a droga do ROBÔ tossir e babar!

Se der na telha depois eu coloco o cartaz na postagem, para manter a tradição. Talvez. Mas esse filme não merece nem uma postagem bem feita.

Um link para o Rapadura pelo menos, que também não gostou, mas sabe explicar que o filme é um fiasco com argumentos e boa educação: Tiro, porrada, bomba e tédio.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Malévola

Nome original: Maleficent
Duração:
1h37min  --  Ano: 2014  --  Trailer
De: Robert Stromberg (primeiro filme que ele dirige)
Baseado em: A Bela Adormecida, da Disney
Com personagens +/- de: Charles Perrault e Irmãos Grimm.
Com: Isobelle Molloy [muito fofinha], Angelina Jolie (de Hackers - Piratas de Computador, O Colecionador de Ossos [é o filme que notei a existência dela], Tomb Raider e Sr. & Sra. Smith), Elle Fanning (de Compramos Um Zoológico e The Lost Room) [minissérie bem legal], Sharlto Copley (de Distrito 9, Esquadrão Classe A e Europa Report) e Sam Riley (de Na Estrada).

Eu sei que estou virando um velho sentimental e babão [mesmo continuando ranzinza], mas não aceito discussões neste caso: esse filme é uma das coisas mais fofas (se não for a mais) dos últimos tempos. E quem falar o contrário está errado. Sem papo que é tudo uma questão de opinião. Errado e ponto.

Não quero nem imaginar a quantidade de maquiagem ou efeitos especiais para deixar a Angelina com aquela cara lisinha e sem rugas, mas ela está fofíssima também. Até a Aurora, que é meio mongolzinha, não compromete em nada. É fofa. É tudo fofo! E eu sou o tipo do cara desalmado que não gostou nem de Goonies, nem daquele filme da Jennifer Connelly que tem gnomos e um cantor, e nem daquele filme que o garoto voa num cachorro com corpo de dragão chinês. Precisei ir no IMDb e jogar "dragon dog movie" no Google - os filmes são Labirinto e A História Sem Fim.

Eu só mudaria uma coisa... Que era para deixar a história um pouco mais paralela à "versão oficial dos fatos". E agora vem spoiler. Pule o bloco a seguir se não viu o filme.


SPOILERS COMEÇAM AQUI:

Eu teria matado a Angelina. Não a faria virar má de repente (até pensei que o filme faria isso) [e quem acompanha o blog, se é que existe, deve lembrar de meu trauma com a verdadeira mocinha do Oz], mas depois de tudo que aconteceu, se acontecesse algo um pouco mais dramático ali, ainda teria encaixado. Eu teria feito tudo igual, até a luta final. Aí criaria alguma situação para ela não só matar o rei, mas morrer salvando a princesa. O famoso "sacrifício final", "a maior prova de amor" e essas coisas. Claro, com um sorriso nos lábios de quem morre sabendo que fez um bom serviço.
E depois disso teríamos todas as cenas seguintes, com a narração, a coroação no mato, o príncipe, tudo igual, mas ao final, ao invés de termos a Angelina voando, veríamos (talvez imensa, digna de uma rainha, e no meio da floresta mágica) a lápide!

Trágico, mas de uma forma fofa. Mas ok, eu sei que minha mente é um pouco mais negra que o normal. Agora voltemos a nossa programação sem spoilers.

Ah, e claro, do meu jeito, um eventual bardo que ouvisse a história de terceiros, poderia perfeitamente criar a versão em que a bruxa má foi morta pelos valentes soldados que protegiam o rei e salvaram a princesa, sem precisar mentir descaradamente. E do ponto de vista de um soldado raso, teria sido exatamente o que aconteceu.

SPOILERS TERMINAM AQUI.


Outra coisa que eu talvez mudasse, e que não é spoiler, foi a tradução do nome do personagem Diaval. Se você não sabe inglês [ok, ok, hoje em dia "todo mundo" sabe, mas mesmo assim...] você pode deixar passar o trocadilho com a palavra devil (demônio),  que por sua vez é uma adaptação do "nome original" (isto é: o nome Disney) do personagem, que era, "sutilmente", Diablo. Sei lá, em português o caminho diabo, diabal, Diaval não pareceu linear o suficiente. [estou agora curioso em saber como é o nome dele na dublagem] O trocadilho em si não faz falta, o que eu achei legal foi a referência ao original.

E o filme é cheio destas rápidas referências, como a terceira fada que não concede nada à garota, por exemplo. O filme ficou um revisionismo histórico bem legal. Só que a "bela adormecida" dormiu tão pouco no filme, que duvido que ela ficaria famosa por este motivo lá no reino.

ATUALIZAÇÃO: pouco depois de terminar a postagem descobri porque fica tão destacada a cena da fadinha não ter dado o 3º dom para a menina. O plano inicial do filme era mesmo ter seguido o enredo da Disney, de ser o presente dela que não faria a Aurora morrer ao espetar o dedo. Então, por mais que no filme tenha ficado estranho a fada verde não ter dado nada (que eu achei que era só uma piadinha à toa, ao invés de ter sido uma cena cortada), sinceramente, gostei mais da solução do filme.
Porque (um último spoiler antes de continuarmos) esse papo de "amor à primeira vista" ser amor verdadeiro é complicado. No desenho animado original era ainda mais bizarro, porque o cara só via a mulher dormindo. Gostei do beijo do príncipe não ter dado em nada e ele mesmo ter dito pras fadas "Mas, cacete, eu só vi a sujeita UMA única vez!". Se bem que, como a postagem acima diz, explicaria melhor a questão da... vamos dizer... "hora em que tem uma luta entre chamas verdes e amarelas" não ter dado em nada.

Bem... E é isso.

Ah, tá, a história.... Humm... Fadinha boazinha [e alguém me explica, porque diabos os PAIS da menina a batizariam de Malévola?? A Fada-Mãe morreu no parto e a Fada-Pai ficou com raiva da recém-nascida? Bem... pelo menos não darem explicação alguma foi melhor do que ela começar o filme se chamando Benévola e depois termos uma cena do tipo "A partir de agora... Meu nome é MALÉVOLA. HAHAHAHAH"] Mas voltando ao assunto... Fadinha boazinha [relendo a postagem, acho que a minha descrição é spoiler também, então vou esconder quase tudo. Veja o trailer no alto, escolhido propositalmente por ser o único que não estraga cenas do filme, e seja feliz] namora garoto pobre. E como todo garoto pobre medieval, ele quer ser um cavaleiro, um nobre... Rei então? Putz! Já é! E aí  ele apronta feio com a Fadinha (agora já um mulherão).  Ela fica puta e amaldiçoa a filha dele. E aí...

E aí é a graça do filme. Então eu paro de contar. Na verdade, o filme já estava bem legal desde o começo. Eu disse: é um filme todo fofo. Não sou fã de seres mágicos com cara de brinquedo, mas eles aparecem menos de 2 minutos em cena e estavam legais. Por falar nisso, adorei os bichos perto do final, que pareciam um misto de beija-flores gigantes e tatus (!?). Também não fiquei grande fã das 3 fadas madrinhas, mas elas não comprometem em nada. O príncipe então, teve sorte de ter falas no filme. Mas também ficou fofo. E o reis malignos (que não eram fofos) pouco aparecem, então só sobrou cena fofa, fofices e afins. São duas horas de fofura non-stop. Podem ver. [ok, tem 30 segundos de uma cena triste, mas é rápido e, logo depois, a Angelina é tão charmosa que até com raiva ela é uma graça]

E como eu sempre gosto de colocar opiniões contrárias (o que foi fácil de achar para Malévola, muita gente não gostou) [nem o Screen Rant, com quem eu costumo empatar], vamos lá. Achei duas, de um mesmo site, que achei interessantes. Fiquemos com elas:

Badass Digest (1): Maleficent will test the patience of all but the most stultified moviegoer. (esculhamba o filme de todas as formas, mas tem bons argumentos)

Badass Digest (2): (...) a good Maleficent movie would let Maleficent be wicked.
(que relembra algo que, durante o filme, eu também fiquei curioso: o que a Malévola fez para passar o tempo nos 16 anos entre a maldição e a espetada de dedo? Teria sido legal vê-la malevolizando por aí) [mas isso estragaria toda a missão da Disney de nos fazer gostar da personagem] [e na verdade, fora vestir preto, ter um trono, e a maldição em si, não a vemos sendo malévola]

PS: mas o Omelete (nem tanto) e o Rapadura gostaram. Acho que nós brasileiros somos um povo mais... fofo.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Noé

Nome original: Noah
Duração: 2h18min  --  Ano: 2014  --  Trailer
De: Darren Aronofsky (de Cisne Negro e Fonte da Vida)
Com: Russell Crowe (de Gladiador e Mestre dos Mares - O Lado Mais Distante do Mundo) [pena nunca terem feito as continuações, adorei este filme], Jennifer Connelly (de Labirinto, Rocketeer, Réquiem Para um Sonho e Cidade das Sombras), Ray Winstone (um dos anões no Branca de Neve e o Caçador e o Sweeney Todd na versão para TV), Anthony Hopkins (de Nunca Te Vi, Sempre Te Amei, mais conhecido atualmente como o Dr. Hannibal Lecter ou Odin), algumas crianças e suas versões adultas e Emma Watson (de Sete Dias com Marilyn e As Vantagens de Ser Invisível, ah, quem eu quero enganar, é a Hermione e pronto!). [e todos com nomes bíblicos muitos legais]

A história: homem traumatizado tem pesadelos e, após consultar-se com um eremita louco, resolve plantar feijões mágicos para, com ajuda de gigantes de pedra, três crianças, um bebê e sua esposa gata, construir um barco e fundar o Greenpeace.
[desculpe, mas se você não sabe quem é o Noé, veio ao lugar errado para aprender]

Agora, vamos ao que interessa: reclamar e elogiar. OBS: com spoilers, por assim dizer.

Ô gente chata! Não sei porque todo o mimimi com esse filme. Ateus babacas [obs: nem todo ateu é babaca, o que eu quero dizer é: "ateus, e dentre eles, os que são babacas"] que não querem ir porque é da Bíblia e eles não acreditam nela, eu até entendo (mas não concordo, porque isso não faz sentido algum) [nas sábias palavras do Rapaduracast: "O Aragorn também não é de verdade!"]. Mas até os religiosos? Ah, porra! Vão se catar! Tinham mais é que gostar de alguém estar fazendo filme bíblico (*) [acho que o últimos que vi foram "Príncipe do Egito" e "Moisés" com Charlton Heston] e não ficar tendo ataque de "Mas não ficou igual à Bíblia", "Mas não foi assim!"...

Galera, também NÃO FOI igual está na Bíblia. Na verdade, NEM FOI! Aceitem: a Bíblia é um apanhado de contos e parábolas, para passar lições de moral e religiosidade. Algumas das lições são bem duvidosas, mas não entrarei no mérito. Procurem algum estudioso do Cristianismo e eles te dirão isso! Não é chatice minha. Grande parte do que está na Bíblia são adaptações de outras lendas mais antigas, retiradas de ouras religiões, porque o Cristianismo, para crescer e difundir-se, também precisava de marketing! [e claro, tem aqueles outros estudiosos que dizem que 100% da Bíblia é isso, inclusive todos os personagens principais. Mas também não entrarei neste mérito.]

(*) OBS: na verdade, são feitos filmes sobre cristianismo num ritmo maior do que as produções baratas e ridículas do SyFy, mas, infelizmente, com a mesma qualidade. Quando eu digo que não fazem filmes bíblicos eu quero dizer filmes BONS! E sim, digo "infelizmente" porque mesmo achando que é tudo mitologia reciclada, ainda assim daria pra fazer bastante coisa legal com aqueles personagens e tramas. E querendo ou não, eu sou ocidental, então cresci com a influência destes personagens aqui e ali, em todo lugar. O problema é que todo mundo fica querendo fazer coisas adocicadas, maniqueístas e respeitosas, ao invés de lembrar que o marketing e estilos de narrativa que funcionavam no ano 1.000, lá no séc. X, não funciona mil anos depois! E nesse aspecto, o Noé do Aronofsky dá mais certo hoje do que ler o Noé como está nas, perdoem meu sarcasmo, "escrituras sagradas".

Ou, nas palavras de Neil Gaiman, que é muito mais conciso do que eu: “We have the right, and the obligation, to tell old stories in our own ways, because they are our stories.”

Mas e porque os religiosos mimimentos me irritam? Porque eu, que sou um cético de nascença, pagão por vocação, e implicante por natureza. Vi, gostei, e aí... Fiquei curioso em saber o que aconteceu com os personagens depois daquilo. E vocês sabem onde está a continuação da história? Vocês sabem? VOCÊS SABEM!? NA BÍBLIA, cacete!

O filme fez um herege ter vontade de ler a Bíblia! Se o diretor não merece um tipo de "Oscar do Vaticano" pelo filme, esse mundo está muito errado.

Claro, não vou fazer isso, porque entre ler a Bíblia ou mais uma ficção científica, eu prefiro a segunda. Outro dia li no Skoob, justamente na página da Bíblia, uma frase fenomenal em sua concisão sacana e humor ácido. Merecia virar adesivo para carros: "Ficção por Ficção, prefiro Harry Potter". HA! É por aí! Mas não tira o mérito do filme. Na verdade, o principal motivo de eu não ir na Bíblia e dar uma lida no que aconteceu com a família de Noé é só porque já fiquei sabendo que, na versão oficial, boa parte daquilo foi diferente e que todos os filhos tinham suas próprias esposas - e minha curiosidade principal foi saber se o filho careca tinha encontrado algo andando pelo mundo e se voltou depois e casou com alguma das sobrinhas.

Agora vamos à alguns comentários mais rápidos...

A cena da montanha, com as pessoas tentando escapar do dilúvio, ficou muito legal. Parecia um daqueles quadros religiosos mais antigos. Mas que não vou dar nenhum exemplo, porque não sei os nomes dos pintores dos quadros que estou lembrando. [e jogar "pintura religiosa" no Google seriam horas e horas de buscas infrutíferas]

O cão-pangolim no começo do filme ficou bem legal. Ao contrário da casquinha de cobra, que foi a única coisa que eu mudaria no filme. Qual era a utilidade do couro brilhante, por falar nisso? Aproveitando que estamos falando dos animais, o filme perdeu uma boa chance. Mas que ficaria meio humorístico se tivessem feito, então é óbvio que nunca ia rolar: na hora que o vilão mata um bicho na arca, para atrair o Noé para uma armadilha (bicho que a partir dali não teriam 2 e seria o fim daquela raça), o bicho podia ter sido um unicórnio!

Por falar nisso, uma implicância minha com o filme é uma certa lerdeza dos personagens. Eles ficam na arca uns nove meses [ou mais] confinados... eu, ali, por puro tédio, passaria o tempo andando por cada centímetro. Em suma: ninguém esbarrou num velho manco esse tempo todo?? E a Hermione, em terra, levou vários meses pra conseguir pensar no argumento de 3 linhas que tirou o Noé da fossa!

Ah, e uma outra reclamação das pessoas em geral são os "monstros de pedra" (anjos caídos, na verdade). Eu achei que ficou muito bom. Só achei que eles não precisavam ter expressões faciais tão claras e carinhosas (no caso do "monstro" principal), podiam ser ainda mais pedregosos e sem rosto mesmo. Mas a maneira do diretor de colocar anjos ajudando (que é algo que está na Biblia, pipocas!, mesmo que não seja na parte sobre Noé) achei muito boa. E ainda deu mais "realismo" na construção da Arca, porque, do jeito que a igreja conta, o sujeito nunca ia conseguir. Mas já... com gigantes mágicos de 3 braços e super-fortes dando ajuda... Aí, até eu!

O trailer (que acabei de rever) é bem pilantra quanto a isso até. Pelo jeito os produtores notaram que as pessoas implicariam com eles e, no trailer, eles NÃO aparecem. No filme, quando o Noé diz que não está sozinho, você é induzido a achar que o sentido é "Deus está comigo!". Mas no filme, nesta cena, os gigantes se levantam de forma ameaçadora! E na cena do Matusalém enfiando a espada no chão e jogando fogo na graminha (o que não faz nenhum sentido no trailer), no filme vemos a cena completa, com um exército correndo e atacando justamente os tais gigantes. Malandros.

Ah, e elogio final, para fechar a resenha em grande estilo: Jeniffer Conelly! E tenho dito!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Warrior Wolf Women of the Wasteland

Autor: Carlton Mellick III (de livros como Satan Burger, The Cannibals of Candyland, The Haunted Vagina, I Knocked Up Satan's Daughter, Adolf in Wonderland, Cuddly Holocaust,e outros, muitos com títulos ou capas bem mais provocadores*)
Editora: Eraserhead Press  --  Páginas: 300
Ano: 2009  --  Tamanho: padrão (meia folha A4)
ISBN: 978-1-933929-92-7

* Quanto às capas, desde que começaram a ser feitas (ou relançadas) com a arte do Ed Mironiuk, passaram de assustadoras para até "fofinhas". Eu gosto delas, mas ao passo que alguns livros perderam capas bem artísticas (exs.: War Slut, Fishy-fleshed ou até o The Haunted Vagina), outros eu até pensaria duas vezes antes de comprar se ainda fosse a capa original (exs.: The Menstruating Mall ou Satan Burger). Vejam algumas delas, antes e depois, aqui.

Devaneios estéticos à parte, vamos ao livro em questão.
O que temos é uma espécie de Mad Max com garotas lobisomens! Ou, nas palavras do autor: "Did I just write a fucking Furry book?".
E posso dizer, foi uma excelente surpresa de ano novo! [na verdade, eu terminei esse livro ontem, mas resolvi colocar a data como dia 1 para o blog começar o ano bem]

Eu tenho lido vários livros do gênero "bizarro" ultimamente. Descobri o estilo e estou experimentando os autores e suas maluquices. Mas por causa de algumas reviravoltas extremamente exageradas ou idéias boas com desenvolvimento ruim [principalmente contos] eu estava com receio de me decepcionar com esse livro. Aquela enrolação para finalmente lê-lo pois poderia não atender as expectativas e, no final, a capa e o nome serem as melhores partes, com o miolo não sendo tão bom quanto o conceito.

Estava enganado! Eu tinha medo de que as lobas seriam só coadjuvantes, mais um detalhe do que personagens, um mero algo a mais numa avalanche de escatologia, descrições sexuais e outras anormalidades. Coisas comuns nessas histórias. Felizmente ficou só no medo mesmo. O livro foi uma absurda e divertida aventura pós-apocalíptica, com romance, críticas sociais, crescimentos pessoais, redenção e muita ação. Tudo envolvendo mutantes, uma corporação do mal e mulheres-lobo usando metralhadoras e machados dirigindo motos! [yay!]

Ainda tenho vários livros no gênero para ler e alguns com grandes expectativas.
Esse livro renovou minha fé.

Do que se trata, então, esse Guerreiras Lobisomens das Terras Devastadas? [tecnicamente, "lobisomem" não tem feminino. Mas "Mullheres-Lobos Guerreiras..." ficaria pior - e wastelands é complicado traduzir, mas se terras devastadas foi bom o suficiente para o Stephen King, é bom para mim]

// Aviso pós-postagem escrita: me empolguei um pouco e digitei para cacete! Mas sejamos sinceros, e deve ter sido isso que rolou no meu subconsciente: a minoria que parar aqui e ler essa postagem comprará o livro na seqüência. Ou na verdade já leu. No 2º caso eu posso dar qualquer spoiler, e no 1º quanto mais eu falar, mais vocês se divertirão ou ficarão curiosos! Então... sentem que lá vem texto! //

Premissa: Houve um apocalipse econômico! Os governos caíram, os militares debandaram, os ricos ficaram pobres e os pobres ficaram violentos. E quando não podia piorar, católicos extremistas conseguiram por a mãos em armas atômicas e resolveram destruir todas as cidades com pecadores. No meio do caos, apenas o McDonald's sobreviveu à tudo. [pô, se ainda fosse o Bob's...] [se bem que o Bob's caiu no meu conceito quando pararam de vender hamburguer - você precisa pedir um cheeseburguer sem queijo!, e ser cobrado pelo valor total]

Com o mundo em desordem e sem ninguém para impedi-los, eles reúnem os sobreviventes que acharam e fundam sua pacífica cidade chamada McDonaldlândia.

Religião: Uns 30 anos depois, achando ser melhor para os negócios e para a sociedade criada, eles proíbem todas as religiões a fundam a própria, baseada numa mistura de cristianismo e islamismo (como o hábito de rezar 5 vezes ao dia e algumas mulheres terem que usar burca - mas neste caso, há uma razão não religiosa que falarei em breve), e com seus personagens ocupando o lugar das deidades de ambos: o Ronald McDonald é o novo messias, o Prefeito McCheese o novo deus, Hamburglar o novo diabo, e os Fry Guys são os novos anjos.

Apesar de eu detestar o McDonald's e mais ainda esses personagens ridículos [que graças a deus não vingaram no Brasil], saber quem eles são dá uma pequena ajuda.

Governo: todos na cidade trabalham de alguma forma para a Abençoada Corporação McDonald's, que é ao mesmo tempo a igreja, o governo e a única empresa.

Os policiais são chamados de Fry Guys (caras da fritura?) - e até este momento achava que eles usavam uniformes felpudos por causa da garota pássaro. Faria sentido também ser o termo para os anjos, já que é a personagem com asas. Nunca tinha visto esses "pingos com pernas" do McDonald's antes. Mais um personagem detestável para a lista.

A cidade-estado, aproximadamente do tamanho de Salvador e toda pintada de vermelho e amarelo, é cercada com muros 90 metros para proteger os cidadãos da desolação do mundo externo que, além de ruínas, inclui imensos animais selvagens e perigosas gangs de mulheres lobisomem.

Lá também é proibido o consumo e fabricação de qualquer tipo de alimento que não sejam as McRefeições. E você não pode pular nenhuma das refeições obrigatórias.

E aí, finalmente, a última sessão desta explicação antropológica desta sociedade futura:

Saúde: Raramente alguém vive mais que 50 anos e a maioria é obesa. E anos e anos de fast-food, vacas geneticamente alteradas e novas químicas começaram a causar mutações na população. Homens começaram a ter membros adicionais (outro braço, um novo par de pernas, etc) e mulheres, ao entrarem na vida sexual, começam a virar lobos. Por sorte, não basta ter a primeira menstruação, elas só sofrem transformações ao terem orgasmos. E só neste momento. Se a mulher transar 1 só vez e nunca mais, ela vai ficar parada naquele nível de transformação. [eu posso ter feito vocês pensarem uma coisa errada falando "lobisomem" toda hora. A transformação é fixa e gradual, não tem volta e nem tem relação com a lua cheia. mas vou continuar usando esta palavra mesmo assim]

E como ninguém quer que mulheres virem feras assassinas andando pela cidade, sexo fora do casamento e masturbação também são crimes capitais. E, mesmo no casamento, você precisa pedir permissão para o sexo (apenas para fins de reprodução), para limitar a quantidade de vezes que cada mulher o fará. E é essa a razão para as mulheres casadas andarem de burca: esconder os sinais da transformação. Nesta sociedade que precisa manter a aparência de perfeita, elas não podem andar por aí mostrando bigodinhos felinos, orelhinhas pontudas e pelagem onde não deveria. A Cheetara, por exemplo, seria presa se andasse por lá só de maiô.

Isso, claro, para as mulheres, porque são necessárias para fins de reprodução. Homens com mutações são sumariamente expulsos da cidade se descobertos, para se virarem sozinhos do lado de fora - o que é o mesmo que uma pena de morte. Esta é a mesma pena para as mulheres que comentem o crime de transar antes ou mais do que o devido.

Agora... vocês lembram da parte mais acima sobre "perigosas gangs de mulheres lobisomem" no mundo externo? Agora adivinhem de onde elas vieram e como foi que mudaram de "mulheres com penugem e bigodinhos" para "mulheres-lobo"!


E aí... começa nossa história. Tudo isso acima você fica sabendo aos poucos ao longo dos primeiros capítulos (se bobear, tudo no primeiro apenas), só para ambientar.

Estamos 120 anos depois da fundação da cidade [cerca de 3 gerações apenas? eu teria aumentado isso, fica muito curto para todas as mudanças e, principalmente, para o surgimento de todas as tradições do lado de fora]. Nosso herói (Daniel Togg) é um sujeito de quatro braços (2 deles devidamente escondidos), que, por ensinamento do avô (expulso da cidade quando ele era novo), não só se mantém em forma, como esconde comida para fazer bebidas alcoólicas em segredo.

Seu irmão é um policial e sua antiga namoradinha de colégio foi expulsa da cidade 10 anos antes por ter sido violentada (sem direito de defesa nem nada, sexo sem permissão é sem permissão e pronto!).

E então descobrem que ele tem braços a mais e é expulso também.

Atenção, são leves, mas os spoilers começam aqui.

Mas ao invés de apenas ser expulso, como todos acreditavam que acontecia, ele é levado em comboio para uma base aliada, onde todos moradores são mutantes também e lutam contra as gangs de mulheres-lobisomem. Assim eles ainda servem para alguma coisa e são menos lobas atacando a cidade. E tem outra razão também ainda, que não vou falar, nem mesmo sendo a parte com spoilers, pô, alguma coisa tem que sobrar para vocês descobrirem.

A propósito... mulheres-lobo ou mulheres-lobisomem é muito longo de digitar. No livro as chamam de Bitches. Será isso então, a partir de agora, digitarei só "cadelas". [sem ofensa alguma, elas são as personagens principais e a melhor coisa do livro]

O irmão dele é um dos responsáveis pelo comboio que levará (e outros como ele) para a tal base. Mas eles são atacados por lobos gigantescos. Os que conseguem escapar de virar almoço são encontrados por uma gang de cadelas e tornam-se propriedade delas, e daí podem ser usados ou alugados para execução de serviços, usados como objetos sexuais, ou mesmo (novamente) servir de alimento.

▪ Temos um gordo, amigo do protagonista, que torna-se posse de uma cadela secundária.
▪ O mocinho passa a ser propriedade de uma sádica e mimada cadela ruiva (Pippi).
▪ O irmão policial, que foi encontrado nos destroços por acaso por uma criança da gang, passa a ser propriedade desta. Que está mais interessada em brincar do que alugar, transar ou comer o sujeito. Mas ele não gosta de crianças. E também é o único ali que não estava sendo expulso da cidade, logo, é o que mais pensa num jeito de retornar.
▪ E um cientista da cidade, também mutante, passa a ser propriedade da garota na capa do livro, a Slayer, que é violenta mas é uma das mais racionais. [lendo o livro, eu tinha a sensação de que ela me lembrava alguém... aí deu o estalo: eu a estava imaginando com a voz da Tigresa, do Kung Fu Panda - e é mesmo uma boa comparação]

Agora os spoilers são mais pesados, se preferir, pule até a linha pontilhada.

Ficamos conhecendo também mais alguns das cadelas, todas com boas descrições, diferentes níveis de "lobitude" e personalidades variadas, e aí... outro grande spoiler: o cara reencontra a antiga namorada, Nova, que se integrou a gang depois da expulsão.

Que por sua vez, tenta negociar com a Pippi a posse dele, que apenas a deixa a ruiva ainda mais sádica e possessiva. E, para piorar, a ruiva quer ter um bebê.

E aí a história, que já estava bem legal, engrena de vez, com ânimos extremamente acirrados entre a Nova e a Pippi (que é adoravelmente detestável), o cientista achando tudo interessante e fazendo amizade com a sua dona, e o irmão policial se acostumando em ser uma babá (mas sempre querendo voltar para a família), o exército de mutantes (a base para onde eles iam no começo) atacando as cadelas (e bolando outros planos paralelos), e nossos heróis precisando avaliar sua lealdade e se as motivações e atitudes daqueles que deveriam defender a sociedade estão corretas.

• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •  Daqui para baixo os spoilers voltam a ser leves.

Óbvio que você sabe que os mocinhos e as lobas ficam amigos. Mas mesmo assim, o caminho é torto, trocas de papéis, brigas de casal, machados, pulgas, o Chewbacca [mentira, mas uma das cadelas parece muito com ele] e um bebê a caminho. E cheio de morte, personagens interessantes que tombam mesmo. Eu esperava a saída de qualquer um a qualquer momento, não teve dessa de "óbvio que esse/essa fica vivo até final", foi quase georgemartiano!

E o final nem é tão exageradamente clichê - as cadelas não vão morar na cidade e nem o governo é derrubado nem nada. E também não chega a ser um "a luta continua!". Foi um bom final, correto, e que se encaixou perfeitamente.

Até o destino final do "triângulo" "amoroso" principal ficou bem interessante. Ao ler o livro eu sempre tinha aquela sensação de que "ok, vai acontecer X porque sempre acontece X!", mas o X não parecia correto, não estava encaixando bem na minha cabeça pela história sendo contada e eu não via uma alternativa muito boa. Mas, aos poucos, o cara nos empurra numa direção Y que foi uma solução interessante. Pensei em escrever "e adulta", mas... é um livro sobre gangs de mulheres-lobo em motocicletas, McDonald's e mutantes, incluindo um general de 6 braços que usa uma motosserra em cada uma...

Mas não se engane, também não é literatura para menores de idade.

Nem tem tanta pornografia, mas há algumas passagens um tanto "gráficas" demais. Não adianta, autores de bizarro sempre tem uma queda por fazer algo assim. Mas as passagens são rápidas e sem descrever em excesso. Há uma que é bem horrível mas, por mais estranho que pareça, serviu à história e ao universo criado. De uma forma bem doida e grotesca de imaginar, mas ok, é uma cena rápida. Não vou falar do que estou dizendo não, você reconhecerá a cena se ler, é logo no começo.

E completando, só para saberem, o livro é o 1º de uma quadrilogia. Por enquanto são só dois, mas o 3º já está para sair e o quarto já está sendo pensado. [é vago, o autor ainda quer ver como ficam as vendas do 3º, mas a capa já existe até]. São eles:


Warrior Wolf Women of the Wasteland
Barbarian Beast Bitches of the Badlands, que inclui:
   ▪ Barbarian Beast Babes of the Badlands
   ▪ Horrendous Horror of the Hateful Hamburglar
   ▪ Ferocious Female Furries in the Forbidden Zone
Pippi of the Apocalypse; e
Dog Destroyers of the Deadlands (possível)

E agora, algumas resenhas:
OBS: eu até tentei achar algumas ruins mas, fora da Amazon, não vi. E, mesmo na Amazon, dos 5 que deram nota abaixo de 4, 3 elogiam o livro na verdade.

The Book Hunter: (...)  it sounded like the worst book in the world. (...) After finishing the sample, I knew I wanted to read the whole book! It was that good.
CSI: Librarian: (...) it was also really, really enjoyable. (...) In conclusion, incredibly good.
Dangerous Dan's Book Blog: I can't recommend Warrior Wolf Women of the Wasteland enough. It's not just a great Bizarro book, it's a great book. Period.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

The Postmortal

Título americano completo: The Postmortal - A Novel
[o "A Novel" é um complemento bem idiota, já que é um livro, originalmente surgido assim (não foi adaptado de nenhum outra coisa chamada Postmortal), mas como o cara é conhecido por ser blogueiro e americano é um povo estranho, acho que resolveram explicar na capa o que era aquilo...]
Título inglês: The End Specialist
Autor: Drew Magary (de Someone Could Get Hurt: A Memoir of Twenty-First-Century Parenthood)
Editora: Penguin Books  --  Páginas: 370
Ano: 2011  --  Tamanho: padrão (meia folha A4)
ISBN: 978-0-14-311982-1

Sinopse: descobrem a cura do envelhecimento! Você ainda pode morrer, claro, basta ser atropelado, assassinado, decapitado, fuzilado, etc. Ou algum problema de saúde sério. Mas sabendo se cuidar, tendo sorte, e não sendo vítima de nada, o fim dos tempos é o limite. Todo mundo feliz! Ê, coisa boa! Mas o tempo começa a passar e tem gente que começa a pensar em "Mas peraí... Então eu nunca vou poder me aposentar?" e a rever a duração dos casamentos. Já outros, mais sérios já pensam em onde enfiar essa gente toda, que não morre mais e, finalmente, sempre surgem, os maníacos que acham isso errado e resolvem que é hora de começar a matar quem discorda. Padrão.

A história do livro abarca um período de 60 anos e vemos desde a festança inicial até a pocilga que virou o mundo no fim do livro (na verdade, lá pelo meio a coisa já não está boa). OBS: isso não é spoiler, a própria capa do livro já diz que a história irá ladeira abaixo. Está lá, nas letrinhas embaixo do nome do autor [que você não consegue ler na imagem acima]: "The Postmoral will make you regret ever wondering, even secretely, what it would be like to live forever." [ok, rola um exagero, mas deu para pegar o clima]

Reclamemos logo um pouco de cara, porque, afinal... sou ranzinza. rs! [Mas como eu já sei o que vou escrever... A reclamação até pode ser interpretada como um elogio...] Eu queria ter visto mais do mundo criado! Mais política, economia, diferentes culturas lidando com a situação, outros núcleos e etc. Ficamos sabendo de algumas coisas pelo dia-a-dia do personagem principal, mas não tanto como num Guerra Mundial Z, por exemplo, que tinha a desculpa de ser um jornalista entrevistando centenas de pessoas pelo mundo.

O título The Postmortal é americano, ele pareceu dar uma amplitude muito maior ao que seria abordado, fazendo parecer que teríamos uma visão mais ampla e de muitos personagens nesta situação de "pós-mortalidade". [Por mais que o título seja no singular, eu não conseguia pensar nele assim, seria como ler "The Human". Eu não pensaria que a história seria sobre 1 só humano] Já o título britânico original, The End Specialist não só já aponta o foco à um personagem bem específico, como ainda dá a ênfase a fase na vida dele em que ele trabalha com a tal especialização. [e aí você só vai entender o nome do livro lá pelo meio, o que sempre é um charme a mais]

Mais para frente, quando o sujeito arranja o tal emprego, parece que tentaram falar mais do resto do mundo, mas não ficou tão bom. Nem tão afastado do cara, nem tão ligado a ele. Mas legal, melhor que nada.

O livro começa até bem light, parecendo que estamos diante de um futuro glorioso para a humanidade e alegria geral, e cabe a amiga maluquinha do mocinho ser a primeira a dizer aquilo sobre ele nunca mais poder se aposentar, e aí o leitor tem o primeiro "Opa!" mental. E aí, logo depois, a maluquinha morre num atentado a bomba anti-vacina-da-imortalidade, e o livro começa a mostrar que o buraco é mais embaixo.

Na verdade, ficamos sabendo que deu merda antes disso - o primeiro capítulo é em 2093, uns 20 anos depois do fim da história, e lá é bem rapidamente mencionado que "o relato a seguir" é a evidência mais que definitiva que dar imortalidade às pessoas é uma péssima idéia e que isso nunca deveria ser legalizado novamente.

Por falar nisso, o livro é escrito em forma de blog. Na verdade, essa foi a desculpa dada, mas como o livro não é todo em primeira pessoa nem nada, alguém (o tal blogueiro, o mocinho do livro) teria que ter sido muito paranóico para narrar tudo daquele jeito e até reproduzir as falas. Teria sido mais prático apenas deixar tudo como estava, sem darem essa desculpa. Tipo o filme do Robocop ou Tropas Estelares, que do nada surgia um comercial de TV. Bastariam que, do nada, surgissem "links" para notícias da época, reproduções de matérias jornalísticas, ou qualquer coisa. Não afeta em nada, só achei que a "explicação" era desnecessária. Bastaria que o livro, ao invés de ser um resumo do que foi encontrado num "HD" perdido (era o backup do blog e/ou diário do cara), ser, sei lá, a monografia de um aluno do futuro. Ah, e fica a a recomendação (padrão para qualquer história assim) de, ao final do livro, voltarem lá. Lá tinha uma coisa que na hora eu não entendi e esqueci depois. Relendo deu aquele "Ih, agora fez sentido".

Mas voltemos para o passado, no distante 2019.

Depois desse primeiro choque (a maluquinha morrer), vamos acompanhando a vida do sujeito (que é advogado) e as ramificações que a imortalidade causa no psicológico e social das pessoas, como o aumento de preço de tudo e ele não querer se casar com a namorada que é apaixonado porque, afinal, "até que a morte os separe" agora é uma decisão MUITO mais séria. Ficamos sabendo um pouco sobre a vida do pai e da irmã e até, com o passar do tempo, do filho que o cara teve com a namorada, já adulto. E acompanhamos até o casamento que ele finalmente teve, quando finalmente reencontra o amor da vida dele da época do colégio. E claro, lá para o meio do livro, acompanhamos a vida meio merda do cara, na nova profissão. Dessa parte em diante o livro fica um pouco mais chato, entramos na distopia e a história fica um pouco menos saltada. Mas ainda é uma boa leitura.

Eu gostaria é que o autor lançasse agora outro livro no mesmo universo. Eu gostei do personagem e de acompanhar toda a desgraça, mas até o casamento do cara não dá muito certo. E eu queria ter acompanhado como seria a vida "normal" dele nesse mundo desgraçado. Eu queria ver como seria o casamento por tanto tempo, como seria viver com alguém 100 anos tendo ambos cara de 30, e convivendo com seus filhos e netos, todos com a "mesma" idade, o tipo de cansaço mental que isso causaria, esquecimentos e problemas, e tendo que trabalhar num mundo com mais gente do que vaga, e etc. Veja bem, eu não dizendo que queria ler uma história fofinha de amor eterno e riqueza, mas eu queria ver a merda que daria por outro ângulo, e aí o cara cortou esse barato quando fez o casamento acabar muito rápido.

Diga-se de passagem, ô cara para ser azarado! Tudo de ruim acontece com ele! Não vou entrar em spoilers, mas boa parte das desgraças na vida do personagem é puro azar mesmo. Desde a amiga que explode no começo do livro até a última página... [o cara me lembrou o garoto do Elfen Lied.]

Por falar nisso, os personagens. Eu comecei a ler o livro no sábado e na sexta-feira eu fui ao cinema. Vi Questão de Tempo, excelente filme. E o filme me poupou um grande trabalho... Estava lá, já pronta, a cara de cada personagem! O pai que eventualmente morre de doença, a loira gostosona (que aparece no começo de ambos e é um trauma importante na vida do cara), a amiga maluquinha (no filme, a irmã), e a futura esposa (a Rachel McAdams no filme, fofa como nunca). Eu só não reaproveitei a cara do sujeito, principalmente por não lembrar mais dela [e vendo agora, ele tinha uma cara de bom moço exagerada, não ia servir], o meu personagem principal parecia mais um Paul Bettany jovem (vide Coração de Cavaleiro) com cabelo castanho.

Mas é isso. Já falei abrobrinhas suficientes para justificar o fim da postagem.
O livro é a história horrível de um mundo horrível onde as pessoas são imortais - e é justamente isso que deixa tudo tão desgraçado. Mas mesmo com algumas partes chatas e o azar indescritível do cara, foi uma boa leitura.

E ficam quatro resenhas interessantes, para quem quiser ler mais antes de decidir.
[e uma delas cita o Metamorphosis of Prime Intellect, que eu tenho em papel em algum lugar, faz anos, mas agora estou na dúvida se cheguei a ler ou não...]
OBS: o 2º link é cheio de spoilers, o 1º e o 3º vocês podem ler sem se preocupar.

Outra OBS: pensando bem.. a definição do que é a profissão do cara no fim do livro eu não expliquei, porque li sem saber, então quis, de repente, deixar vocês terem a mesma experiência. Mas o que ela é não é spoiler, está em quase tudo que é sinopse por aí, então se vocês quiserem ler o livro sem nem saber isso, não leiam nenhuma delas (provavelmente nenhuma, ponto) e confiem em mim. [hohoho, que perigo!]

Graeme's Fantasy Book Review: If you read only one book this year then I’d seriously consider making it this one.
Terminally Incoherent: Magary’s writing is sharp and witty and deeply satirical.
Staffer's Book Review:  ... a top-notch novel that should have a great deal of appeal to a wide swathe of readers. [essa resenha é curta não fala muito nada além do que eu já disse, mas gostei dela porque o cara foi ao contrário, ele gostou mais da história justamente quando o cara virou o especialista]

E uma de alguém que não gostou, para contrabalançar:
Paper Knife: Aside from his problems with character and motive (...) I am struck too by how superficial this world is. [o divertido é que a maioria dos pontos do cara é totalmente válida, mas eu gostei mesmo assim]

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Somos o que Somos

Pois é... Dilema! Já comentei aqui que não sei falar de filmes cabeça. Eu até gosto deles, mas na hora de fazer elucubrações intelectuais ou comentários profundos... Não rola. Não é assim que meu cérebro funciona. [that's not how I roll, baby!] Mas fico postando sobre filme de quadrinho, livro de zumbi, jogos de tiro... Sóóóó besteira! [bem, tem uns mais cabeças aqui e ali, tipo Loup ou Dragon Head] [putz! acabei de lembrar: o Dragon Head também é "filme de quadrinho"] E aí, quando eu finalmente vou num filme cabeça, não vou falar dele?! Ah, não! Vi algo estranho, metido à cult, numa sessão vazia... Preciso comentar também, para não ficar só no pop.

Nome original: We Are What We Are
Refilmagem de: Somos Lo Que Hay
Duração:
1h45min  --  Ano: 2013  --  Trailer
De: Jim Mickle (de Infecção em Nova York) [um filme sobre pessoas que viram "ratos-mutantes sedentos por sangue", se o que eu li está correto]
Com: Ambyr Childers (de nada que eu conheça), Julia Garner (em breve, em Sin City: A Dame to Kill For), Bill Sage (de Boardwalk Empire), Michael Parks (de Twin Peaks e vários filmes do Tarantino), Wyatt Russell, Kelly McGillis (de Top Gun), Nick Damici e Jack Gore.

Frase fora de ordem: geralmente eu só digito essa listinha dos dados acima depois de toda a postagem escrita, e aí de vez em quando eu levo uns sustos... Mas putz! Kelly McGillis?!? A vizinha velha era a Kelly McGillis?! Ela não fazia assim o meu estilo, mas foi a musa mundial quando lançou Top Gun. Muito estranho vê-la assim, de repente, sem nenhuma imagem mental intermediária. A Cher, por exemplo, era engraçadinha, ficou linda, e depois disso a acompanho decaindo fisicamente ao longo dos anos... Foi gradual. A Liz Taylor também. Já essa agora foi um choque! De gostosona de um filme, à senhorinha gordinha de outro. Mas perdoem a interrupção, voltemos de onde eu estava...

// Na verdade, eu não resisti e, relendo a postagem, resolvi fazer uma imagem com imagens intermediárias. Cá está! Vejam se não é muito menos chocante do que pular da primeira para a última. Assim vocês não ficam chocados como eu. [e se você era fã dela na época do Top Gun, pare aqui, na net há fotos bem piores; eu fui legal na seleção] //

Aviso: eu comecei a postagem tentando evitar spoilers, mas tinha hora que não deu, então ficou um meio termo estranho... Resumindo: TEM SPOILERS! Se quer ver o filme sem saber nada, volte depois.

Vi esse filme após um comentário (não lembro onde) que dizia algo como "O final deste filme é o mais aterrorizante já visto em anos". Foi suficiente para ficar curioso. Vi sem nem ter visto o trailer até... Vi agora só [literalmente, foi depois de ter digitado as reticências] e, novamente, ainda bem que não vi. 1) O trailer é fraco [até aí tudo bem, mas poderia ter tirado a curiosidade de ver o filme], mas 2) O trailer entrega todo o mistério! PORRA, fazedores de trailer!! Tem gente que SABE o que é Kuru! Também conhecida como encefalopatia espongiforme ou Mal da Vaca Louca, que pode ser causada por: ....... [como diria a River Song: "Spoileerrss!"]
[e o cartaz nacional até não entrega, mas há uma versão dele que te induz um pouco a adivinhar o que está acontecendo]

Acabou que o filme não era de terror normal, apesar da "situação" acima, está mais para um filme policial com terror psicológico! Mas ótimo! Isso vale também! Depois de um certo ponto, era meio óbvio o que estava acontecendo, só não tanto a motivação por trás. Mas eu gostei da solução, teria ficado decepcionado se ao final do filme descobríssemos que eram todos vampiros (ou algo assim).

Mas... fico tentando imaginar como aquilo se manteve por pelo menos 300 anos sem uma seita por trás. Quando você tem um bando de malucos, isolados, com crianças que crescem com aquilo na cabeça, e aí depois namoram outras crianças que cresceram com aquilo, e aí têm filhos que crescerão aprendendo aquilo... Tudo fecha. Mas ali?! Como é que, ao longo de 300 anos (no mínimo), todas as namoradas ou namorados dos malucos aceitaram aquilo numa boa?

E o delegado ficou enrolando e depois sumiu boa parte do filme... Eu até achava que ao final fôssemos descobrir que ele também era um dos "seguidores" daquela tradição. E de repente mais gente ainda da cidade. [ok, seria meio manjado isso] Mas não... Era só pouco tempo de tela mesmo.

E apesar da catarse final que pode ter levado à última refeição vista em cena, depois de toda a opressão sentida pelas garotas (parabéns para a atriz mais nova até), ficou difícil aceitar que aquilo vá continuar. Todavia, essa é a interpretação mais fácil possível com a última cena do filme (a cena com o livro).

A 2ª mais fácil é: não irá, mas o diretor quis provocar e colocar uma cena de efeito vazia. E depois dessa, temos interpretações mais bobas, do tipo: não continuará, mas ela queria guardar o livro de recordação. (!?) Essa opção é tão tola, que está digitada só como um exemplo cretino. Então das duas uma: o diretor colocou uma cena inútil, ou, do nada, as personagens resolveram que eram a favor de tudo que eram contra até ali. Por mais que a filha mais velha tenha aceitado "numa boa" o que aconteceu na 'cena da pá', vai ter síndrome de Estocolmo assim no inferno! [leitores psiquiatras, eu sei que a síndrome não é essa, nem sei se existe um nome para algo assim, mas deve ter] A cena pareceu uma imitação da cena final em Deixe Ela Entra [o original, não vi o remake], mas estando lá só meramente para causar um rebuliçozinho. Acabei de ler uma resenha em outro site... Implausível é a palavra do dia.
A cena logo anterior, do jantar, ok, foi uma catarse maluca e exagerada, mas dane-se. A cena no carro eu achei muito menos crível.

Outra rápida reclamação, mas de repente eu que na hora não fiz alguma conexão (e nem agora estou conseguindo lembrar) é que não entendi como foi que a médico fez a ligação entre os ossos e a família. Só muito depois é que teve a cena em que os ossos aparecem no próprio quintal deles.

Ah, e se o "monstro" não era a mulher do carro... Qual foi a utilidade de todo este sub-enredo? Isso, na hora, deu força para a minha teoria do delegado também fazer parte da tradição, seita, ou seja lá o que era.

Não achei muitas resenhas sobre o filme (até achei, mas tem muita gente que chama de resenha só dar a sinopse, e vi muita gente esculachando o filme sem dar bons argumentos, então não as considero) [ou o argumento era até bom, mas a resenha era curta e sem graça], seguem só duas então. Nada mais justo, para a refilmagem de um filme mexicano, que uma resenha nativa. E a outra não entrega nenhum spoiler.

Cine PREMIERE: We Are What We Are es uno de los remakes hechos por Hollywood menos hollywoodenses y más de autor que se hayan hecho en los últimos años.
Quadro por Quadro: ... um filme que prende a sua atenção, apesar do ritmo lento.

E terminando, numa nota totalmente descorrelata [essa palavra existe??], descobri que DEAD SNOW terá continuação. Esbarrei nisso neste site lendo uma resenha do Somos o que Somos lá. Pelo que vi em outro, a história continuará exatamente onde o 1º parou, mas o link que acabei de dar fala sobre uma gang de matadores de zumbi... Em suma, não sei qual será o mote do filme, mas isso mal existia no primeiro mesmo, e filme de humor negro com zumbis é sempre bem-vindo.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Vikings

Seriado do History Channel [eu nunca ligo para o canal, mas foi tão bizarro quando me toquei era que do History, e não da HBO, que eles merecem ser citados logo de cara]
Duração: 6h45min aprox. (em 9 episódios)
Ano: 2013  --  Trailer  --  Site oficial
De: Michael Hirst (de Os Tudors e Elizabeth: A Era de Ouro)
Com: Travis Fimmel (de nada interessante), Katheryn Winnick (idem) [achei-a mais bonita "sem maquiagem" como está na série que toda produzida], Nathan O'Toole (faz uma ponta no Os Bórgias), Clive Standen (fez uma ponta em Doctor Who), Gustaf Skarsgård (de Arn, o Cavaleiro), George Blagden (fez uma ponta no A Ira de Titãs), Gabriel Byrne [finalmente alguém famoso!] (de Stigmata e Fim dos Dias) [acho legal que esses 2 filmes são do mesmo ano e num ele salva uma garota do diabo, no outro ele é o próprio Cramunhão], Jessalyn Gilsig (de Heroes) e Ivan Kaye (de nada que eu reconheça).

Pois então... Nada para ver... sem novos episódios de South Park ou Doctor Who... [pelo menos agora começou a 2ª temporada d'A Lenda de Korra] Resolvi assistir a essa série de bobeira após uma recomendação no RapaduraCast. Seria algo para assistir na hora do jantar na falta de outra coisa qualquer.

Vi faz muito tempo atrás a Os Tudors mas, por mero acaso, não notei quando a temporada seguinte começou, e acabei nunca voltando nela - que eu estava achando muito boa - e depois disso parece que deu preguiça de ver esses seriados históricos todos, como Os Bórgias ou qualquer outro que não esteja lembrando.

Mas... Jantar vendo novela é que eu não ia. Comecei a ver e gostei, muito legal; a série pareceu mais um grande filme cortado, ou até mesmo uma daquelas antigas minisséries, feitas para durar só 4 ou 5 episódios e pronto. [a Globo passava umas minis assim muito boas a noite quando eu era jovem, três em especial ainda lembro: uma sobre a Florence Nightingale, outra sobre o Anwar Sadat e uma de FC bem vagabunda com um ator das antigas, que eu tentei de todos os jeitos, mas não consegui lembrar o nome. Vou ficar devendo. A série tinha uma nave em forma de donut.]

A história: acompanhamos um nórdico, chamado Ragnar, que não aguenta mais invadir a mesma galera vagabunda à leste deles e arranja um jeito de navegar para oeste, para saquear as desconhecidas terras de uma tal de Inglaterra e outros lugares para aquelas bandas - desobedecendo o líder local. Ele acaba indo, óbvio, e ele e sua turminha se metem em sangrentas confusões numa idade média muito louca. [muitas liberdades dramáticas - mas também, não daria para confiar muito, a série ser feita por um canal chamado HISTÓRIA não é garantia de chongas, já que eles só sabem falar de ETs e fantasmas] [acho que Trato Feito é o programa do History onde mais aprendo História. Isso... é... assustador!]

A propósito, o tal sujeito talvez tenha mesmo existido. Mas mesmo assim o History conseguiu zonear muita coisa. [e mesmo ignorando o cara, dizer que os vikings não sabiam que a Inglaterra existia foi sacanagem] Quem quiser, pode pesquisar o nome dele (Ragnar Lodbrok - ou Lothbrok, como na série), mas recomendo que não o façam. Logo de cara, no Wikipedia, vocês já tomam um baita spoiler do que deve acontecer no futuro da série. Isso caso não zoneiem mais ainda a lenda do sujeito.

Mas voltando a série... Estava tudo indo muito bem... aí... os dois últimos episódios derraparam legal. Eu me senti meio "enganado". Parece que foram 2 episódios inteiros (de um total de só 9) preparando terreno para a segunda temporada. O último na verdade, porque no penúltimo nada aconteceu. O pior é que não precisava disso...

Se de repente a série tivesse parado no 7º episódio, sem nenhum gancho nem nada [na verdade, o inglês jurando vingança na última cena serviria como tal], teria ficado ÓTIMO.

Eu não quis ver De Volta para o Futuro 2 por algum truque barato no final primeiro filme. Ou, para ficar num exemplo recente, não quis ver Além da Escuridão porque o Jornada nas Estrelas 2009 teve algum gancho de 20 minutos [seria a mesma proporção de dois nonos]. Eu quis continuar nas franquias porque elas foram boas o suficiente para eu querer mais dela. E seus realizadores conseguiram a minha confiança, mesmo que temporária, até o próximo filme, para "Se você fizer isso de novo, eu vejo".

Fraco. Foi como achei o final de uma série que me pegou de surpresa e estava gostando muito. E da forma como a 1ª temporada terminou, o começo da 2ª deve dar tanta merda, que era melhor terem cortado o 8º episódio, por exemplo, e terem usado o tempo adicional para terem feito um cliffhanger bem aos estilo Doctor Who, em que você solta um C*RALHO!, achando tudo muito foda ao mesmo tempo rindo e puto que terá que esperar 6 meses para saber como continua.

Mas não vou desmerecer a coitada por causa do final - que tiveram algumas coisas interessantes e outras que eram óbvias desde o primeiro episódio - e verei a segunda temporada feliz ainda. E será "ao vivo" [desde que não dublem] ao invés de na reprise. Mas perderam a mão um pouco ali.

Quem não viu e gosta de vikings [eu nem tanto, mas quando criança gostava mais deles do que de piratas ou ninjas] pode ver, que eu garanto. Mas podia ter terminado muito melhor. Putz... Acabei de lembrar, a última cena do Ragnar no 7º episódio era ele dando tchauzinho naquele jeito escroto e metido dele. Pô, perfeito! [e enquanto a próxima temporada não chega, fiquei com vontade de rever O 13º Guerreiro, ótimos filme e livro] [OBS: por favor, ignorem a música do trailer, ela meramente fazia sucesso na época mas não toca no filme, a trilha do filme é boa]

sábado, 31 de agosto de 2013

Imperdoável e Incorruptível

Título original: Irredeemable
/* Deixa eu já cortar aqui os dados técnicos e dizer, Irredimível seria uma tradução muito melhor. Imperdoável quer dizer que você não terá perdão. Mas você não precisa fazer nada depois do que você fez para ser perdoado.
[rezar algumas Ave-Marias talvez, se você for cristão]
Irredimível
quer dizer que você não se redimirá. Para se redimir você precisa fazer algo. Por mais que ninguém vá perdoar o personagem pelo que ele fez também, a troca de títulos muda completamente a mensagem. */
Autor: Mark Waid (de Reino do Amanhã e Miss Hemoglobina)
Editora original: Boom! Studios (dos quadrinhos de Farscape)
Editora no Brasil: Devir (de Sin City e dos livros do Ender)
Edições/páginas: 37+1 / aprox. 840  --  Ano: 2009-2012

Podem ler, é sem spoilers. Pelo menos não descarado. Sei lá.

Pois então, vi outro dia a notícia que isso seria finalmente publicado no Brasil [achei que tinha sido ouvindo o MRG ou no Omelete, mas acabei de achar a notícia no JN, dever ter sido lá então] e resolvi checar a quantas andava o quadrinho.

Esbarrei nele muito tempo atrás, lendo algum outro do Mark Waid, achei a idéia interessante, li os primeiros, e como era uma minissérie, resolvi acompanhar. Na verdade, depois eu fiquei com a impressão de que em lugar nenhum eu li que isso era uma minissérie. Eu acho que concluí isso só porque a capa da primeira revista era "I", a da segunda tinha um "R", depois outro "R", e assim por diante, e meu cérebro racionalizou que a história acabaria quando completasse a palavra. Que tem 12 letras, uma quantidade normal de edições de minisséries, que assim duram 1 ano bonitinho.

Bem, não foi. Eu lembro que parei de ler quando vi que a história estava só se complicando e a "última" edição estava muito perto. Resolvi esperar... Chegou a 12... chegou a 13... a 14... Aí parei de prestar atenção, e de tempos em tempos eu checava se tinha acabado, para ler tudo de uma vez - ou se descobrisse que era mensal e nunca ia terminar, eu também nunca ia ler. Nem notei que não checava isso faz tempo, a revista acabou em MAIO... de 2012!!!

Ok, eu acabo perdendo tempo falando essas inutilidades [mas agora que já digitei... ah, não apago!, digitar é muito chato] Falemos da história.

Se vai mesmo sair em português, daqui a pouco tem gente pesquisando para saber se vale a pena. Resumindo: vale! Mas com ressalvas.

A história, como originalmente vendida, é: e se o Super-Homem ficasse mau.
[Superman é o cacete!]

O que temos é um sujeito, que nada mais é que o Super-Homem com uma roupa diferente e loiro, chamado Plutoniano (lá perto das últimas edições o nome é explicado).

Um certo dia, o cara surta, destrói Metrópolis Sky City, sua cidade "natal", e ninguém é páreo para ele. A primeira coisa que ele fez até foi matar um companheiro de equipe. E a esposa. E as duas crianças. Uma delas bebê. Com raio de calor.

Pois é.

A história segue daí, com os amigos tentando descobrir o que diabos aconteceu, como reverter, ou, se tudo o mais falhar, como pará-lo. Na verdade, nessa hora eles até percebem que o cara nunca foi muito de contar coisas pessoais.

E aí nessa parte, logo na primeira edição, já começa um problema da história. Ela não durou as 12 edições que imaginei, mas com tanto personagem, sub-enredos, etc, acho que 40 edições [já explico essa qtd] foi pouco.

Acho que 60 teria ficado um pouco melhor. Não para esticar o fim, mas para fazer tudo com mais calma desde o começo. Ou doze edições mesmo, estaria de bom tamanho se a história tivesse sido extremamente focada. Todas as 5 ou 6 revistas passadas na "prisão espacial" poderiam ser cortadas, por exemplo.

O que aconteceu é que temos tantos personagens, com várias linhas, rixas, histórias pessoais, planos, até brigas de casal e etc, que muita coisa acabou sendo largada no meio. Ou ficamos curiosos e pronto, nada saiu dali.

Há coisas interessantes. Perto do final um grupo de super-heróis está buscando uma solução alternativa para o problema... Que não dá em nada. Outro herói simplesmente chega e diz "Opa, peraí, vocês não sabiam, mas eu estava bolando outra idéia". E pronto. Páginas e páginas de história "jogadas fora". O leitor acompanhou a outra idéia, estava nas outras páginas. Mas os outros personagens não. Eles não estavam acompanhando a história em forma de gibi.

Achei isso legal, aceitei na boa porque acontece no mundo real. Planos mudam e surpresas acontecem. Eu não quero explicações para tudo. Vi gente reclamando que o passado do "Lex Luthor" deles não foi explicado. Grandes coisa. Tem dois personagens, por exemplo, que usam uma máscara em parte do rosto, estilo Fantasma da Ópera, mas em todos os flashbacks eles não usam. Ó meu deus... Por que será?!?!
Dane-se! Foram anos combatendo o crime, isso deve machucar de vez em quando.
[ATUALIZAÇÃO: parece que na história foi, sim, mostrado a razão das máscaras - ou eu esqueci ou na hora não notei que aquilo era a causa. Mas tudo bem, o exemplo foi para o cacete, mas o princípio da coisa está valendo.]

Pô, imagina o tempo perdido se fossem explicar tudo... Eu lembro que Astro City resumiu toda a Crise nas Infitas Terras em 1 página dupla. E 70% da arte era uma só cena. Isso é coisa de profissional!
No link acima não tem a imagem que eu falei, que era o que eu estava procurando, mas explica +/- a história. Para quem não sabe o que é Astro City, não sabe o que é um quadrinho bom. Eu não lacrimejei como o cara do texto, mas senti um arrepio de emoção bem afeminado, isso eu senti. Putz, dois quadros, um cara de capuz que nem vemos o rosto. E duas frases. Cacete, muito foda. [e a boa notícia é que Astro City voltou!]

Nem preciso ir muito longe, com gibis que vocês não devem ter lido, o próprio Reino do Amanhã, clássico absurdo da DC e do mesmo sujeito, a gente não fica sabendo a origem de cada vilão ou herói do futuro. Estão lá e pronto.
...

Voltando... Mas sim, achei muito mal explicado as transformações que uma vilã mágica sofreu, por exemplo, e nem sei se ela terminou a história viva. Novamente, não temos que saber tudo, mas senti que daquele mato sairia mais cachorro... E foi apenas deixado de lado. O autor disse que a história estava planejada para terminar como terminou, mas que o miolo até lá, não. E muita coisa deu a impressão de que mudou mesmo.

Ex.: 1ª revista; eles estão tentando juntar as peças do passado do Plutoniano; e uma das heroínas diz: "Ele mencionou uma vez uma namorada... uma tal de Ana... Alana..."
Algumas revistas depois vemos que o namoro do cara não era algo para ser lembrando do tipo "uma vez", "uma tal de". O namoro dele saiu em todas as TVs! A mulher virou sensação mundial! "A Lady Di da América" nas palavras do noticiário local e o cacete!
Ela até podia não lembrar o nome da sujeita, mas não ter uma vaga sensação de que ele namorou uma vez e falar isso para os outros como se eles não soubessem.

Ou o cara mudou de idéia sobre como tratar a namorada ""secreta"" no meio do caminho, ou ficou mal explicado. Seria como a Mulher-Maravilha (pré-Novos 52, não sei como está isso hoje) virar pro Batman e perguntar "Acho que o Super namorou uma tal de Lois Lane. Já ouviu falar dela?" e ele responder "Não."

Mais coisas estranhas: os poderes de um outro personagem sofreram DUAS reviravoltas... Na verdade, não sofreram, e aí que ficou duplamente mal explicado. A propósito, o que foi que o telepata leu na mente dele que o assustou tanto, e ainda assustou um dos mocinhos também?

Mas claro, há várias reviravoltas interessantes e muitas idéias legais aqui e ali. Não é algo muito cerebral - o termo reviravolta soa meio dramático demais e parece algo mais grandioso do que é - mas divertiu. Sentei o rabo e li todas as 68 revistas [já explico essa qtd] em 3 dias. [e entre elas eu joguei Civilization V, ô joguinho maldito para te fazer perder a noção do tempo.]

No geral, mesmo não tendo tido grande estima por nenhum personagem, e vários possíveis "furos", a história ficou bem construída. Com vários clichês aqui e ali para ninguém esquecer que ainda é um universo estilo DC/Marvel, com direito a gente empurrando coisas que não deveriam poder ser empurradas e tudo. Ah, mas a revista de quebra "explica" como é que o Super-homem consegue segurar um avião pelo nariz e ele simplesmente não quebrar, já que nenhum avião é construído para ser segurado por ali.

Então... Se você esta lendo isso porque a Devir lançou, em sei lá quantos encadernados, possivelmente custando 49,99 e quer saber se vale a pena? Por esse preço, lembrando que provavelmente serão 4 ou 5 encadernados... Eu não compraria. Estou até hoje no dilema moral de comprar todos os Sin City, por causa do valor. [e ou eu compro todos, ou nenhum]. Mas a história prendeu a atenção, mesmo tendo ficado menos séria do que eu esperava e mesmo sendo muito mais longa do que deveria e, em sendo, ser mais curta do que deveria também.

Ah, e o final? Para quem já leu... Vamos dizer que seja arrogantemente poético por parte do escritor. O personagem imperdoável consegue o seu perdão, mas não das pessoas que ele esperava, e realmente estava complicado imaginar como terminaria a história sem foder com o sujeito ou sem ele ganhar uma estátua e uma tia levando um suco de limão enquanto ele ajudava com a reconstrução do mundo. "Toma aqui meu filho... Matar aquelas 15 milhões de pessoas foi feio, mas está muito calor hoje e pelo menos você está ajudando agora." Não. Qualquer final genérico para o sujeito seria um final ruim. Mas ao mesmo tempo... Mesmo gostando... A minha reação na hora foi "Ah, fala sério!"

Agora, explicando como é que eu li 40 edições de uma revista que durou 37, e não satisfeito, ainda disse que todas juntas somam 68.

A Irredeemable durou 37 edições mas teve também edição especial, com 3 histórias soltas de origens. Duas de personagens da série e uma terceira de outra revista. E há uma história em 4 partes, que 2 delas são na tal outra.
E aí entram as demais 30 das 68: a Incorruptível


Título original: Incorruptible
Edições/páginas: 30 / aprox. 670

No mundo do Plutoniano existe um vilão chamado Dano Máximo (Max Damage, e imagino que não vão traduzir os nomes no Brasil, mas se alguma coisa eu aprendi com Tom Cruise, foi dizer "Dane-se") [nã... mentira, não foi com ele não, mas lembrei disso agora e foi divertido fazer a referência], que, inicialmente, é talvez o único sujeito que consegue ir mano-a-mano com o ex-mocinho (ainda que não tão perigoso quanto o Modeus, o Lex Luthor deles).

Contudo, ele não chega a ser um supervilão, no sentido de que ele não tenta dominar o mundo. Ele é só um ladrão superforte e invulnerável. Mas também não é só um mocinho incompreendido, com amigos ruins, ele é um vilão filho-da-puta mesmo. Que mata inocentes e pronto, e também não vê problema em ajudar outros que o farão em escala ainda maior. E anda por aí com sua peituda parceira menor de idade que usa um colante preto, a Chave-de-Cadeia (Jailbait no original), que não tem poderes. E sim, ele comeu. Mas, talvez, para não ofender a sensibilidade dos leitores, em nada ela parece menor de idade. A única parte em que eu tive um leve "putz" foi na capa alternativa da primeira edição, em que o cara parece muito mais velho (quase 60) e ela parece muito menos (uns 13). A capa é essa. Em todo o resto ele parece ter uns 35 e ela uns 25.

E aí começa nossa história... O Plutoniano surta, destrói uma cidade inteira matando todo mundo... E o Max fica tão bolado, que "surta" no sentido oposto e resolve virar mocinho. Não mata mais, joga fora o dinheiro dos crimes (nem o usa para fazer o bem nem nada, porque aquele dinheiro estava sujo) e até para de comer sua parceira (que reclama repetidas vezes com ele por causa disso) por ela não ter 18 anos ainda.

E aí temos mais 30 revistas no mesmo universo, focando no Max tentando fazer o bem no microcosmos dele, a cidade Coalville, metendo a porrada em alguns antigos companheiros, ajudando pessoas que ele quase matou (umas das personagens do Irredeemable acaba realmente ficando útil nessa revista, ao invés de na outra), contando com a ajuda de um dos poucos policiais que restaram e fazendo alianças estranhas. Mas sempre pensando no bem da cidade e seguindo à risca (tentando pelo menos) seu recém adquirido código moral, até exagerando as vezes.

Algo que me incomodou um pouco foi a troca dos desenhistas. Foram 4 ou 5 ao todo, e isso ia aos poucos tirando o clima. Até a revista 4, por exemplo, parece um quadrinho normal, uma Marvel qualquer, a 5 parece tirado de um episódio de Três Espiãs Demais, e a 6 muda o estilo novamente para algo estilo o antigo desenho do Batman. Você acostuma rápido (exceto pela revista 5, que graças a deus só foi desenhada daquele jeito um vez), mas na Imperdoável os artistas mudavam de forma muito mais suave.

A quantidade de absurda de artistas fica legal nas capas. Muitas capas alternativas. Deu um baita trabalho escolher as das postagem. E de duas, passou para 4, depois para 7. Não resisti. E nem são as melhores, mas queria também variar, para não ficar Plutoniano demais. Se bem que as duas do Incorruptível ficaram parecidas, mas tinha que ter a primeira, claro, e a outra é uma das minhas preferias. Há outras muito boas, mas que na hora de reduzir a imagem ficavam ruim de entender.

Essa revista começou melhor e depois ficou mais confusa, com jeitão de revista mensal, só que sem muito tempo para as histórias serem trabalhadas. Algumas partes beiraram o incompreensível de tão corridas perto do final. E os vilões são mais galhofados também. Mas não é ruim, se você for ler a original, leia essa também. Na pior hipótese, estica a história. E os personagens fazem um rápido crossover mais para frente (ainda que não seja obrigatório ler as partes da história das duas revistas, melhora assim).

É divertida também, principalmente pela relação entre o sujeito e suas parceiras. Podem ler. Eu não vou recomprar traduzida nem encadernada, mas para quem não achar caro e não conhecer, está valendo e recomendo.

ATUALIZAÇÃO: resolvi ver se tinha algum podcast por aí falando da revista. Achei esse abaixo. Já terminei de ouvir e é bem legal. Eles leram a revista na época do lançamento pelo jeito, mas o podcast é de agora, de 2013, então muita coisa eles estão lembrando errado e não é exatamente como eles dizem, mas são detalhes bobos aqui e ali, outras coisas eles notaram que eu nem tinha percebido [foi lá que acabei de ouvir a explicação das máscaras que atualizei mais acima].
ComicPod #110 – Irredeemable
Mas atenção: o programa é spoiler do começo ao fim.
Para quem ficou curioso com as revistas, mas quer spoilers para decidir se lê ou não, fica a sugestão. Parece estranho, mas muito quadrinho, livro ou filme eu só fui ter vontade de ler ou ver depois de saber como a história terminava e, aí sim, eu dava algum crédito para ela e resolvia descobrir como ela chegou até ali. [e digitar isso deu espaço para mais uma capa. rs!! que não é das mais artísticas, mas eu gostei dela - tem o clima da revista e tem a Jailbait]

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Guerra Mundial Z (o filme)

Nome original: World War Z
Duração: 1h56min  --  Ano: 2013  --  Trailer
Baseado em um livro de: Max Brooks
De: Marc Forster (de vários filmes bons e de Quantum of Solace, porque errar é humano)
Com: William Bradley Pitt [fiquei curioso de como era o nome dele] (de Happy Feet 2 e Lendas da Paixão), Mireille Enos (de C.S.I., Lei e Ordem, e mais um monte de seriados - só faltou ter estado também no Plantão Médico), Fana Mokoena (que eu achei que conhecia, mas acabei de descobrir que não), Daniella Kertesz (de séries de TV em Israel e que me lembrou muito a garotinha careca do Eclipse Mortal) [Rhiana Griffith, que ficou bem gatinha mais velha e com cabelo - no link, vejam Headshot e Chrysalis] [e gostei dos quadros dela]

A história: Zumbis! Zumbis correndo! Zumbis pulando! Zumbis escalando! E o Brad Pitt correndo deles. E salvando o mundo só porque foi forçado.

Eu diria, de cara, que esse filme teve 2 grandes problemas. Iguais a problemas que tiveram Eu, Robô e Os Outros.

O primeiro foi uma porcaria [me divertiu, claro, mas o filme poderia ter tido outro nome] porque tentou adaptar um livro com vários contos bem lentos sobre psicologia robótica e soluções criativas que os humanos precisavam arranjar, transformando tudo isso numa... correria sobre robôs assassinos.

E o problema do Os Outros foi que existiu O Sexto Sentido antes. Ambos são excelentes filmes, mas depois de ter visto O Sexto Sentido, eu passei Os Outros inteiro tentando adivinhar quem é que estava morto ali. Talvez não tivesse tido essa idéia antes.

E qual a ligação disso com o Guerra Mundial Z? Eles tentaram adaptar um livro com várias dezenas de personagens, política, dramas humanos e soluções sobre como viver num mundo infestado por zumbis em uma... correria sobre zumbis assassinos.
[ok, isso é meio redundante. e me deu uma dúvida agora: será Fido o único filme com zumbis que não são assassinos?] [na verdade, acabei de rever o trailer, eles têm zumbis assassinos lá também, esqueci do colar]

Exagerando um pouco, vale mostrar o gráfico feito pelo site The Oatmeal:

(clique na figura para a página original)

OBS: durante as filmagens, o próprio autor, que não opinou no filme, dizia que eles provavelmente só compartilhariam o título "e só!" (aqui ou aqui). Então mesmo exagerado, o gráfico acima não é só loucura de fanboy. [lendo o 2º link, fiquei muito curioso em saber como seria a versão original do JMS]

[ATUALIZAÇÃO: acabou que o filme ficou tão diferente do livro, que o próprio autor abstraiu, assistiu como se fosse alguma outra coisa qualquer e, no final, se divertiu.]

O outro problema... A "solução" que arranjaram no filme não tem nada a ver com o livro [até aí tudo bem], mas por causa de várias dicas na história, achei que a tal solução seria a mesma do Depois da Terra: o não-medo [alguma não-liberação de feromônios ou algo assim]. O que seria uma solução MUITO ruim, mas o filme deu todas as dicas que me apontaram para isso: "A principal arma da doença pode ser sua fraqueza" (não lembro bem como era a frase, mas disseram algo assim). Bem, ver aquele monte de gente correndo sem rumo me permitiria dizer que o maior problema dela seria o pânico que causa. E os 3 "imunes" à doença: um soldado corajoso, um velhinho que estava com mais cara de alzheimer de "Para onde eu vou?" do que "Zumbis! Socorro!" [ok, estou exagerando um pouco] e um moleque que 2 segundos antes estava dando porrado nos zumbis com um bastão! Três pessoas, cada uma a seu modo, destemidas.

Os Outros ainda tinha a vantagem de que o filme que o "estragou" foi um filmaço. Já o filme do Will Smith... Meh!

De qualquer forma, mesmo a solução final não sendo a coragem, a solução ficou muito parecida, o que além de não ser a melhor das soluções, tirou a surpresa que poderia ter sido. Eu não vi a conclusão deles e pensei "Puxa, que criativo!, até este momento nem tinha pensando em nada assim!", o que eu pensei foi na linha do "Ah, já esperava por isso... é igual aquele filme nota 6 que eu vi mal tem 2 semanas...". Pena.
Por falar nisso, deviam guardar alguns zumbis para uso em hospitais. A velocidade com que eles, que passavam correndo em velocidade de maratona, conseguiam identificar os indesejados, seria de grande uso médico:
"Doutor, eu vou morrer?"   "Hummm.... Venha comigo. Temos um zumbi no laboratório para esses casos."   "AAHH! Doutor! Ele tentou me morder!!"   "EXCELENTE! Pode ir para casa, Dona Maria, que você ainda vai enterrar todos nós!"

Isso posto, o filme é bem legal. Tem seus altos e baixos, tem horas que ele dá umas paradas que deviam existir, para o filme não ficar só na gritaria, mas pareciam muito bruscas. O jeito que deram para fazer o cara "contar" histórias de vários locais do globo foi interessante pelo menos: ao invés de ser como no livro, que é um documento sobre o pós-guerra, aqui o sujeito precisa dar uma de Jack Bauer através do globo, atrás de pessoas que podem ter uma dica de como resolver o problema dos zumbis; porque se ele nem tentar, perde apoio dos militares americanos que protegem sua família. Um pouco menos verossímil, mas valeu.

Até esperava que a solução, para adaptarem a 'globalização' que é o livro, seria num esquema Highlander: muitos flashbacks! Mostrando o que aconteceu durante toda a duração da guerra, de muitos e muitos anos.
Taí, outro problema do filme. Que eles quase evitaram* (já falo nisso), mas não rolou. A história no filme é muito rápida! Deu merda, mocinho foge por uns 3 dias, viaja de avião pelo globo sem nem parar pra jantar, dorme 2 dias, tem uma idéia, e espalham a idéia pelo mundo. Ok, como a idéia não é nenhum tipo de 'supervírus anti-zumbi', ainda dará muito trabalho se livrar de todos eles, serão anos e anos do planeta saindo da merda. Mas no livro... Foram anos e anos do planeta afundando na areia movediça de bosta.

Algo que lembrei e que achei legal também foi que eles, como no livro, deram uma zoada na Coréia do Norte; inventaram uma outra maluquice até mais "crível", mas ainda assim ridícula o suficiente para ficar óbvio que estão só sacaneando e pronto, sem estarem preocupados em manter o clima sério. Algo rápido e bobinho, de zona, mas gostei.

Ah, o asterisco. Aqui em inglês: Movies.com ou numa tradução (bem estranha) do Omelete. No final original a história daria um pulo de vários anos, descobriríamos que o cara, numa ida à Rússia, teria sido forçado a trabalhar no exército de lá e passaria muito tempo até ele conseguir voltar para a casa.
O pior é que eu não sabia disso quando fui ver o filme, e realmente achei estranho o fato do cara NÃO ir para a Rússia, porque num dos trailers eu tinha a impressão de que ele não só iria para lá, como seria lá a solução do problema.

E aí você até pensa: pô, ele podia ter fugido antes... E aí eu te relembro: zumbis maratonistas! Zumbi normal, de repente, até eu encarava de fugir deles. Seria só uma questão de manter o fôlego [ha!] e evitá-los. Esses não...
Nessa opção de final teríamos uma sensação de merda mais duradoura. Já como acabou o filme na sua versão exibida, por mais que já estejam falando em trilogia [sempre trilogia! ô mania...], eu acho que parando ali, seria um fim bem melhor. [e em algum site que eu não localizei mais - de repente era mentira então - parece que já estão pensando até numa série de TV... Mas no IMDB já consta o ator em The Zombie Survival Guide...]

Eu sei, eu sei... Estou doido para ver mais zumbis correndo feito loucos! Ainda mais que esse filme teve censura infantil e mal teve sangue. E por mais que estejam abusando, eu gostei dessa moda do TUUUMM! nas trilhas sonoras.
Mas mesmo assim, numa visão puramente "artística" da coisa, a história, por mim, fechou. De forma piegas e com a porcaria da frase pronta que eu detesto, mas fechou. [putz! fazem 2 anos desde Padre e ainda detesto a tal frase. ainda não deu tempo suficiente para ela descansar.]

E algo bom, que geralmente eu reclamo, mas para tudo há exceção... Como sempre, agora o livro foi relançado... com o cartaz do filme como capa! A notícia não é ruim desta vez porque a capa anterior parecia de livro infantil [leiam a mais nova aventura: Ursinho Puf e os Mortos Assustadores!] e, além dos vários cartazes do filme terem sido bons, usaram um que é uma foto distante, onde predomina o bege, meio verde musgo, que lembra carne podre... gostei. Claro, há cartazes ruins. Escapamos de não só ter o Brad Pitt na capa (cartaz no alto), como toda a família. [comentário nada a ver: esqueci essa postagem em rascunho, aguardando uma revisão, e nesse meio tempo eu fui na Bienal. Lá eu quase comprei a versão antiga do Campo de Batalha Terra SÓ para não ter mais o livro com a cara do John Travolta na capa... Mas repensei por 3 segundos e eu sabia que não jogaria fora nem daria o que eu já tenho, e não é um livro bom a ponto de ter dois... Mas foi uma tentação.] Também escapamos de algum ufanista da editora querer usar o cartaz "localizado" e termos zumbis escalando o Cristo, o prédio da Coca-Cola e mais alguns na enseada de Botafogo.

Bem... Agora é torcer que algum outro estúdio resolva filmar Day by Day Armageddon, mas respeitando o livro dessa vez, com todas as suas reviravoltas. Pô, são 3 livros na verdade, já têm até a trilogia pronta.