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domingo, 20 de julho de 2014

Recomendações

Títulos alternativos: "Mid-Season Nerd" ou "I want to lie, shipwrecked and comatose..."

Pois é, o site está meio parado mas, na verdade, tem é um monte de postagens que ficaram no "agora só falta revisar" [a parte divertida é escrever besteira; revisar e formatar nem tanto] [e o bizarro é que em breve surgirão várias postagens ANTES desta]. E não entremos em detalhes, mas foi um mês complicado em que só estava com tempo (e ânimo) de ficar vendo TV [até minhas leituras estão devagar]. Mas...

O que diabos ver na TV entre o fim das temporadas americanas e a volta de Doctor Who? Um nerd precisa se virar!

Tenho que voltar a assistir aos episódios de Capitão Harlock por falar nisso (saiu até filme faz pouco tempo). Mas então, fora Falling Skies (que já era uma merda e agora piorou um pouco - mas eu assisto) [mas não falemos dela, é meu segredo sujo], eu acabei começando a ver duas coisas. [e que virou quatro, porque essa postagem também travou no rascunho]


Gravity Falls! (trailer / abertura)
Subtítulo nacional: Um Verão de Mistérios
Criado por: Alex Hirsch  --  Canal: Disney  --  Ano: 2012 em diante
Episódios: 20 até o momento + 17 curtas de 2 min.

Eu não tenho problema em ver desenho animado e assumir. Eu vejo Phineas & Pherb sempre que noto que é um episódio que eu não vi, o mesmo para Kung-Fu Panda e Os Pingüins de Madagascar, estou esperando a nova temporada de A Lenda de Korra (que parece que voltará um pouco ao estilo da primeira série, com viagens pelo globo - trailer), e não tenho nenhum problema em dizer que assistia Guerreiras Mágicas de Rayearth e Meninas Super-Poderosas quando já não era mais o público alvo disso (se é que fui algum dia). Isso posto... Assisto Gravity Falls. E é muito bom.

A história: dois irmão vão passar as férias com o tio-avô mutreteiro no interior, que tem um lojinha para vender tranqueira para turista. A menina é maluquete, cada episódio veste um casaco diferente e arranja um porco (num episódio muito bom, com viagens no tempo). Já ele usa sempre a mesma roupa, é mais interessado nos mistérios do local, que tenta desvendar com um livro doido que ele encontra no primeiro episódio, e é a fim da ruiva que trabalha para o tio. E o próprio tio, quando ninguém está olhando, é um cara misterioso. Bem, isso vai servir como sinopse.

Algo divertido no desenho é que todos os episódios tem alguma coisa em código para os fãs desvendarem, ou descaradamente (créditos finais) ou em cenas rápidas de páginas do livro (e aí, só pausando a imagem). E tem mais um monte de dicas malucas, referências escondidas e o diabo. A internet está cheia de teorias a respeito (eu na verdade não notei nada, esbarrei nisso por acaso no meio da temporada e perdi algumas boas horas naquele dia lendo a respeito). As teorias vão das completamente malucas (o famoso "esse personagem é o Diabo") até coisas envolvendo o resgate de um irmão perdido em outra dimensão (o pior é que essa faz muito sentido).

Claro, podem ser tudo só detalhes malucos para divertir ou erros de produção. Talvez a placa do carro pareça ser de Stanley (o mítico irmão) e não Stanford (o nome do tio-avô) porque o personagem pode ter mudado de nome durante a produção. Há uma cena em que o porco está vestido de médico numa cena e na cena seguinte a roupa dele sumiu. Seriam dois porcos, um deles sendo um doppelgänger místico do futuro? Mais provável é só que tenham esquecido de desenhar a roupa mesmo. E essa pode ser a explicação para muita coisa. Mas... Eu, de minha parte, quero saber quem é a lhama.

E todos os episódios, por mais isolados que sejam, têm uma história maior por trás a ponto do último da temporada ter terminado num baita gancho. Gravity Falls é o verdadeiro sucessor de Lost.

Volta agora em agosto, junto de Doctor Who.

Agosto será um bom mês.


De algo recente para uma velharia, comecei a ver, meio que por acidente (confundi com Blake's 7) a Red Dwarf! (não achei trailer, fiquem com a musiquinha). É um treco bem... ruim. Mas de repente é o sotaque britânico, não sei, tu assiste a piada tosca mas acha que na verdade ela tem um quê de Monty Python, mesmo que, lá no fundo, saiba que está mais para Chaves (que detesto).

Com: Craig Charles (putz, ele fez uma ponta em Lexx), Chris Barrie (o mordomo da Angelina Jolie em Tomb Raider 1 e 2), Danny John-Jules (fez uma ponta em Blade II), Norman Lovett, Robert Llewellyn e Hattie Hayridge  --  Criada por: Rob Grant e Doug Naylor
Canais: BBC 2 (até 1999) e Dave (2009 em diante).
Episódios até o momento: 61 (10 temporadas, a 11ª estréia em 2015)

Ok, ok... Não é assim, TOTALMENTE ruim. É ótimo para ver com sono e neurônios desligados. E revisando a história da Blake's 7, acho que no final era a Red Dwarf que eu pretendia ver mesmo. Eu sabia que uma das séries (ou a Blake's 7 ou a Red Dwarf) tinha uma premissa de gente que foi congelada por alguns milhões de anos na nave e, durante todo esse tempo, um dos gatos de estimação acabava ficando solto e dando origem a uma nova raça inteligente, que evoluiu no local ao longo deste tempo. Comecei a ver Red Dwarf sem saber direito qual era ela (na minha cabeça, as duas séries eram de comédia).

Mas resumindo a "história" rapidamente: temos dois técnicos da nave, do mais baixo escalão possível, um completamente desleixado, sujo e bagunceiro (Lister, o boa praça da dupla) e outro, todo metido a certinho e puxa-saco, mas igualmente incompetente (Arn, o babaca). Daí que o bagunceiro é punido e resolvem congelá-lo sem salário até chegarem na Terra. No meio tempo há um vazamento radioativo na nave e... todos morrem menos ele. O computador (Holly) resolve então esperar a radiação dissipar antes de acordá-lo. Isso leva 3 milhões de anos. Ao acordar, Lister descobre que as únicas companhias que ele têm são um homem-gato (chamado Cat), o antigo companheiro de quarto, agora revivido em forma de holograma, e o próprio Holly, o computador da nave, que aparece nas telas na forma de um cinquentão. E por algum motivo voltar para a Terra de forma rápida não é uma opção.

Sobre o gato, eu esperava alguém maquiado estilo uma peça de Cats com baixo orçamento. O que me surgiu foi uma versão magra do James Brown, com aqueles paletós coloridos, usando dentes de vampiro! E todos os trejeitos amalucados e exageradamente estereotipados da inspiração. Apavorem-se! Se o seriado fosse atual (ou americano), provavelmente chamariam de racista e seria cortado. Se bem que se o personagem continuar exatamente igual pelos 10 anos da série, talvez encha o saco. Todavia, cada temporada só teve 6 episódios. Se não fossem tão poucos, talvez nem começasse a ver.

E ficamos assim, 4 personagens sozinhos numa nave vivendo situações ridículas com efeitos especiais bem sofríveis.

Eu falei que a série é ruim, mas estou vendo... Porque isso? Estava pensando em como descrever a situação e ao mesmo tempo não parecer que ela é uma droga e eu sou masoquista. Cheguei numa boa solução: ela é hipnoticamente ruim! Bem, as duas primeiras temporadas pelo menos.

Na terceira temporada eles mudaram muita coisa. Começou aquele papo de monstro da semana, um personagem da 2ª temporada voltou como regular, mas com uma personalidade diferente (e meio irritante), e começaram aqueles famosos episódios "estamos sem grana, inventa uma desculpa e vamos filmar na Terra" (vide também toda a última temporada de Lexx). Aí eu comecei a temer que ela ficasse apenas ruim. Mas cheguei já no quarto episódio e ainda está no mesmo nível de diversão suficientemente aceitável. Estou evitando esbarrar com spoilers dos episódios futuros, mas pelo que li, só a oitava temporada é que é universalmente considerada ruim.

E eles arranjaram uma solução criativa (isto é: muito pilantra) para resolver os ganchos e alterações da segunda temporada para a terceira: eles colocaram um texto rolando, estilo Guerra nas Estrelas, em que eles explicam tudo o que aconteceu e como se resolveu depois e pronto!, aí eles podem continuar como se nada tivesse acontecido. E o letreiro passa tão rápido que eu tive que ir parando a imagem para ler. Muito safados.


Mas então... ficam as duas recomendações completamente opostas. Um seriado antigo perfeitamente aturável [principalmente para quem já passou por Lexx]. E um desenho moderno com zuações nerds e (talvez) mistérios mais elaborados que Lost (mas lembrando sempre que nerd é foda... bola teoria com qualquer coisa e vê detalhe onde nem o autor estava pensando nisso...).

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E aproveitando o tempo que essa postagem ficou esperando revisão, mais algumas recomendações:

The Last Ship (trailer) foi uma ruim boa surpresa. Pior que eu só não passei reto pela chamada porque vi que o Eric Bana estava no elenco, só já assistindo o episódio é que notei que eu li errado (era Eric Dane). A surpresa foi boa porque a série passa o tempo sem você se arrepender realmente. Os personagens são caricatos, mas os episódios são bem feitinhos. Dá para levar numa boa. Mas é ruim porque cada episódio são como pequenos filmes do Steven Seagal de 45 min. E não dá para chamar algo que seja descrito assim de "bom". Mas eu não esperava nada demais realmente, posso viver com isso. Tem até o Jayne, de Firefly, no elenco!

A história: navio fica no pólo por 4 meses, incomunicável, praticando exercícios militares. Ao mesmo tempo dão carona para uma cientista (a verdadeira razão deles estarem lá, mas eles não sabiam) que foi estudar uns passarinhos. Quando a missão finalmente termina eles são atacados por russos que querem a pesquisa - e descobrem que a Terra está sendo devastada por um vírus mortal. A cientista sabia disso, a pesquisa dela é justamente pela cura. Agora eles precisam se virar sozinhos, boiando por aí, evitando serem contaminados e fugindo dos russos, até terem uma vacina e salvarem o mundo.

O ruim é que mal cheguei no terceiro episódio (dos 4 ou 5 que existem por enquanto) e já fiquei sabendo que a série foi renovada para mais uma temporada. Ou seja, a cientista super-foda, que tem certeza que faz e acontece e mapeia DNAs em 15 minutos... vai ficar enrolando pelo menos 2 anos para descobrir uma cura. Os canais de TV deviam realmente voltar a pensar em fazer minisséries com início, meio e fim, em 1 ou 2 anos e pronto! Se ficar bom, OK, deixa saudades, mas pelo menos não ficam enrolando, enrolando, enrolando e aí cancelam sem conclusão. Pelo menos as temporadas serão curtas, de +/- 12 episódios. Bom seriado para hora do jantar, mas nada que você precise apresentar para a namorada ou discutir episódios com amigos.

[ATUALIZAÇÃO 25/AGOSTO: ok, minha previsão foi errada. Leve spoiler a seguir: a cura foi encontrada. Agora é esperar pelo 2ª temporada, que deve ser bem mais urbana...]

E no tempo que levou até eu revisar esta postagem, Korra voltou! [na verdade, não conferi a data, mas acho que já tinha voltado e eu que não notara]

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Mudando um pouco de assunto, quadrinhos rapidamente. Agora que as coisa acalmaram eu estou lendo um tal de Enigma (de Peter Milligan e Duncan Fegredo). Esbarrei numa dessas listas de "10 QUADRINHOS QUE MUDARAM O UNIVERSO!" e esse tipo de exagero, e junto do tradicional (Sandman e Y, The Last Man, por ex., apesar de eu ter achado Y só legalzinho), tinha esse lá, único da lista que eu nunca nem ouvira falar. Resolvi conferir. Ainda estou na segunda edição (de 8), mas prendeu a atenção. Outro que eu comecei faz tempo e parei no meio, mas quero voltar nele ainda é o Blue Estate (12 edições). Conheci esbarrando numa imagem de uma dançarina de cabelo chanel e fui pesquisar se aquele desenho era de algo ou algum devianart aleatório. E era a capa de um dos encadernados desta revista. Foi o que me bastou [eu realmente não sou exigente na hora de ficar curioso com algo]. Estava legal até onde parei, fica a recomendação também. E acabei de descobrir que virou até jogo: trailer da história / trailer de ação / resenha (mas aí eu não recomendo nem nada, não joguei).

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E terminando a postagem, procurando um trailer para Gravity Falls acabei perdendo um bom tempo no Youtube, ouvindo versões alternativas do tema de abertura (um dos mais legais dos últimos tempos). Seguem as melhores:

Piano  --  Rock  --  RAP  --  Rock outra vez  --  Dramático  --  Orquestra

terça-feira, 15 de abril de 2014

Noé

Nome original: Noah
Duração: 2h18min  --  Ano: 2014  --  Trailer
De: Darren Aronofsky (de Cisne Negro e Fonte da Vida)
Com: Russell Crowe (de Gladiador e Mestre dos Mares - O Lado Mais Distante do Mundo) [pena nunca terem feito as continuações, adorei este filme], Jennifer Connelly (de Labirinto, Rocketeer, Réquiem Para um Sonho e Cidade das Sombras), Ray Winstone (um dos anões no Branca de Neve e o Caçador e o Sweeney Todd na versão para TV), Anthony Hopkins (de Nunca Te Vi, Sempre Te Amei, mais conhecido atualmente como o Dr. Hannibal Lecter ou Odin), algumas crianças e suas versões adultas e Emma Watson (de Sete Dias com Marilyn e As Vantagens de Ser Invisível, ah, quem eu quero enganar, é a Hermione e pronto!). [e todos com nomes bíblicos muitos legais]

A história: homem traumatizado tem pesadelos e, após consultar-se com um eremita louco, resolve plantar feijões mágicos para, com ajuda de gigantes de pedra, três crianças, um bebê e sua esposa gata, construir um barco e fundar o Greenpeace.
[desculpe, mas se você não sabe quem é o Noé, veio ao lugar errado para aprender]

Agora, vamos ao que interessa: reclamar e elogiar. OBS: com spoilers, por assim dizer.

Ô gente chata! Não sei porque todo o mimimi com esse filme. Ateus babacas [obs: nem todo ateu é babaca, o que eu quero dizer é: "ateus, e dentre eles, os que são babacas"] que não querem ir porque é da Bíblia e eles não acreditam nela, eu até entendo (mas não concordo, porque isso não faz sentido algum) [nas sábias palavras do Rapaduracast: "O Aragorn também não é de verdade!"]. Mas até os religiosos? Ah, porra! Vão se catar! Tinham mais é que gostar de alguém estar fazendo filme bíblico (*) [acho que o últimos que vi foram "Príncipe do Egito" e "Moisés" com Charlton Heston] e não ficar tendo ataque de "Mas não ficou igual à Bíblia", "Mas não foi assim!"...

Galera, também NÃO FOI igual está na Bíblia. Na verdade, NEM FOI! Aceitem: a Bíblia é um apanhado de contos e parábolas, para passar lições de moral e religiosidade. Algumas das lições são bem duvidosas, mas não entrarei no mérito. Procurem algum estudioso do Cristianismo e eles te dirão isso! Não é chatice minha. Grande parte do que está na Bíblia são adaptações de outras lendas mais antigas, retiradas de ouras religiões, porque o Cristianismo, para crescer e difundir-se, também precisava de marketing! [e claro, tem aqueles outros estudiosos que dizem que 100% da Bíblia é isso, inclusive todos os personagens principais. Mas também não entrarei neste mérito.]

(*) OBS: na verdade, são feitos filmes sobre cristianismo num ritmo maior do que as produções baratas e ridículas do SyFy, mas, infelizmente, com a mesma qualidade. Quando eu digo que não fazem filmes bíblicos eu quero dizer filmes BONS! E sim, digo "infelizmente" porque mesmo achando que é tudo mitologia reciclada, ainda assim daria pra fazer bastante coisa legal com aqueles personagens e tramas. E querendo ou não, eu sou ocidental, então cresci com a influência destes personagens aqui e ali, em todo lugar. O problema é que todo mundo fica querendo fazer coisas adocicadas, maniqueístas e respeitosas, ao invés de lembrar que o marketing e estilos de narrativa que funcionavam no ano 1.000, lá no séc. X, não funciona mil anos depois! E nesse aspecto, o Noé do Aronofsky dá mais certo hoje do que ler o Noé como está nas, perdoem meu sarcasmo, "escrituras sagradas".

Ou, nas palavras de Neil Gaiman, que é muito mais conciso do que eu: “We have the right, and the obligation, to tell old stories in our own ways, because they are our stories.”

Mas e porque os religiosos mimimentos me irritam? Porque eu, que sou um cético de nascença, pagão por vocação, e implicante por natureza. Vi, gostei, e aí... Fiquei curioso em saber o que aconteceu com os personagens depois daquilo. E vocês sabem onde está a continuação da história? Vocês sabem? VOCÊS SABEM!? NA BÍBLIA, cacete!

O filme fez um herege ter vontade de ler a Bíblia! Se o diretor não merece um tipo de "Oscar do Vaticano" pelo filme, esse mundo está muito errado.

Claro, não vou fazer isso, porque entre ler a Bíblia ou mais uma ficção científica, eu prefiro a segunda. Outro dia li no Skoob, justamente na página da Bíblia, uma frase fenomenal em sua concisão sacana e humor ácido. Merecia virar adesivo para carros: "Ficção por Ficção, prefiro Harry Potter". HA! É por aí! Mas não tira o mérito do filme. Na verdade, o principal motivo de eu não ir na Bíblia e dar uma lida no que aconteceu com a família de Noé é só porque já fiquei sabendo que, na versão oficial, boa parte daquilo foi diferente e que todos os filhos tinham suas próprias esposas - e minha curiosidade principal foi saber se o filho careca tinha encontrado algo andando pelo mundo e se voltou depois e casou com alguma das sobrinhas.

Agora vamos à alguns comentários mais rápidos...

A cena da montanha, com as pessoas tentando escapar do dilúvio, ficou muito legal. Parecia um daqueles quadros religiosos mais antigos. Mas que não vou dar nenhum exemplo, porque não sei os nomes dos pintores dos quadros que estou lembrando. [e jogar "pintura religiosa" no Google seriam horas e horas de buscas infrutíferas]

O cão-pangolim no começo do filme ficou bem legal. Ao contrário da casquinha de cobra, que foi a única coisa que eu mudaria no filme. Qual era a utilidade do couro brilhante, por falar nisso? Aproveitando que estamos falando dos animais, o filme perdeu uma boa chance. Mas que ficaria meio humorístico se tivessem feito, então é óbvio que nunca ia rolar: na hora que o vilão mata um bicho na arca, para atrair o Noé para uma armadilha (bicho que a partir dali não teriam 2 e seria o fim daquela raça), o bicho podia ter sido um unicórnio!

Por falar nisso, uma implicância minha com o filme é uma certa lerdeza dos personagens. Eles ficam na arca uns nove meses [ou mais] confinados... eu, ali, por puro tédio, passaria o tempo andando por cada centímetro. Em suma: ninguém esbarrou num velho manco esse tempo todo?? E a Hermione, em terra, levou vários meses pra conseguir pensar no argumento de 3 linhas que tirou o Noé da fossa!

Ah, e uma outra reclamação das pessoas em geral são os "monstros de pedra" (anjos caídos, na verdade). Eu achei que ficou muito bom. Só achei que eles não precisavam ter expressões faciais tão claras e carinhosas (no caso do "monstro" principal), podiam ser ainda mais pedregosos e sem rosto mesmo. Mas a maneira do diretor de colocar anjos ajudando (que é algo que está na Biblia, pipocas!, mesmo que não seja na parte sobre Noé) achei muito boa. E ainda deu mais "realismo" na construção da Arca, porque, do jeito que a igreja conta, o sujeito nunca ia conseguir. Mas já... com gigantes mágicos de 3 braços e super-fortes dando ajuda... Aí, até eu!

O trailer (que acabei de rever) é bem pilantra quanto a isso até. Pelo jeito os produtores notaram que as pessoas implicariam com eles e, no trailer, eles NÃO aparecem. No filme, quando o Noé diz que não está sozinho, você é induzido a achar que o sentido é "Deus está comigo!". Mas no filme, nesta cena, os gigantes se levantam de forma ameaçadora! E na cena do Matusalém enfiando a espada no chão e jogando fogo na graminha (o que não faz nenhum sentido no trailer), no filme vemos a cena completa, com um exército correndo e atacando justamente os tais gigantes. Malandros.

Ah, e elogio final, para fechar a resenha em grande estilo: Jeniffer Conelly! E tenho dito!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Warrior Wolf Women of the Wasteland

Autor: Carlton Mellick III (de livros como Satan Burger, The Cannibals of Candyland, The Haunted Vagina, I Knocked Up Satan's Daughter, Adolf in Wonderland, Cuddly Holocaust,e outros, muitos com títulos ou capas bem mais provocadores*)
Editora: Eraserhead Press  --  Páginas: 300
Ano: 2009  --  Tamanho: padrão (meia folha A4)
ISBN: 978-1-933929-92-7

* Quanto às capas, desde que começaram a ser feitas (ou relançadas) com a arte do Ed Mironiuk, passaram de assustadoras para até "fofinhas". Eu gosto delas, mas ao passo que alguns livros perderam capas bem artísticas (exs.: War Slut, Fishy-fleshed ou até o The Haunted Vagina), outros eu até pensaria duas vezes antes de comprar se ainda fosse a capa original (exs.: The Menstruating Mall ou Satan Burger). Vejam algumas delas, antes e depois, aqui.

Devaneios estéticos à parte, vamos ao livro em questão.
O que temos é uma espécie de Mad Max com garotas lobisomens! Ou, nas palavras do autor: "Did I just write a fucking Furry book?".
E posso dizer, foi uma excelente surpresa de ano novo! [na verdade, eu terminei esse livro ontem, mas resolvi colocar a data como dia 1 para o blog começar o ano bem]

Eu tenho lido vários livros do gênero "bizarro" ultimamente. Descobri o estilo e estou experimentando os autores e suas maluquices. Mas por causa de algumas reviravoltas extremamente exageradas ou idéias boas com desenvolvimento ruim [principalmente contos] eu estava com receio de me decepcionar com esse livro. Aquela enrolação para finalmente lê-lo pois poderia não atender as expectativas e, no final, a capa e o nome serem as melhores partes, com o miolo não sendo tão bom quanto o conceito.

Estava enganado! Eu tinha medo de que as lobas seriam só coadjuvantes, mais um detalhe do que personagens, um mero algo a mais numa avalanche de escatologia, descrições sexuais e outras anormalidades. Coisas comuns nessas histórias. Felizmente ficou só no medo mesmo. O livro foi uma absurda e divertida aventura pós-apocalíptica, com romance, críticas sociais, crescimentos pessoais, redenção e muita ação. Tudo envolvendo mutantes, uma corporação do mal e mulheres-lobo usando metralhadoras e machados dirigindo motos! [yay!]

Ainda tenho vários livros no gênero para ler e alguns com grandes expectativas.
Esse livro renovou minha fé.

Do que se trata, então, esse Guerreiras Lobisomens das Terras Devastadas? [tecnicamente, "lobisomem" não tem feminino. Mas "Mullheres-Lobos Guerreiras..." ficaria pior - e wastelands é complicado traduzir, mas se terras devastadas foi bom o suficiente para o Stephen King, é bom para mim]

// Aviso pós-postagem escrita: me empolguei um pouco e digitei para cacete! Mas sejamos sinceros, e deve ter sido isso que rolou no meu subconsciente: a minoria que parar aqui e ler essa postagem comprará o livro na seqüência. Ou na verdade já leu. No 2º caso eu posso dar qualquer spoiler, e no 1º quanto mais eu falar, mais vocês se divertirão ou ficarão curiosos! Então... sentem que lá vem texto! //

Premissa: Houve um apocalipse econômico! Os governos caíram, os militares debandaram, os ricos ficaram pobres e os pobres ficaram violentos. E quando não podia piorar, católicos extremistas conseguiram por a mãos em armas atômicas e resolveram destruir todas as cidades com pecadores. No meio do caos, apenas o McDonald's sobreviveu à tudo. [pô, se ainda fosse o Bob's...] [se bem que o Bob's caiu no meu conceito quando pararam de vender hamburguer - você precisa pedir um cheeseburguer sem queijo!, e ser cobrado pelo valor total]

Com o mundo em desordem e sem ninguém para impedi-los, eles reúnem os sobreviventes que acharam e fundam sua pacífica cidade chamada McDonaldlândia.

Religião: Uns 30 anos depois, achando ser melhor para os negócios e para a sociedade criada, eles proíbem todas as religiões a fundam a própria, baseada numa mistura de cristianismo e islamismo (como o hábito de rezar 5 vezes ao dia e algumas mulheres terem que usar burca - mas neste caso, há uma razão não religiosa que falarei em breve), e com seus personagens ocupando o lugar das deidades de ambos: o Ronald McDonald é o novo messias, o Prefeito McCheese o novo deus, Hamburglar o novo diabo, e os Fry Guys são os novos anjos.

Apesar de eu detestar o McDonald's e mais ainda esses personagens ridículos [que graças a deus não vingaram no Brasil], saber quem eles são dá uma pequena ajuda.

Governo: todos na cidade trabalham de alguma forma para a Abençoada Corporação McDonald's, que é ao mesmo tempo a igreja, o governo e a única empresa.

Os policiais são chamados de Fry Guys (caras da fritura?) - e até este momento achava que eles usavam uniformes felpudos por causa da garota pássaro. Faria sentido também ser o termo para os anjos, já que é a personagem com asas. Nunca tinha visto esses "pingos com pernas" do McDonald's antes. Mais um personagem detestável para a lista.

A cidade-estado, aproximadamente do tamanho de Salvador e toda pintada de vermelho e amarelo, é cercada com muros 90 metros para proteger os cidadãos da desolação do mundo externo que, além de ruínas, inclui imensos animais selvagens e perigosas gangs de mulheres lobisomem.

Lá também é proibido o consumo e fabricação de qualquer tipo de alimento que não sejam as McRefeições. E você não pode pular nenhuma das refeições obrigatórias.

E aí, finalmente, a última sessão desta explicação antropológica desta sociedade futura:

Saúde: Raramente alguém vive mais que 50 anos e a maioria é obesa. E anos e anos de fast-food, vacas geneticamente alteradas e novas químicas começaram a causar mutações na população. Homens começaram a ter membros adicionais (outro braço, um novo par de pernas, etc) e mulheres, ao entrarem na vida sexual, começam a virar lobos. Por sorte, não basta ter a primeira menstruação, elas só sofrem transformações ao terem orgasmos. E só neste momento. Se a mulher transar 1 só vez e nunca mais, ela vai ficar parada naquele nível de transformação. [eu posso ter feito vocês pensarem uma coisa errada falando "lobisomem" toda hora. A transformação é fixa e gradual, não tem volta e nem tem relação com a lua cheia. mas vou continuar usando esta palavra mesmo assim]

E como ninguém quer que mulheres virem feras assassinas andando pela cidade, sexo fora do casamento e masturbação também são crimes capitais. E, mesmo no casamento, você precisa pedir permissão para o sexo (apenas para fins de reprodução), para limitar a quantidade de vezes que cada mulher o fará. E é essa a razão para as mulheres casadas andarem de burca: esconder os sinais da transformação. Nesta sociedade que precisa manter a aparência de perfeita, elas não podem andar por aí mostrando bigodinhos felinos, orelhinhas pontudas e pelagem onde não deveria. A Cheetara, por exemplo, seria presa se andasse por lá só de maiô.

Isso, claro, para as mulheres, porque são necessárias para fins de reprodução. Homens com mutações são sumariamente expulsos da cidade se descobertos, para se virarem sozinhos do lado de fora - o que é o mesmo que uma pena de morte. Esta é a mesma pena para as mulheres que comentem o crime de transar antes ou mais do que o devido.

Agora... vocês lembram da parte mais acima sobre "perigosas gangs de mulheres lobisomem" no mundo externo? Agora adivinhem de onde elas vieram e como foi que mudaram de "mulheres com penugem e bigodinhos" para "mulheres-lobo"!


E aí... começa nossa história. Tudo isso acima você fica sabendo aos poucos ao longo dos primeiros capítulos (se bobear, tudo no primeiro apenas), só para ambientar.

Estamos 120 anos depois da fundação da cidade [cerca de 3 gerações apenas? eu teria aumentado isso, fica muito curto para todas as mudanças e, principalmente, para o surgimento de todas as tradições do lado de fora]. Nosso herói (Daniel Togg) é um sujeito de quatro braços (2 deles devidamente escondidos), que, por ensinamento do avô (expulso da cidade quando ele era novo), não só se mantém em forma, como esconde comida para fazer bebidas alcoólicas em segredo.

Seu irmão é um policial e sua antiga namoradinha de colégio foi expulsa da cidade 10 anos antes por ter sido violentada (sem direito de defesa nem nada, sexo sem permissão é sem permissão e pronto!).

E então descobrem que ele tem braços a mais e é expulso também.

Atenção, são leves, mas os spoilers começam aqui.

Mas ao invés de apenas ser expulso, como todos acreditavam que acontecia, ele é levado em comboio para uma base aliada, onde todos moradores são mutantes também e lutam contra as gangs de mulheres-lobisomem. Assim eles ainda servem para alguma coisa e são menos lobas atacando a cidade. E tem outra razão também ainda, que não vou falar, nem mesmo sendo a parte com spoilers, pô, alguma coisa tem que sobrar para vocês descobrirem.

A propósito... mulheres-lobo ou mulheres-lobisomem é muito longo de digitar. No livro as chamam de Bitches. Será isso então, a partir de agora, digitarei só "cadelas". [sem ofensa alguma, elas são as personagens principais e a melhor coisa do livro]

O irmão dele é um dos responsáveis pelo comboio que levará (e outros como ele) para a tal base. Mas eles são atacados por lobos gigantescos. Os que conseguem escapar de virar almoço são encontrados por uma gang de cadelas e tornam-se propriedade delas, e daí podem ser usados ou alugados para execução de serviços, usados como objetos sexuais, ou mesmo (novamente) servir de alimento.

▪ Temos um gordo, amigo do protagonista, que torna-se posse de uma cadela secundária.
▪ O mocinho passa a ser propriedade de uma sádica e mimada cadela ruiva (Pippi).
▪ O irmão policial, que foi encontrado nos destroços por acaso por uma criança da gang, passa a ser propriedade desta. Que está mais interessada em brincar do que alugar, transar ou comer o sujeito. Mas ele não gosta de crianças. E também é o único ali que não estava sendo expulso da cidade, logo, é o que mais pensa num jeito de retornar.
▪ E um cientista da cidade, também mutante, passa a ser propriedade da garota na capa do livro, a Slayer, que é violenta mas é uma das mais racionais. [lendo o livro, eu tinha a sensação de que ela me lembrava alguém... aí deu o estalo: eu a estava imaginando com a voz da Tigresa, do Kung Fu Panda - e é mesmo uma boa comparação]

Agora os spoilers são mais pesados, se preferir, pule até a linha pontilhada.

Ficamos conhecendo também mais alguns das cadelas, todas com boas descrições, diferentes níveis de "lobitude" e personalidades variadas, e aí... outro grande spoiler: o cara reencontra a antiga namorada, Nova, que se integrou a gang depois da expulsão.

Que por sua vez, tenta negociar com a Pippi a posse dele, que apenas a deixa a ruiva ainda mais sádica e possessiva. E, para piorar, a ruiva quer ter um bebê.

E aí a história, que já estava bem legal, engrena de vez, com ânimos extremamente acirrados entre a Nova e a Pippi (que é adoravelmente detestável), o cientista achando tudo interessante e fazendo amizade com a sua dona, e o irmão policial se acostumando em ser uma babá (mas sempre querendo voltar para a família), o exército de mutantes (a base para onde eles iam no começo) atacando as cadelas (e bolando outros planos paralelos), e nossos heróis precisando avaliar sua lealdade e se as motivações e atitudes daqueles que deveriam defender a sociedade estão corretas.

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Óbvio que você sabe que os mocinhos e as lobas ficam amigos. Mas mesmo assim, o caminho é torto, trocas de papéis, brigas de casal, machados, pulgas, o Chewbacca [mentira, mas uma das cadelas parece muito com ele] e um bebê a caminho. E cheio de morte, personagens interessantes que tombam mesmo. Eu esperava a saída de qualquer um a qualquer momento, não teve dessa de "óbvio que esse/essa fica vivo até final", foi quase georgemartiano!

E o final nem é tão exageradamente clichê - as cadelas não vão morar na cidade e nem o governo é derrubado nem nada. E também não chega a ser um "a luta continua!". Foi um bom final, correto, e que se encaixou perfeitamente.

Até o destino final do "triângulo" "amoroso" principal ficou bem interessante. Ao ler o livro eu sempre tinha aquela sensação de que "ok, vai acontecer X porque sempre acontece X!", mas o X não parecia correto, não estava encaixando bem na minha cabeça pela história sendo contada e eu não via uma alternativa muito boa. Mas, aos poucos, o cara nos empurra numa direção Y que foi uma solução interessante. Pensei em escrever "e adulta", mas... é um livro sobre gangs de mulheres-lobo em motocicletas, McDonald's e mutantes, incluindo um general de 6 braços que usa uma motosserra em cada uma...

Mas não se engane, também não é literatura para menores de idade.

Nem tem tanta pornografia, mas há algumas passagens um tanto "gráficas" demais. Não adianta, autores de bizarro sempre tem uma queda por fazer algo assim. Mas as passagens são rápidas e sem descrever em excesso. Há uma que é bem horrível mas, por mais estranho que pareça, serviu à história e ao universo criado. De uma forma bem doida e grotesca de imaginar, mas ok, é uma cena rápida. Não vou falar do que estou dizendo não, você reconhecerá a cena se ler, é logo no começo.

E completando, só para saberem, o livro é o 1º de uma quadrilogia. Por enquanto são só dois, mas o 3º já está para sair e o quarto já está sendo pensado. [é vago, o autor ainda quer ver como ficam as vendas do 3º, mas a capa já existe até]. São eles:


Warrior Wolf Women of the Wasteland
Barbarian Beast Bitches of the Badlands, que inclui:
   ▪ Barbarian Beast Babes of the Badlands
   ▪ Horrendous Horror of the Hateful Hamburglar
   ▪ Ferocious Female Furries in the Forbidden Zone
Pippi of the Apocalypse; e
Dog Destroyers of the Deadlands (possível)

E agora, algumas resenhas:
OBS: eu até tentei achar algumas ruins mas, fora da Amazon, não vi. E, mesmo na Amazon, dos 5 que deram nota abaixo de 4, 3 elogiam o livro na verdade.

The Book Hunter: (...)  it sounded like the worst book in the world. (...) After finishing the sample, I knew I wanted to read the whole book! It was that good.
CSI: Librarian: (...) it was also really, really enjoyable. (...) In conclusion, incredibly good.
Dangerous Dan's Book Blog: I can't recommend Warrior Wolf Women of the Wasteland enough. It's not just a great Bizarro book, it's a great book. Period.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Depois do Fim

Título original: Soy… el último
Autor: Curtis Garland
Pseudônimo de: Juan Gallardo Muñoz
Editora: Cedibra  --  Ano livro / história: 1977 / 1972
Coleção: SOS Ficção Científica (Série Amarela-18)
Tradução de: Margarida Santana Gandra
Páginas: 128  -- Sem ISBN e acabamento barato
Tamanho: de uma foto (+/- 10x15 cm)

O futuro... No longínquo ano de 1986! Estados Unidos e China desenvolvem armas com algum novo tipo de radiação e, aí, o navio com elas afunda. [eu não consegui achar a parte certa agora, mas acho que foi um acidente, e não um ataque]. E no espaço, alguns meses depois, um astronauta que estava sozinho é obrigado a descer no planeta pelos protocolos automáticos de sua pequena nave. Ele preferia ficar lá e morrer de fome ao invés de encarar o planeta em sua devastação, mas... não teve jeito. E agora, que tipo de mundo espera o nosso herói?

Finalmente, depois de "algum" tempo, leio mais um livrinho da coleção SOS da Cedibra. O ruim é que, por mera coincidência, foi do mesmo autor da última postagem, e aí... Não só isso, como descubro que ele voltou ao mesmo tema! Tudo bem... Eu meio que pedi por isso! O livro se chama Depois do Fim e em espanhol é Sou o Último, então... obviamente... seria algo pós-apocalíptico com um sujeito que é o último sobrevivente da raça humana. O que já lembra um pouco o Centúria XXV (o tal livro da última postagem).

A propósito, o Centúria nem tanto, mas esse agora, tem que ter rolado uma inspiração no Eu Sou A Lenda. Será muita coincidência caso não tenha tido. Por outro lado, Talvez o filme do Will Smith passe a ser melhor se eu considerá-lo uma adaptação deste livro, e não do do Richard Matheson.

Opa! Nisso que dá escrever a postagem toda fora de ordem... Estava folheando o livro agora, tentando achar a parte sobre a guerra (?) entre os EUA e a China, para escrever certo lá no alto [que eu escrevi depois dessa parte], e esbarrei num devaneio do personagem, que eu já tinha esquecido:
" (...) alterações genéticas provocadas por um cataclismo universal. Este era o caso, sem dúvida, tinha que ser. "Os Mutantes de Mathieson", por exemplo. Mas isto não era literatura. Nem ficção científica. Era a realidade, crua e direta. A última realidade dos últimos dias do planeta."

Na hora eu nem tive o estalo, talvez por Matheson estar com um "i" errado perdido ali no meio. Mas taí... Não só é a prova de que *foi* inspirado de alguma forma, como o autor foi simpático de nem esconder. Por falar em erro, pô, monge é com G, no livro todo estava com J. Mas fora isso, português com todas as próclises e ênclises devidas, gosto disso nos livros mais antigos. E lá está escrito cataclismo com O, que é estranho, mas também é o correto. Bom saber, nunca tinha notado isso.

Mas voltando... Não só temos o humano perdido e sozinho num mundo arrasado, como [AHA! SURPRESA!] ele descobre que existem sobreviventes que só saem a noite [vampiros? não, só fotofobia mesmo]. E aí é que o voltar ao mesmo tema ganha peso: são pessoas mascaradas que "por trás das máscaras estão todos morrendo pela radiação, com a pela destroçada e nojenta". [acabei de repetir a mesma frase da minha outra postagem].

E aí o nosso mocinho (Milton Zorbe) precisa se preocupar em fugir durante o dia e sobreviver durante a noite, até descobrir uma solução mais permanente ou simplesmente desistir.

Claro, como qualquer livrinho dessa coleção (que em quantidade de texto estariam mais para um "conto longo" do que uma novela ou romance), de ficção científica barata, a narrativa é cheia de coisas que "são assim porque são"e você tem que ler atropelando, porque ela não tinha nenhuma intenção de ser algo mais profundo do que só uma aventura ligeira mesmo.

Então, por exemplo, o primeiro contato dele foi com uma mulher que não fez nada para preocupá-lo, fora o fato de não querer mostrar o rosto e continuar conversando com a luz apagada. Aí ele acende a luz mesmo assim, fica assustado com a quantidade de outras pessoas nas sombras e nota que eles usam mantos e máscaras. Ao invés de só se desculpar com aquela gente assustada (que ele faz, pelo menos), ele resolve ficar com medo e incendeia todo o quarterão, só para ter uma baita fogueira (luz para espantar o pessoal que tinha medo de luz). Até onde ele sabia eram só pessoas com máscaras que podiam muito bem viver naquelas casas.

Para alguém que estava desolado por ser o "último" humano, ficar com medo e resolver fugir quando finalmente encontra sobreviventes... não é o que eu faria. Detalhe: "finalmente" é bondade minha, isso foi no 1º dia dele de volta na Terra. Mas ele deu sorte, porque os sobreviventes comiam carne humana. Viu? É esse tipo de conveniência que temos que suportar nesses livrinhos. Mas eles são assim mesmo, só historinhas pulp corridas e cheias de clichê, e sabendo disso, são até divertidos.

Acho que o cara ter ficado mais de 10 meses sozinho no espaço deixou ele ruim da cabeça. Depois, quando há uma rápida trégua e o segredo dos sobreviventes é revelado e eles tiram as máscaras, o cara fica horrorizado demais só porque eles eram feios, como se tivessem lepra. Tudo bem, a minha geração foi insensibilizada de tanto ver filme de zumbi e outras maquiagens divertidas, mas pô, é só carne caindo, sangue e algumas pústulas, talvez algum pus. Deu nojinho e ele decide que a raça humana deixou de ser raça humana. Não convence. [ainda bem que ele foi ser astronauta, e não enfermeiro.]

Ah, e todos os personagens canibais adotam novos nomes, todos tirados da Bíblia, porque eles acham que a raça humana está sendo punida e eles têm que aceitar o castigo. Pode ser um bom livro para iniciar algum amigo religioso mais fervoroso em ficção-científica - várias vezes o personagem conversava com a "mocinha" dizendo que ele acreditava no Senhor e que tinha que manter a fé, e os canibais ainda por cima veneravam um velocino. Essas "indiretas" religiosas incomodaram um pouco, mas eram tão rápidas que... dane-se.

E, claro, no final, ele acha a cura e fica com a mocinha. E aí eles "saem para explorar e repovoar o planeta." [também tirei essa frase da minha outra postagem]

Só um último comentário, dessa vez pelo menos a capa quase fez sentido. É mesmo um astronauta, num lugar devastado, sendo perseguido por pessoas que usam vestimenta monástica. Só que o cara da capa tem barba e bengala! Fez-me pensar mais no Saruman do que em um leproso radioativo canibal. Até imaginei, pela capa, que 'depois do fim' [ha!] o mundo teria descambado de volta para a magia.

Mas é isso. É uma adaptação safada de Eu Sou a Lenda com toques de De Volta ao Planeta dos Macacos, mas continuam sendo bons livrinhos para carregar para salas de espera (ou casamentos) e ler sem compromisso. E como ninguém [ninguém!] resenha esses livros em nenhum lugar, aguardem, que eu volto com mais! [mas se for essa a minha missão na Terra, vou ficar chateado, rs!]

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Riddick 3 / É o Fim

Nome original: Riddick
Duração:
2hs  --  Ano: 2013  --  Trailer
De: David Twohy (de Warlock - O Demônio e Waterworld)
Com: Vin Diesel (de O Resgate do Soldado Ryan, Triplo X e Velozes e Furiosos), Jordi Mollà (de Elizabeth: A Era de Ouro e Bad Boys II), Matt Nable (de Os Especialistas), Katee Sackhoff (de Battlestar Galactica e Plantão Médico) e Dave Bautista (de Guardiões da Galáxia e O Escorpião Rei 3), uma ponta de Karl Urban (de Dredd, RED e Doom) e um tipo de hiena-lince-cão digital.

Iu-rrú! HIENAS! Eu gosto de hienas!

Isto posto, vamos lá!
Descrição: Riddick está num planeta desértico, a escuridão se aproxima e, com ela, animais assassinos virão. Ele precisa conhecer melhor seu inimigo, escapar do caçador de recompensas que tem um distintivo de xerife no peito, e depois correr contra o tempo para conseguir dar energia para a nave que pode tirá-lo do planeta. Ah, e tem uma cena com uma mulher correndo e aí ela morre no meio da corrida.

Acabei de descrever o 3º filme? Não. Esse foi o primeiro. Pensando bem, menti, foi o terceiro. Façamos o seguinte, a gente fecha que foram os dois e não se fala mais nisso!

Eu sacaneio, mas a pura verdade é que isto é justamente o ponto positivo do filme: Riddick 3 é Riddick old school!
E nada daquele mundo repentinamente super-tecnológico que foi o 2º filme, que parecia algo saído de George Lucas, esse está de volta ao esquema "parece o mesmo universo de Alien". O filme tem bem mais similaridades com o 1º ainda, dava até vontade de fazer uma tabela completa, mas não vou ficar me esticando [porque é 1:20 da madrugada]. E apesar de ser um filme sem surpresas, não darei spoiler assim de bobeira sempre. É um bom filme para você fingir que o As Crônicas de Riddick não existiu [outra coisa que me irrita no 2º filme é o uso da palavra Crônicas descrevendo uma história que dura alguns dias...]. Basicamente, Riddick 3 é o Highlander 3 do Eclipse Mortal.

O que temos é uma aventura isolada do sujeito, nada de proporções grandiosas, muitos cenários, o destino de muitos planetas, raças e, quiçá!, do universo na balança... Nada disso. Há uma rápida introdução de como ele foi parar ali, temos 2 cenários o filme inteiro ("deserto" e "dentro da casinha no deserto") e no final o sujeito está de volta à estaca zero: livre pela galáxia, ainda com vontade de matar o novo Dr. McCoy e ainda sem encontrar o seu planeta natal Furya. Uma boa comparação para esse filme seria o Dredd [que nunca resenhei, mas achei o filme excelente]: não é um filme de origem, não tem nenhuma reviravolta para a vida do personagem, ele não salva o mundo nem rompe paradigmas... Foi apenas: mais um dia de trabalho - e amanhã tem mais.

Por falar nisso, Riddick 4 e 5 já estão na mira.

Ah, e não é só o Riddick de Eclipse que está de volta. A boa e velha Starbuck também! Nada daquela dramática Starbuck mística e musical ['Kara Remembers' é muito boa] do final da série, é a durona e sacana das primeiras temporadas, que todos nós amamos.

Se você gostou de Eclipse Mortal é grande a chance de você se divertir com Riddick 3, ainda que este seja um pouco mais voltado para ação e menos para o suspense. E não precisa ter gostado nem ter assistido ao segundo [é até um favor que você se faz]. Se muito, você não saberá quem são os emos de armadura que aparecem nos primeiros 3 minutos. Mas isso não importará do 4º minuto em diante. [talvez importe no 4º filme?]

Li várias boas resenhas sobre o filme, são tantas que resolvi nem ficar escolhendo. Seguem só duas: o Screenrant gostou com pequenas ressalvas: Despite (...) Riddick offers a solid action-horror experience. Já a moça da Tor.com detestou de coração: Riddick came back wrong.


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E novamente aproveitando uma resenha sobre um bom filme para desovar outra sobre um nem tanto... É o Fim! (This Is The End)
De: Evan Goldberg e Seth Rogen  --  1h47min  -- Trailer
Com: Seth Rogen (de Besouro Verde), James Franco (Tristão & Isolda), Jay Baruchel (Aprendiz de Feiticeiro), Jonah Hill (Superbad), Craig Robinson (Hot Tub Time Machine), Danny McBride (Sua Alteza?) e, dentre as muitas participações especiais, Emma Watson (a Hermione) [e que está gatíssima no filme] é a que mais tem alguma pequena relevância na trama.

Eu vi, me diverti, até gostei, mas... isso era para ter sido um filme direto para DVD, não de cinema. Não sei se sou muito chato ou só se a média da população que está muito idiota, mas eu NÃO me acabava de rir só porque alguém fez um comentário jocoso envolvendo esperma ou apareceu o pênis de um demônio em cena - que era a situação padrão para o restante da sala. [com exceção de duas velhinhas que assim que eu entrei na sala me controlei para não perguntar o que diabos elas estavam fazendo ali!! Na cena em que jogam futebol com uma cabeça humana ainda sangrando - meia hora de filme apenas talvez - uma delas tirou os óculos e desistiu de acompanhar. Só ficava olhando para os lados, horrorizada com as pessoas rindo e tentando imaginar se seria possível sair dali sem quebrar a bacia no escuro, e as vezes reclamando algo com a outra velhinha... Na hora isso estava me irritando profundamente - já que eu estava na cadeira ao lado - mas agora até que estou achando bastante graça. O pior é que as duas ficaram até o final mas saíram antes das luzes acenderem... Porra!, podiam ter saído antes então! E claro, saíram reclamando horrores do pior filme da vida delas.]

Voltando ao filme, o que temos de história é: são vários atores, interpretando eles mesmos, mas sem medo de se sacanearem das piores formas possíveis, presos em uma casa e tentando sobrevivar ao apocalipse católico, após o arrebatamento ter acontecido. Então eles sabem que estão ferrados.

O problema é que o filme perde muito tempo com piadas internas ou fazendo referências à filmes pouco conhecidos por aqui. É um filme de nicho. Deve ter sido absurdamente engraçado para quem acompanha a carreira destes caras e conhece um pouco de suas biografias [ou das fofocas sobre eles]. Imaginaria fácil o filme enchendo salas numa Mostra Rio. Também é um filme para quem acha que humor de banheiro, um pênis em tela e algumas piadas chulas já valeu o ingresso.
Eu rio de vulgaridades também, claro [praticamente o único tipo de piada na minha família], mas eu sempre espero um pouco mais que isso; e o filme teve pouco deste 'pouco mais'.

Para contrabalançar, uma resenha do Cinema com Rapadura. Eles gostaram mais:
Seth Rogen realiza um dos trabalhos mais hilários do ano.

sábado, 8 de junho de 2013

Depois da Terra

Nome original: After Earth
Duração: 1h40min  --  Ano: 2013  --  Trailers: 0, 1 e 2
[os trailers têm várias cenas que foram cortadas]
De: M. Night Shyamalan (de O Sexto Sentido e A Vila)
Com: Will Smith (Um Maluco no Pedaço), Jaden Smith (o Karate Kid 2010), Zoë Kravitz (a garota-borboleta do X-Men: Primeira Classe) [sim, é parente do Lenny] e Sophie Okonedo (de Æon Flux).

A história: nave cai no planeta, papai quebra as pernas, e filho precisa achar o sinalizador para pedir ajuda - que por sua vez está em outra parte dos destroços, à 100 km de distância. E ele precisa fazer isso logo, porque só tem 4 dias de oxigênio reserva e a floresta está cheia de bichos homicidas.

Detalhe, o conceito originalmente concebido era o mesmo, mas sem ser no espaço. Seria só uma floresta normal, um acidente normal e, sei lá, o garoto provavelmente ia buscar o rádio. Todo o resto do filme é puro enfeite high-tech.

Então... Eu quase não fiz essa postagem procurando o que dizer. É um filme legal, mas... É só um garoto correndo pela floresta, vencendo alguns medos, belos cenários, aí inventam toda uma sub-história sobre uns monstros alienígenas só porque provavelmente não teria nenhum bicho terrestre divertido o suficiente para usar. E porque ao invés de só mostrar o garoto ficando corajoso, é muito mais óbvio para o telespectador tapado mostrar que, quando ele finalmente queima o seu cosmo, o monstro fica até burro, olhando para os lados... "Cadê você? hein?" [porra de ETs burros, que não souberam criar um assassino mutante mega poderoso... com olhos!]
E claro, você começa o filme sabendo exatamente que essa será a cena final. O moleque matando o bicho fazendo pose de "Sou foda! Estou na sua cara e você nem me vê!" É um filme com absolutamente nada de surpresa. Talvez a águia, mas nem tanto. Eu estava com a impressão de que ela surgiria no final, ajudando o garoto contra o monstro. Pelo menos teve uma piadinha no fim, ao invés de só ficar no abraço.

Outra coisa ruim é que o Will Smith estava estranho no papel. Ok, ele é um pai que ficou meio endurecido e fora de prática. Mas exageraram. Quando o garoto anuncia no começo do filme que "Ele foi o primeiro fantasma", a primeira coisa que eu pensei foi "Ah! Ele é um clone então! Explica não saber sobre emoções.", a impressão errada durou poucos instantes e aí voltei a achar ele só ranzinza até demais.
Sobre isso, o próprio Smith declara que o personagem não era um bom exemplo paternal.
Ah, e a "mensagem ecológica" também ficou meio forçada.

Algo legal sobre o filme é o visual da tecnologia humana - tudo parece feito de ossos ou de bambu, com muito pano para todos os lados. A "espada retrátil que não é de luz" também é um conceito interessante, mas não é novidade deste filme (nem do Sulu no novo Jornada nas Estrelas), acho que a primeira vez que vi isso foi num filme vagabundo, destes pós-apocalípticos, acho que com Patrick Swayze, e alguém no filme tinha uma espada ninja retrátil. Mas acabou que no filme, toda aquela conversa de "essa espada tem 22 configurações" não foi usada realmente... Imagino se isso não foi dito lá já pensando nos usos que ela terá num eventual desenho animado ou nos livros (que já existem até em português). No filme ela foi usada como espada, como foice (uma espada torta) e como... uma espada maior. Ok. Eu não teria perdido meu tempo fazendo a espada do garoto ter vários formatos.
Por falar nisso, qual o problema deles com revólveres? Por mais que o monstro fosse imenso, se o moleque matou ele com duas estocadas a queima roupa, imagina o que não faria com uma Uzi! Eles estão no futuro! Devem ter inventado alguma arma melhor do que um facão!

Pelo menos no futuro a humanidade passou a usar Quilômetros ao invés de Milhas. Com sorte, esse tipo de mensagem "subliminar" convence os americanos a largarem as unidades imperiais algum dia.

Mudando de assunto, ainda estou tentando entender o que é que reclamam tanto desse filme associando ele à cientologia. Bem da verdade, nem no A Reconquista eu vi nada de propaganda cientóloga (?) no meio. Ok, foi um filme horroroso baseado num livro ruim escrito por um idiota (vulgo: o fundador da seita). Mas... e daí? Nada no filme estava me dando "lições de moral cientologistas" nem tentando me convencer de nada, ou sutilmente passar as ridículas doutrinas deles para mim. E mesmo que fizesse... Grandes merdas também! As Crônicas de Nárnia joga metade da Bíblia na nossa cara e ninguém reclama. A Viagem é uma baita viagem kardecista e também não ligo. Eu não ligo para nada!... Desde que o resultado final seja bom. (ou aceitável pelo menos)
Pô, um dos argumentos que eu li associando o filme a Cientologia é porque tem uma cena num vulcão! Porra, meu filho! Sabe o que também tem vulcão? O Havaí! [malditos tocadores de ukulelê... eu sabia que estavam tramando algo!]

Tem gente reclamando (e dizendo que é coisa de cientologia) até do slogan do filme, que achei tão legal. Parece saído de uma revista do Lanterna Verde: "O perigo é real. O medo é uma escolha.". Como se isso não fosse bem parecido com a famosa frase de "Nada a temer, exceto o próprio medo", que é de ninguém menos que o Roosevelt! Quero ver americano falar mal dele...

Não vi ainda ninguém reclamando que o nome do personagem do garoto (Kitai) é "China" em vários idiomas. Deve dar para criar alguma teoria conspiratória com isso também...

Bem, foram duas horas divertidinhas, passatempo interessante. Não é um grande filme, é todo esburacado, mas não merece todas as críticas ruins que estou vendo. Podem ver desde que vocês estejam tranqüilos sabendo que o filme são 90 minutos do filho do Will Smith fazendo cara de choro, correndo pela floresta, e o pai agindo de forma babaca. E aí no final eles se abraçam na tradicional cena de "Estou orgulhoso de você, filhão!".
Era só isso mesmo que eu esperava pelo trailer. Então tudo bem.

E se você já viu, por favor, o FAQ sobre o filme, do iO9 é imperdível.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Oblivion

Nome original: Oblivion [detalhe curioso, "oblívio" existe em português]  --  Trailer [mas prefiro que não vejam]
Duração: 2h06min  --  Ano: 2013
De: Joseph Kosinski (de Tron 2: O Legado)
Com: Tom Cruise (de Negócio Arriscado e muitos outros), Morgan Freeman (de Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões), Olga Kurylenko (de 007: Quantum of Solace e Sete Psicopatas e um Shih Tzu) [e parecendo muito com a Zeta Jones nesse filme], Andrea Riseborough (de, e a própria, The Devil's Whore) [eu vi esse seriado, muito bom], Nikolaj Coster-Waldau (o Jaime Lannister e de Virtuality) e Melissa Leo (de Verônica Decide Morrer).

Sinopse: a Terra foi atacada por ETs faz uns 60 anos, os humanos venceram, mas o lugar ficou tão acabado que todo mundo que sobrou precisa se mudar para uma lua de Júpiter. Na Terra ficaram alguns técnicos e suas esposas, responsáveis por fazer a manutenção de robôs sentinelas, que protegem grandes geradores de energia (?) necessários para a colonização do satélite. Geradores que por sua vez precisam ser protegidos de alguns dos ETs que acabaram sobrando no planeta. Até que... o mocinho descobre que tem coisa mal contado. E o trailer já te estraga uma das principais.

OBS: daqui para baixo dou poucos spoilers, mas dou. Estejam avisados.

Opinião: vou logo assumir: eu queria não ter gostado.
Putz, é Tom Cruise [o retardado mór da Cientologia], metido numa FC bem pretensiosa, e onde metade do filme é o rosto dele em close. [obs: achei que ele estaria mais acabado até] Mas... Gostei. De repente estou virando um velho babão e sentimental, ou de repente foi só porque fui com expectativas tão baixas, que qualquer coisa era lucro, sei lá.

O filme é uma chupinhação tremenda de várias idéias antigas e recentes... Contudo... as referências ficaram naquele nível de forçada que você não sente sutileza, mas não sentia que eles estava sacudindo na sua cara "Vejam, estou fazendo uma referência! Referência! Lálálá!". Então tudo bem.
A propósito, aquele papo de que "Baseado numa graphic-novel" até onde vi, é balela. Primeiro, se nunca publicaram, nunca passou de uma idéia. E "Baseado numa idéia" é... digamos... tudo. [exceto documentários?] E ao que tudo indica, nem tinham mesmo a intenção de publicar. Mas nesse link dá para ler o texto e artes conceituais. Interessantes.

Mas voltando ao papo de chupinhação... Para quem já é fã de ficção-científica muitas coisas devem ter ficado óbvias, ou foram ficando em seqüência durante o filme, antes deles próprios fazerem cada revelação.
Poxa, na hora que ouvi alguém dizer pela 1ª vez "zona proibida", a primeira coisa que eu pensei foi "ho, ho, ho... tem coisa escondida lá". Muito, muito, manjado. Só faltou um orangotango dizendo "Você pode não gostar do que encontrará."

Mas o filme fez tudo isso tão calma e vagarosamente, que sei que depois de escrever a minha resenha e começar a ler a dos outros, verei gente reclamando da lentidão. Juventude alucinada, que não consegue desviar os olhos do celular por 15 minutos! Pô, vocês podem ter detestado o filme, mas não reclamem dele ser lento! Vão ver "2001", cacete! [vi pelo menos meia-dúzia de vezes e certamente muitos nerds viram mais]

Mas além de Planeta dos Macacos, senti ali - não posso afirmar que foram referencias diretas, porque é tanta gente se inspirando em tanta coisa, ou até fazendo igual de forma independente, que a inspiração deles pode ter sido algo mais antigo, ou mais recente, ou terem criado parecido por coincidência mesmo - mas senti no filme referencias à Jornada nas Estrelas: O Filme (a seqüência da entrada na V'Ger), Lunar (clones em estações diferentes), 2001 (as naves bolotas e o olho do Hal) e lembrei muito de algo que, na verdade, não é de filme nenhum, e sim uma zuação com vários - e a tal zuação ficou mais parecida com este filme que os zuados especificamente... Vou colocar no final da postagem. Ah, e claro, muito vagamente lembrei de Stargate. Coisas em forma de triângulo não são exclusividade humana, mas ter logo um nome (Tet) que parece egípcio (Set, Djet, Tausret, Sejemjet...)?! [mas ok, pode ter sido o ET escolhendo um nome marketeiro melhor do que, sei lá, Mxyplyzyk.]
Aproveitando, gostei muito da buzina de alerta dos drones. Lembrou-me bastante o som que faziam os marcianos no Guerra dos Mundos, quando queriam colocar todo mundo para correr só por diversão.

Acho que no futuro este filme terá mais reconhecimento do que ele deve estar tendo agora. Novamente, ainda não li opinião alguma a respeito, mas esse filme tem muita cara de que a maioria dos críticos vai reclamar. E boa parte das pessoas também. Até eu queria estar esculhambando... Mas... é, né? Cheio de buraco, mas gostei. Igual queijo suíço. [na verdade, eu não gosto de queijo suíço, mas não quis perder a piadinha ruim]

Na pior hipótese, o filme deve ser apreciado por um detalhe horrível... Nossa memória curta e o fato que é impossível saber tudo sobre tudo. Muitos marcos da minha infância foram filmes dentre os anos 50 e 70. Mas muitos desses filmes são inspirados em outros mais antigos, ou livros, ou as mesmas idéias foram aproveitadas antes em outros filmes. Mas eu não conheço esses. Eu mesmo sacaneei as versões anteriores de O Mágico de Oz algumas postagens atrás, dizendo que ninguém lembra ou liga para elas.

Para muitos, de hoje em dia, a TET foi a primeira vez que viram um computador maligno com um único olho vermelho. Alguns deles descobrirão, muito depois de agora, um tal de HAL, que apareceu num outro filme, um aí, pré-histórico, com uma nave em forma de cotonete. Acontece. Nem posso culpá-los.
Kurosawas me mordam!, eu vi Mercenários das Galáxias muito antes de Os Sete Samurais. Adivinhem qual deles é um marco para mim?

MUITO
(mas muito!) longe de mim querer induzir minimamente que esse filme seja o 2001 da geração atual. [mesmo porque a história está mais para A Ilha ou, até, Matrix, do que 2001] Mas já sei de pelo menos um sujeitinho de uns 13 anos que achou esse filme um dos melhores filmes que já viu (se não o melhor). Pobres diabos ignorantes... Mas novamente, acontece com todos nós.
Eu conheci primeiro A Hazy Shade of Winter pela versão das The Bangles, e não a original de Simon & Garfunkel. Adivinhem qual é minha preferida? Pois é... Acontece!

Agora, voltando ao filme, uma dúvida importante (um dos muitos buracos, mas esse foi o que me incomodou realmente): qual a necessidade de humanos nas estações de controle? Essa pirâmide espacial dos infernos não sobreviveria muito tempo sem outras naves que pudessem fazer sua manutenção. A porcaria sabe criar clones, mas não sabe criar um braço mecânico? Que consertasse ou rebocasse as naves para desmanche?
E com tantos drones no espaço, não poderia mandar mais alguns para Terra? Ou fabricar mais, já que tem, literalmente, um planeta inteiro de recursos à disposição?

Eu gostei do filme, mas esse é um daqueles "detalhezinhos" mal explicados que invalidam todo o enredo, mas você tem que aceitar, porque sem essa "pequena forçadinha" de barra... o filme nem existe.
E sejamos francos, a droga da nave devia estar se divertindo, porque para matar os humanos era só espalhar algum veneno na atmosfera. Ou ao invés de tirar água do mar logo ali, na praia, tirar no meio do Oceano Índico. Queria ver algum rebelde chegar lá remando...

Ah, e os outros (pelo menos, e sendo humilde) cinqüenta Jacks? Estão sendo avisados de tudo que aconteceu e sendo resgatados ou morrerão todos de fome em suas casinhas high-tech? E a Olga passará o resto da vida se escondendo deles?

E está aqui o que esse filme me lembrou:



E resenhas alheias:

Super Hero Hype: nota 7 (que lembra algo: o filme é bem bonito. Podendo, veja no IMAX)
The Verge: "Oblivion aspires to what sci-fi does best"
Cinema com Rapadura: "empolgante nos efeitos, mas maçante na história"
Omelete: "sem a capacidade de ir além dos filmes que o inspiraram."
Dimensão Cinema
: "uma declaração de amor à ficção científica. Contudo, isso não o isenta de falhas"

domingo, 24 de fevereiro de 2013

24 meses de jogos no PC

É isso aí... faz tanto tempo que não resenho jogo, que vou fazê-lo de uma só vez para tudo que joguei nos últimos 2 anos e que não tenha tido a própria postagem, como o Rage ou Duke Nukem Forever [que ainda está em rascunho]. OBS: tudo PC, não jogo video-game desde o Atari 2600.

Comentário making-off: comecei a postagem como "Doze meses de jogos", mas no meio vi que era muita coisa, e eu não jogo tanto assim (demoro bem para terminar cada um); chutei 2 anos então. Não tenho idéia do tempo real que levei.


The Walking Dead, Telltale
(wikipedia / site oficial / trailer)

História: escapar vivo de um mundo dominado por zumbis e gente ruim. Importante: é jogo de aventura, você anda, conversa, resolve coisas, faz amizades (ou não). Não é só sair desmiolando mortos-vivos com sua bereta (mal tem isso no jogo).

Jogo ganhador de vários prêmios do tipo "o melhor do ano". E talvez tenham sido merecidos mesmo. É muito bom. Mesmo estilo do Sam & Max, mas com muito mais decisões morais. E todas tendo que ser tomadas sem tempo para pensar.
Só estejam com seu inglês em dia, por não ter percebido (na pressa) a nuance de uma frase no começo do jogo, escolhi uma opção que fez o cara de bigode me olhar torto metade do jogo. Pô, nem foi de propósito, e na hora não me ocorreu que eu podia ter voltado um pouco o jogo sem recomeçar a fase inteira. Mas atentem: não dá para ficar nessa de salvando, testando, voltando e refazendo não. O jogo salva quando ele quer e ponto final. Talvez para desmotivar esse tipo de malandragem.
Ótimo jogo, mesmo que você não seja fã de zumbis.
E joguem também Sam & Max!


The Elder Scrolls V: Skyrim, Bethesda
(wikipediatrailer) [sem link para o site oficial pq ele é muito ruim]

História: salvar o mundo de dragões homicidas e vencer uma guerra, tudo isso enquanto passeia pelo lugar explorando e fazendo dinheiro para comprar armas e roupas melhores.

Gigante! Cacete... É muito grande! [uia!] Vejam essa musiquinha e esqueçam do mundo por muitas horas. Muitas! E olha que meio que desisti de fazer tudo. Não sou muito fã de jogar várias vezes, cada uma com um alinhamento ("Sou bonzinho, e só farei coisas caridosas e limparei o mal do mundo"). Não... A velhinha me pede para salvar o gatinho... Eu mato 50 orcs piratas mágicos e salvo o gatinho. [isso é um exemplo, não aconteceu no jogo] Mas a Guilda dos Assassinos me pede para matar uma noiva inocente, no seu discurso de casamento [isso aconteceu]... "Missão dada é missão cumprida!" E não é que eu seja um cara mal... É que sei que nunca terei o saco de recomeçar o jogo todo de novo, mas agora sendo bandido... Depois recomeçar sendo ninja... Depois rejogar sendo uma margarida! Não, já que o jogo permite, faço tudo de uma vez e pronto.

Em Fallout não dava, então eu seguia minha consciência. Até comecei a rejogar uma vez, sendo o maior dos filhas da puta... Mas matar todo mundo de forma inconseqüente é divertido por alguns minutos, não para refazer o jogo inteiro. Pelo menos vi o que acontece se você NÃO desarmar o explosivo na cidadezinha com uma bomba atômica encravada no meio.

Voltando ao Skyrim, pelo menos posso me orgulhar de não ter feito nenhuma missão de cortar madeira. Nem me pediram. Mas putz... O que eu tive que fazer de cordãozinho e anel, só para botar feitiço e depois vender (ou jogar fora), só para aumentar meu % de Encantamento...rs!!! [em compensação, fiquei com um arco foda quando finalmente pude colocar 2 feitiços nele] [alguém, me mate... por favor!]

Falemos de problemas. Algo que poderia mudar nesta série no futuro (ou voltar, não sei como era isso antes do Oblivion) seria justamente criar um senso de responsabilidade ou de urgência. Se a mocinha na floresta pede minha ajuda para achar o marido, eu até tenho a opção de responder "Vai se catar que tenho coisas mais importantes para fazer."
Mas isso é mentira. A opção está lá só para se você quiser ser babaca. Agora... Se eu resolvesse ajudar a mocinha e a história do jogo NÃO PARASSE enquanto isso, minhas decisões teriam peso.
De repente, no tempo que eu levei até descobrir que o cara morreu no fundo de uma caverna, só para avisar a garota que ela agora é viúva... Uma cidade inteira poderia ter sido destruída. Ou não. Ou a mulher pode ficar grata pela ajuda desinteressada e me dar algum poder único no jogo. Ou não também, e só ficar lá chorando. As decisões tinham que ter alguma utilidade e conseqüência. E não apenas "Num momento X do jogo você pode entrar no exército A ou B." e daí em diante algumas missões serão diferentes.

OBS: não terminei o jogo ainda, acabei de passar dessa parte acima. Não podia continuar o jogo e organizar uma reunião entre os 2 lados em guerra sem me juntar à algum deles (os Imperiais ou os insurgentes). Eu não queria fazer inimizades, mas as missões paralelas estavam cansando (missões de ladrões, de assassinos, e as da mocinha lobisomem que só fica me pedindo para matar bicho).

Voltando ao problema do tempo, se alguém me pede para entregar uma carta para o filho no outro lado do continente, numa viagem de dias, eu deveria me sentir compelido a NÃO fazer aquilo instantaneamente, e me programar para entregar a carta só quando eu estivesse passando pela região. Como o jogo é agora, eu posso gastar 5 dias (de dentro do jogo) para entregar o papel, voltar (mais 5 dias), avisar o cara "Tudo certo, entreguei o cartão de Boas Festas para o seu filho" só para ganhar 10 moedinhas, e, nesses 10 dias... O MUNDO PAROU. A guerra NÃO seguiu em frente e dezenas de pessoas NÃO morreram porque eu fui relapso em evitar ataques de dragões. E nem em momento algum irá aparecer na tela "VOCÊ PERDEU! Sua incompetência generalizada em salvar o mundo causou a destruição do planeta" Ok, até chegar ao ponto de aparecer essa mensagem você teria que ser muito ruim e já estar andando num cenário de cinzas. Mas deveria existir a possibilidade. Não existe.

Outra coisa é que o jogo entrega as coisas muito facilmente, não te deixa parar para pensar "O que eu faço agora?". Tem uma parte do jogo que eu prendo um dragão e preciso descobrir um endereço com ele. Ele responde: "O único jeito de você chegar lá é voando. Solte-me, que te levo. Pode confiar."
Novamente, o jogo me dá opções de respostas como estas:
A) "Nunca! Maldito lagarto voador!"
B) "Mas como eu posso acreditar em você, dragão?"
C) "Sério? Sempre quis voar. Partiu!"

Só que o computador atualiza minha missão para "Monte o dragão e vá até o lugar". Putz... Então É ÓBVIO que eu posso confiar nele. E toda a conversa é irrelevante.

Minha missão tinha que ser "Chegue no lugar" e aí... na conversa acima as opções realmente teriam utilidade. Eu podia matar o bicho e me ferrar procurando o lugar a pé (mas ter como chegar lá assim). Poderia tentar entrar num acordo. Ou poderia acreditar nele, e, aleatoriamente, ou o bicho me levar lá mesmo... Ou me soltar numa cratera com 5 dragões e sair rindo (ou seja, eu não devia ter confiado nele).

Além do jogo entregar muito facilmente o que tenho que fazer e não me dar nenhuma senso de dever, há também problemas técnicos. Muitos bugs aqui e ali (que eu vejo soluções pela internet, como um cara que me manda entrar na sala dele, mas não abre a porta, ou o computador me mandar ir perguntar algo para um sujeito e a pergunta não aparecer nas opções) [obs: os patches corrigem boa parte dos problemas, mas como sempre criam novos, eu prefiro ficar com os antigos e arranjar soluções paralelas, via console], e alguns problemas de, digamos, planejamento: há horas ou muito difíceis, que você precisa ficar maceteando, ou você é bem mais poderoso e vai de peito aberto sem nem se preocupar. E seus companheiros são idiotas. São bons só para você carregar mais coisas e depois vender, mas agora que já tenho dinheiro para cacete no jogo, deixo eles em casa. Até casei com a mocinha de rosto pintado estilo Coração Valente, mas larguei ela em casa também (assim a Lydia tem com quem conversar).
Sobre a burrice e ficar maceteando... A programação dos inimigos chega a irritar. Vejam esse vídeo. Isso acontece! O cara pode ter uma flecha encravada na testa, mas se você se esconder, o sujeito fala "Ah, deve ter sido minha imaginação..." e volta aos seus afazeres. Porra! É uma FLECHA! ENCRAVADA! NA TESTA! O sujeito pode até não te achar (já que você está escondido), você pode até flechá-lo novamente com direito ao bônus de furtividade (porque você está escondido), mas o cara voltar à comer o café da manhã [aconteceu!] é demais!

Mas falemos de algo mais importante. Os ursos! Ah, os ursos! Minha diversão no jogo: me esgueirar perto dos que dormem em montanhas, e dar o "grito empurrador" neles abismo ou barranco abaixo! Muito bom. Sempre divertido. Com tigres não tem a mesma graça, ursos são gordinhos e fofos. E pelo jeito, não sou o único maluco: link e link (o 1º é melhor, e depois desses, achei vários outros).

Por falar em diversão, para verem como é a jogabilidade, seguem abaixo os episódios do Nerdplayer sobre o tema. Talvez sejam mais engraçados para quem jogou, mas são muito bons: Episódio 1  --  Ep.2  --  Ep.3  --  Ep.4  --  Ep.5  --  Ep.6


Limbo, Playdead
(wikipedia / site oficial / trailer)

História: Chegue ao final do... hummm... limbo (?) para... eeerr... e aí... E tem uma aranha gigante e lesmas brilhantes... E aí você chega na...  onde tem água e engrenagens. O enredo oficial diz que você está em busca da sua irmã, mas nada no jogo te diz isso. Não importa. Quem aqui jogou Mario pensando no bem-estar da monarquia? Pois então...

Ouvi falar faz muito tempo do jogo. Lembro de Jovem Nerd falando disso em algum podcast, vi elogios por aí... Mas só fui jogar faz quase 1 ano. E levei uma eternidade (sei lá, meses), não por ser muito difícil, mas que estava tão bom, que não queria só acabar logo. Jogava. Resolvia um quebra cabeça, e parava ali. Ia dormir satisfeito, feliz com minha inteligência e com a sinistralidade do jogo.
Ou... Não resolvia o mistério, e ficava preso lá... Achando-me uma anta. Mas não vi nenhum solução via Youtube. Fiquei preso algumas semanas em algumas partes. (OBS: jogava só na hora de dormir e raramente mais de umas 2 vezes por semana). Olhando, olhando... E morrendo das mais dolorosas formas possíveis.

Jogo excelente. Lindo de ver. E com um final vago, mezzo-incompreensível mezzo-trágico, que pode deixar a história ainda mais bonita dependendo de como você o interprete.


Dishonored, Bethesda
(wikipedia / site oficial / trailer foda / trailer recente)

História: falsamente acusado de matar a imperatriz, você precisa escapar e resolver toda a situação. Ou matando todos em seu caminho, ou na moita, sem ninguém perceber. Isso tudo numa cidade steampunk, infestada de ratos, com pouca munição e alguns poderes mágicos.

Detalhe, quando vi o trailer acima (o com a música espetacular, e não o recente, adoro esses remixes macabros de temas infantis), achei que quem iria se vingar e matar todos fosse a garota, já adulta. Pô, "And up, SHE rises!", e encaixaria no tema e com a voz da cantora. Mas a verdade é que a canção já era com "she" muito antes do jogo. E eu sabia disso, mas teria ficado legal de qualquer jeito - e a vingança seria muito mais vingativa. Ao invés da história se passar toda em poucos dias e os poderes mágicos aparecerem do nada, teriam sido anos de treinamento, sacrifícios pessoais e acordos com o oculto para, só então, estar preparada.
Mas por falar nos remixes macabros, vale relembrar o antigo trailer do Dead Space. Se nunca conheceu ou esqueceu (faz 5 anos), veja.

Dishonored foi o último desta postagem que terminei [ontem]. Excelente! Joguei inteiro numa pausa do Skyrim. Tem lá suas falhas... Matei uma cortesã por acidente andando na direção dela. Eu só estava tentando fazê-la sair do caminho... E aí, sei lá... Acho que ela bateu com a cabeça na sacada ou tinha alguma condição cardíaca e infartou! Droga, quase consegui passar aquela fase inteira sem matar ninguém. Bug do jogo.
Mas muito legal. Para quem fica boa parte do tempo em Skyrim se encolhendo nos cantos, um jogo feito para - ou melhor, que dá a opção - de você passar o jogo inteiro assim... Pode parecer horripilante para quem quer ação... Mas eu me diverti bastante. Mas quem quiser só sair matando, o jogo oferece opções bem divertidas. Alguns exemplos aqui (veja o nº10 também) e tem muito mais no Youtube.

Claro, na fase dos assassinos no bairro alagado, bateu o Dia de Fúria... Pô, era eles ou eu! Soldados davam pena de matar... Eram só servidores públicos fazendo seu trabalho. Mas assassinos de uma gang... Quis nem saber que ia piorar meu % de caos... Mereciam. [e também era mais fácil] Matei a maior parte deles com flechas incendiárias por pura diversão. Burn, motherfucker, burn! Menos o chefe, esse eu não matei só para terminar a fase cumprindo a missão como Não-Letal. Mas isso deu trabalho.

Só foi pena que não vi como não matar a moça na festa... Se bem que pelo jeito ela não seria muito feliz da outra forma. (vi qual era a solução não-fatal no Youtube depois) Mas ok. Para quem matou uma mocinha no próprio casamento em Skyrim...

Ah, linkando o Nerdplayer no Skyrim, vi que tem um episódio desse aqui também lá. Não é tão bom, mas dei boas risadas. Tomem o link para vocês.


Call of Duty: World at War, Activision
(wikipedia / site oficial / trailer)

História: mate soldados inimigos na Segunda Guerra Mundial.

Putz... Por duas vezes, ao entrar no jogo, descobri que todos os saves foram para o cacete! Na primeira eu vi um cheat na internet e voltei para onde estava. Na segunda... Estou nela até hoje, estou esperando ter saco de voltar no jogo. Nunca voltei porque ele é meio chatinho. Diverte, mas não dá aquele estalo de "putz, quero continuar jogando" que qualquer um dos jogos acima teve. Servia para entrar, dar uns tiros e matar alguns NPCs nazistas, e 30 minutos depois ir fazer algo útil. O mais fraco da série até o momento. Até o anterior (sei lá... sempre confundo esse com o Medal of Honor), que era guerra moderna foi melhor. O Airborne do MoH foi bem melhor.
OBS: sim, eu sei que estou desatualizado e que já estão no nono Call of Duty (esse aqui é o quinto), mas esse não me inspirou a experimentar os seguintes. Sei que vou jogá-los algum dia, mas não fiquei com pressa.


Project 6014, Cedric Horner e outros fãs
(wikipedia / site oficial / trailer / abertura)

História: salve a galáxia derrotando naves 2D, vendendo minérios e ouvindo muita zuação em conversas com aliens.

Eu amo esses caras! Uma continuação para um dos meus jogos preferidos e 17º melhor de todos os tempos pela IGN em 2005.
O Star Control foi um dos primeiros jogos que conheci no PC. Ele nem tinha uma história linear, lembro de várias pequenas missões em que você precisava escolher o melhor caminho, criar colônias para te ajudar, e então atacar. Resolvi jogar o Sins of a Solar Empire (jogo mais abaixo) justamente por ele me lembrar o 1º Star Control. E além disso, uma das opções do jogo era montar times rivais e partir logo para a porrada (na época eu tinha um esquema de cabeça, e sabia exatamente qual era a melhor nave para enfrentar qual).
Um tempo depois, em 1992, surgiu o Star Contro II, com uma liberdade de movimento e humor que não existiam em jogos da época. (ou nada que eu conhecesse pelo menos), e agora com uma história linear. Você simplesmente podia ir para onde quisesse. Claro, não chegava a ser um jogo de mundo aberto, e no final, se você não fizesse as coisas certas, perdia. Mas você podia fazer seu próprio caminho e... importante, com a história se desenrolando em paralelo. Nada de ficar passeando e o universo te esperar. [toma essa, Skyrim!] Numa das vezes que joguei, uma das raças foi aniquilada antes de eu conseguir falar com eles (e sobrou conversar com o parasita). Também perdi outra vez (ou seja, a Terra foi destruída) por não ter feito todos os contatos e descoberto tudo que precisava a tempo. E os contatos com os alienígenas era a melhor parte, era muita zueira dos criadores do jogo.

Bem, poderia ficar o dia todo tentando convencê-los da maravilha que o jogo é. Mas o jogo acabou deixando tantas viúvas além de mim, que 10 anos depois surgiu o The Ur-Quan Masters, que nada mais era que o mesmo jogo, refeito por fãs para rodar no Windows, que pode ser gratuitamente baixado. E acabaram de fazer uma nova versão deste, agora com gráficos de alta definição, gratuito também (site, trailer).

Isso tudo explicado, Project 6014 é a continuação, feitas por fãs, para Star Control II.
O jogo está sendo feito desde 2010 e até o momento só teve versões demo. Mas adorei a idéia. Já joguei a demo e gostei do que vi. Os gráficos estão melhores, mas nem tanto, então ainda tem o ar retrô do original. E tomara que permaneça na versão final, mas encontrei um planeta habitado por beholders de Doom. Pequenas coisas como essa aqui e ali são a graça da franquia. Esperarei ansioso pela conclusão do jogo.
Baixem gratuitamente no site oficial. E como o jogo mal existe e, dele mesmo, não tenho muito o que escrever, segue uma resenha de outro blog.

Ah, detalhe, até mesmo para vocês pegarem a piada no trailer. O Star Contro II *teve* uma continuação. Mas o Star Control 3 não foi criado pelos mesmos caras, e é simplesmente errado em tudo. É o Highlander 2 da série Star Control. Ignorem. É pior que isso até, porque Highlander 2 ainda dá para assistir. SC3 não deu para jogar.


Sins of a Solar Empire: Trinity, Stardock
(wikipedia / site oficial / cenas e review)

História: Minere, colonize, expanda sua esfera de influência, desenvolva tecnologias bélicas, sociais ou exploratórias, crie uma armada, e no final, através da força ou diplomacia, domine todos os planetas de um sistema solar.

Legal. Muito bonito. Interface boa e intuitiva. Mas depois de entender o esquema com algumas partidas experimentais [outra forma de dizer que fui massacrado por não ter lido o manual] e de umas três partidas decentes que levaram muitas horas para terminar... Não me interessei muito em jogar outras. O pecado do jogo foi as fases não irem se acumulando, com uma história que vá ficando cada vez mais difícil. Não. São todas fases soltas mas, diferente do Star Control 1 lá em cima, basicamente iguais e do mesmo nível de dificuldade. Acabou dando aquela sensação de "já joguei uma, agora daqui para frente é tudo igual". Pena.

O jogo tem até o momento 3 expansões: uma voltada mais para o lado diplomático, outra para a defesa, e a última para a guerra civil (o Trinity é o pacote com as duas primeiras embutidas). São várias raças com naves diferentes, cenários mais complicados e etc, há até modificações de fãs que permitem tudo ficar com cara de Guerra nas Estrelas, por ex., mas ainda assim, para mim, caiu no mesmo problema de rejogar Skyrim: não quero fazer a mesma coisa... de um jeito diferente, depois a mesma coisa outra vez de outro jeito, e entrar em loop. Voltarei a jogar Sins outras vezes ainda, mas esperarei mais alguns meses para a próxima partida. Mas não me entendam mal, recomendo. Tanto que ao invés do trailer lá em cima, coloquei um review apaixonado, que é para ver se não desanimava vocês.


Battle vs. Chess, TopWare Interactive
(wikipedia / site oficial / trailer)

História: encurrale o rei inimigo.

Bonitinho para jogar xadrez padrão contra a máquina, e tinha uns quebra-cabeças de destruir pedrinhas coloridas em X movimentos que achei bem legais. Mas as animações, ainda que bem feitas, se levavam "a sério"; só que eu estava atrás de algo mais divertido, como o primeirão dos Battle Chess, lááááá da época do XT! Queria me divertir com as mortes, e não só ver bonecos genéricos à lá Diablo se matando de forma genérica. E simplesmente reinstalar o Battle Chess clássico ou o 4000 não teria nenhuma novidade.


Amnesia: The Dark Descent, Frictional Games
(wikipedia / site oficial e trailer)

História: você acorda numa masmorra, de um antigo casarão, descobre que não tem memória (e que foi você mesmo quem a apagou), e tem que se virar, porque... você... não está sozinho!

Não sei como defini-lo. Seria o jogo um FPH: First Person Horror? [na verdade, lendo os links, o estilo se chama Survival Horror]
Muito bom. Da mesma galera que fez o Penumbra. Mas dei uma parada e acabei esquecendo de voltar. Fica sendo meta para 2013 junto com Alice 2 e Farcry 3. Importante: influências lovecraftianas! E bom para jogar no escuro. Podem jogar o Penumbra também. É antigo e curto, mas bem interessante.


Ah, Angry Birds Star Wars e Piglantis foram só interessantes. Arremessar coisas é divertido (jogo isso desde Gorillas e Scorched Earth até o Camelot Smashalot), mas a empresa do Angry Birds está precisando inventar algo novo e bem diferente, senão, vai morrer estilo Arquivo X, com todo mundo cansado e desinteressado nas "novidades".

E o Bad Piggies, a não muito boa tentativa deles fazerem o que acabei de falar, com os porquinhos construtores, pecou por permitir todo tipo de solução "errada". Pô, eu nem me esforçava mais quando via que podia fazer algo errado, que explodiria ou simplesmente cairia, e faria eu chegar onde precisava. Eles tinham que ter nos forçado a bolar algo que funcionasse direito para cada desafio. Varias soluções possíveis, algumas melhores outras piores, claro, mas não ficar me despedaçando ou explodindo em diferentes ângulos (ou construindo a única coisa possível e acertando de primeira, sem nenhum esforço mental). Acabou que as melhores fases eram os desafios soltos, mas só pela zuação de ficar fazendo experiências, nem tanto pela solução do desafio.


E pronto! Deu mais trabalho do que pensei, mas terminei a postagem! Agora vou continuar jogando Skyrim (acho que levo mais uns 2 ou 3 meses nele) e arranjar algum outro menorzinho para jogar em paralelo. Alguma continuação de Luxor ou algo mais rápido e rasteiro no estilo. Talvez rejogar algum dos C&C de antes de estragarem a franquia no quarto jogo (muito, muito ruim). O Generals ou o terceiro de repente.