Título original: também Winkie [que poderia ser traduzido como Piscadinha ou Piscadela]
Autor: Clifford Chase
Editora: Bertrand Brasil -- Ano livro / história: 2011 / 2006
Tradução de: Bruna Hartstein -- Páginas: 278
Tamanho: padrão, 14x21cm (+/- meia folha A4)
Acabamento: excelente, com direito a detalhes brilhantes e relevo na capa. -- ISBN: 978-85-286-1474-9
Pois é. As vezes eu também leio livros que não são de ficção-cientifica! Com tanto livro interessante no mundo, e com tão pouco tempo até o dia da minha morte, é preciso ter foco. Mas... Quando eu vi a capa do livro, numa andança aleatória pela livraria, não deu para não pegar e olhar melhor. Depois vi a foto da contra-capa (muito boa, mas estou sem nenhum scanner por perto e não a encontrei na internet) [achei a americana, mas é diferente] e, finalmente, não deu para resistir à descrição oficial na orelha do livro:
" Neste engraçadíssimo e surpreendente romance, um gentil ursinho de pelúcia ganha vida e vai parar no lado errado da guerra americana contra o terrorismo.
Após sofrer durante décadas a negligência das crianças que costumavam amá-lo, Winkie percebe que, para tomar as rédeas de seu destino, basta decidir fazê-lo. Então, atira-se da prateleira, pula a janela e segue para a floresta. Entretanto, tão logo começa a descobrir o prazer e as maravilhas da mobilidade, da autodeterminação e até mesmo do amor, sua sorte termina.
Pouco depois de encontrar a cabana de um professor solitário, o ursinho se vê cercado por um esquadrão da SWAT, que imediatamente conclui ser ele a mente maquiavélica por trás de dúzias de ataques terroristas rastreados até a floresta. Aterrorizado e confuso, Winkie é levado a julgamento, no qual a promotoria busca selar o destino do pequenino urso chamando para depor testemunhas dos julgamentos de Galileu, Sócrates, John Scopes, Oscar Wilde e das bruxas de Salém.
Com uma gama de personagens que varia de uma servente muçulmana lésbica a um advogado gago e uma filhote deurso que vive citando lacan, winkie apresenta uma crítica mordaz da paranoia em que vivemos atualmente. Num segundo plano, o romance de Chase é uma bela reflexão sobre as lembranças e o amor que nos remetem àquela época de nossa vida anterior à consciência, quando um brinquedo de pelúcia ou uma simples história podia nos garantir indiscútiveis consolo e sabedoria. "
E de novo, vocês viram a cara de maluco do urso? Eu tinha que ter esse livro. Ok, não li correndo logo em seguida, o livro ficou olhando para mim da estante por mais de 2 anos, mas uma hora todos serão lidos. Foi a vez dele.
Com uma descrição como a acima, apesar de soar bem poética em alguns pontos, eu esperava a história sendo mais corrida e humorística. Longe do escrachamento de um Ted, mas naquela linha. Uma espécie de Ted para quem passou dos 40 e lê a sessão de política internacional do jornal ou é capaz de reconhecer referências ao Julgamento do Macaco (pesquisem por O Vento Será Sua Herança). [claro, gente mais nova também pode entender tudo isso (e muito mais), mas era só para vocês entenderem o ponto.]
O que acabamos tendo é uma história muito mais lenta, com passagens para você se imaginar ali ou refletir nos pequenos detalhes que só um sujeito que acabou de aprender a andar e tem 40 cm de altura (na verdade, não sei a altura do personagem) prestaria atenção. Também são feitas muitas críticas sociais, chamando atenção para dezenas de hipocrisias ou insanidades com as quais convivemos. E claro, muitos momentos bem "viajantes", com passagens quase oníricas, ou outras dignas de Monty Python.
Mas também não pensem que o livro chega a ser psicodélico. Na verdade, o personagem começa o livro sendo preso e assim, num chutão, diria que metade dele são de flashbacks variados, e a outra metade é tomada pelo julgamento do urso, num tribunal.
O urso em si, principalmente no começo da história, nem sequer parecia ser o personagem principal. Como se ele estivesse ali apenas como um intermediário entre o leitor e os humanos com os quais ele convive. Cheguei a imaginar se o livro não seria um jeito disfarçado do autor escrever algum tipo de biografia familiar dele, ainda mais que num dado momento ele próprio é um personagem, mas perdi a impressão com o andamento da história.
Um detalhe, por exemplo, que me decepcionou no começo, mas que depois eu me acostumei, é que o urso praticamente não fala. Ele pensa muito, mas pouco fala com as pessoas e, quando o faz, normalmente não vemos. Há toda uma seqüência em que o urso relembra uma longa conversa que ele teve com o advogado, em que a cumplicidade entre ambos já estava tamanha, que um era capaz de completar as frases do outro... Mas vimos esta conversa? Não. Só o urso relembrando-a.
Cheguei a imaginar até se urso não era mudo, uma espécie de Haroldo (ou Hobbes, o tigre de pelúcia do Calvin) e que, com pessoas por perto, ele nunca se mexeria ou falaria [mas depois eu lembrei que a primeira "cena" do livro é dele sendo preso, andando e com as mãos erguidas]. Ficou só na impressão também, mas não esperem muitas conversas dele com as pessoas - o humor do livro está nas situações absurdas e no reconhecimento das piadas quando elas surgem [e certamente, eu perdi várias].
Na mesma semana em que terminei o livro, por acaso vi no cinema o Dr. Fantástico ou Como Aprendi a Parar de Me Preocupar e Amar a Bomba
e, apesar das histórias não terem nenhuma semelhança, durante o filme o
livro me veio a mente. O esquema é parecido: as piadas vão sendo
jogadas de qualquer jeito, algumas complexas e profundas, outras bem
pastelão, e você vai pegando pelo caminho ou não, e não dá tempo de
pensar muito no assunto porque a cena mudou. Aproveitando o Peter Sellers, se você for fã deste filme e também do Muito Além do Jardim, arrisco dizer que Winkie seja uma boa pedida.
Uma coisa também para vocês se prepararem é que o "vai dar merda" não é só extremamente demorado... Parece que o livro inteiro é feito para você ter essa sensação. São várias pequenas coisas ou acontecimentos, mas você *sempre* fica, o livro todo, com aquela sensação de crescendo [nerd musical!], de que a merda está se acumulando e uma hora a pilha vai virar.
E aí o livro termina e, se você começou a lê-lo com uma expectativa errada (meu caso), você fica com aquela sensação de que foi, de certa forma, enganado, de que a história foi por caminhos completamente diferentes do que a orelha me induziu [nem tanto, mas quando finalmente puxei o livro para ler mal lembrava mais da dela, lembrava só do terrorismo, da muçulmana lésbica e do advogado gago], mas, ao mesmo tempo, queria continuar ali, naquele mundo louco mais um pouco. Como se você juntasse as emoções conflitantes e, ao fechar o livro, as resumisse num lacônico: "Porra! Ué, acabou?" Ou, de forma melhor escrita, parafraseando [vulgo: roubando e alterando] uma moça ruiva [adoro ruivas!] que resenhou o livro no Skoob: "Eu não sei o que o autor quis dizer com o livro, mas eu gostei de ler".
Pois é. Foi isso. Mas não se preocupem, muita coisa lá dá sim para saber o que ele quis dizer, é só maneira de falar. É um livro estranho, esquisito, engraçado, e cheio de boas intenções. Uma boa leitura e dá um bom presente.
Agora, outras resenhas:
Começando pela ruiva: Nanie's World: "Ao mesmo tempo complexo e simples, cheio de significado e apenas mais um livro nonsense." [na foto dela no blog ela está loira, mas tudo bem... ruiva honorária, que seja!]
Paraíso em Papel: "Winkie é assim mesmo, doce, inocente, puro, intenso, tocante, irônico, malicioso e divertido. Como pode um livro ser tudo isso ao mesmo tempo?"
Cultivando a Leitura: "Recomendado a todos que gostam de uma história engraçada, diferente e comovente." [também gostei mais da capa nacional que da original]
E tá bom. Gostei dessas 3, são curtas e diretas. Achar outras resenhas é fácil. Procurem aí. [e, putz!, todas as resenhas que li foram feitas por garotas! será que nenhum blogueiro homem assume que gostou do livro? ou eu que sou muito menininha? rs!]
Numa nota solta, o livro virou até uma peça de teatro (mas, infelizmente, parece que não ficou boa) e, terminando, uma entrevista com o autor.
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domingo, 19 de janeiro de 2014
domingo, 24 de novembro de 2013
The Day of the Doctor
Meninos, EU VI! [gente velha vai pegar a referência cretina, rs!] E não vou resenhar nem fazer uma postagem [acabou virando uma, porque ficou longo] só dizer que foi uma divertidíssima homenagem para os fãs.
De: Steven Moffat -- Com: Matt Smith (o Doutor atual), David Tennant (o Doutor anterior), John Hurt (o Doutor retroativo), Jenna Coleman (a acompanhante), Billie Piper (o clipe falante), Joanna Page (a rainha), Jemma Redgrave (a chefe da UNIT) e Ingrid Oliver (a asmática). -- Ano: 2013 -- Duração: 1h17min -- País: Inglaterra
Pelos trailers (vide postagem anterior), eu esperava que fossem puxar para um lado mais dramático voltado para o canône, focado na história da Guerra em si - sim, ela é um dos fios condutores - mas o que fizeram foi juntar 2 dos doutores atuais (uma pena o Eccleston não ter aparecido), um terceiro +/- novo, uma ponta de um dos antigos, e uma micro-ponta do próximo [isso é spoiler, mas quem tinha essa preocupação, já viu o filme a essa hora], tudo isso misturado com MUITA piada interna e muita fofura e carinho com, e entre, os personagens (e atores).
A história em si não é muito profunda (*) (principalmente a trama de apoio, envolvendo a rainha e vilões com cara de monstros do Jaspion) [mas eles já tinham aparecido antes na série, então respeitaram a aparência] e foi um baita retcon de muita coisa, mas... Dane-se! Foi excelente, espetacular, e EU ESTAVA LÁ! Foi uma sessão super divertida e emocionante. [mas não a ponto de chorar, como alguns fãs]
(*) mas lembrem-se do que eu falei na outra postagem sobre isso, Doctor Who não é sobre criar enredos complicados e te fazer quebrar a cabeça para acompanhar. Doctor Who é sobre os personagens. O resto é pano de fundo.
Ah, e os fãs. Parte de toda diversão foi a sessão lotada, só com fãs igualmente malucos pela série, que reconheciam e entendiam cada zuação. [e se acabavam com elas] Eu até esperava gente um pouco mais esquisita, algum cosplay, mas até que se comportaram. Tinha um cara com um capa estilo Matrix [hein?], outro sujeito com marcações na pele [estilo os episódios do arco dos Silence] uma garota de chapéu e casaco marrom, ambos com detalhes em verde brilhante [não sei se aquilo era algum personagem das antigas de Doctor Who, dos atuais não pareceu], uma garota com uma TARDIS de papelão na cabeça, e uma adorável ruivinha [o cabelo parecia meio cor de rosa, na verdade] de terno laranja e gravata brilhante. [novamente, não sei se aquilo era cosplay de Doctor Who, ou de *qualquer* coisa]
No final da sessão, quando eu pude vê-la melhor, eu dei uma rápida geral de cima abaixo nela, e que ela rapidamente me viu fazer também, e se você [a maluquinha de cabelo ruivo/rosa] está aqui lendo isso, não se preocupe, não estava pensando mal de você, nem julgando nem nada, estava uma graça. Meu sorriso era de "Que fofo!" e não de "Só dá maluco..." [bem... essa barca já tinha partido de qualquer jeito].
Ah, e se a "fã que perdeu a chave-de-fenda sônica da River que comprou na Inglaterra" estiver por aqui, dá um Oi! e diz se achou, fiquei curioso.
E os miados... Ah, os miados. Muito divertido. Cada fofura, aparição, troca de olhares, piada, drama, etc... Metade das garotas da sala soltavam um mio, que eu não sei como elas fazem. Aquele som feminino, típico de adolescente, de quando o cantor andrógino da moda olha do palco na direção delas e dá uma piscada. Mas a sessão certamente não seria a mesma se não estivesse *lotada* dessa gente. Foi uma boa coisa só ter tido um único dia, nenhum fã ficou com vontade de esperar uma sessão melhor, num dia mais calmo, num outro horário, ou algum descrente resolveu ver só para fazer hora... Não! Todos os doidos tiveram que se reunir de uma vez só.
Resumindo em uma palavra, a sessão (filme e fãs) foi BRILHANTE!
De: Steven Moffat -- Com: Matt Smith (o Doutor atual), David Tennant (o Doutor anterior), John Hurt (o Doutor retroativo), Jenna Coleman (a acompanhante), Billie Piper (o clipe falante), Joanna Page (a rainha), Jemma Redgrave (a chefe da UNIT) e Ingrid Oliver (a asmática). -- Ano: 2013 -- Duração: 1h17min -- País: Inglaterra
Pelos trailers (vide postagem anterior), eu esperava que fossem puxar para um lado mais dramático voltado para o canône, focado na história da Guerra em si - sim, ela é um dos fios condutores - mas o que fizeram foi juntar 2 dos doutores atuais (uma pena o Eccleston não ter aparecido), um terceiro +/- novo, uma ponta de um dos antigos, e uma micro-ponta do próximo [isso é spoiler, mas quem tinha essa preocupação, já viu o filme a essa hora], tudo isso misturado com MUITA piada interna e muita fofura e carinho com, e entre, os personagens (e atores).
A história em si não é muito profunda (*) (principalmente a trama de apoio, envolvendo a rainha e vilões com cara de monstros do Jaspion) [mas eles já tinham aparecido antes na série, então respeitaram a aparência] e foi um baita retcon de muita coisa, mas... Dane-se! Foi excelente, espetacular, e EU ESTAVA LÁ! Foi uma sessão super divertida e emocionante. [mas não a ponto de chorar, como alguns fãs]
(*) mas lembrem-se do que eu falei na outra postagem sobre isso, Doctor Who não é sobre criar enredos complicados e te fazer quebrar a cabeça para acompanhar. Doctor Who é sobre os personagens. O resto é pano de fundo.
Ah, e os fãs. Parte de toda diversão foi a sessão lotada, só com fãs igualmente malucos pela série, que reconheciam e entendiam cada zuação. [e se acabavam com elas] Eu até esperava gente um pouco mais esquisita, algum cosplay, mas até que se comportaram. Tinha um cara com um capa estilo Matrix [hein?], outro sujeito com marcações na pele [estilo os episódios do arco dos Silence] uma garota de chapéu e casaco marrom, ambos com detalhes em verde brilhante [não sei se aquilo era algum personagem das antigas de Doctor Who, dos atuais não pareceu], uma garota com uma TARDIS de papelão na cabeça, e uma adorável ruivinha [o cabelo parecia meio cor de rosa, na verdade] de terno laranja e gravata brilhante. [novamente, não sei se aquilo era cosplay de Doctor Who, ou de *qualquer* coisa]
No final da sessão, quando eu pude vê-la melhor, eu dei uma rápida geral de cima abaixo nela, e que ela rapidamente me viu fazer também, e se você [a maluquinha de cabelo ruivo/rosa] está aqui lendo isso, não se preocupe, não estava pensando mal de você, nem julgando nem nada, estava uma graça. Meu sorriso era de "Que fofo!" e não de "Só dá maluco..." [bem... essa barca já tinha partido de qualquer jeito].
Ah, e se a "fã que perdeu a chave-de-fenda sônica da River que comprou na Inglaterra" estiver por aqui, dá um Oi! e diz se achou, fiquei curioso.
E os miados... Ah, os miados. Muito divertido. Cada fofura, aparição, troca de olhares, piada, drama, etc... Metade das garotas da sala soltavam um mio, que eu não sei como elas fazem. Aquele som feminino, típico de adolescente, de quando o cantor andrógino da moda olha do palco na direção delas e dá uma piscada. Mas a sessão certamente não seria a mesma se não estivesse *lotada* dessa gente. Foi uma boa coisa só ter tido um único dia, nenhum fã ficou com vontade de esperar uma sessão melhor, num dia mais calmo, num outro horário, ou algum descrente resolveu ver só para fazer hora... Não! Todos os doidos tiveram que se reunir de uma vez só.
Resumindo em uma palavra, a sessão (filme e fãs) foi BRILHANTE!
sábado, 2 de novembro de 2013
Doctor Who no cinema!
Só digo uma coisa: The Day of the Doctor no cinema!
E repito em negrito: The Day of the Doctor no cinema!
E aumento: The Day of the Doctor NO CINEMA EM 3D!
[ok, mas ser 3D é só um bônus divertido, não tenho essa tara]
E melhor ainda, na cadeira do centro na fila do meio! [obrigado engarrafamento pré-feriado e site do Ingresso.com com problemas! (que ficou uma merda depois da reformulação) vocês impediram os outros fãs de comprarem antes de mim]
É agora, universo! Eu não devo estar vivo no próximo aniversário de 50 anos [de 100] de Doctor Who, então esta é chance única! Mostre que sua implicância comigo é coincidência: eu não ficarei doente neste dia, nem nenhum parente morrerá, nem nenhuma ex-namorada aparecerá na porta com um bebê, nem as chuvas pararão o Rio: neste dia eu vou ao cinema! [levei 1 minuto para escrever o texto acima e depois, quando fui pegar o link do trailer abaixo, mais duas horas assistindo trailers do especial de aniversário e mais outras coisas que o Youtube ia sugerindo, desde nerdices de fã até uma excelente chamada de episódio que eu não conhecia].
O legal de Doctor Who é que eu não era um fã antigo da série - eu simplesmente nunca a assistira antes do recomeço em 2005. Mas de tanto ouvir falar e ver ao longo dos anos o carinho com que era tratada (e aproveito aqui para encaixar mais uma lembrança ao saudoso TopTV), sempre tive um certo respeito pela dita cuja.
E aí a série recomeçou, com um enredo envolvendo manequins (aqueles, de loja de roupa mesmo) assassinos. E claro, temos os Daleks, que basicamente são uma raça de lixeiras antigas com uma lanterna na testa e dois braços: um é um pá de batedeira e outro um desentupidor de pia - e eles são o principal vilão do seriado. Mas eles fazem isso com tanta seriedade e drama, e com atores tão bons, e ao mesmo tempo com tanto humor deslavado, que Doctor Who É a melhor de todas as séries de tv. Você assiste todas essas coisas bizarras, algumas com enredos bem ruins, mas eles te levam sem você perceber por tudo isso com tanto carisma, dando tanta credibilidade aos personagens, que cada episódio ruim é um ótimo episódio, e cada episódio bom é épico.
A frase citada num dos trailers abaixo (e parcialmente reproduzida a seguir) é de um episódio recente que foi um dos 'não grande coisa', mas a frase é tão impactante, com tanta história subentendida ainda que não fale nada na verdade, e dita com tanta emoção, que soa espetacular (e melhor ainda fora de contexto).
And I watched universes freeze and creations burn, I have seen thing you wouldn't believe, I have lost things you will never understand and I know things; secrets that must never be told, knowledge that must never be spoken, knowledge that will make parasite gods blaze!
OBS: no trailer, a parte sobre "the Could-Have-Been King with his army of Meanwhiles and Never-weres" é de outro episódio.
A cena em que o atual Doutor apresenta-se pela primeira vez para o vilão-da-semana (que era um ridículo globo ocular gigante num disco voador com cara de estrelinha ninja) é dita com muito menos raiva, enquanto o sujeito ainda escolhia qual gravata usar, e no entanto, quando ele simplesmente termina a fala com um "Olá! Eu sou o Doutor!", com a trilha sonora (o seriado tem excelentes trilhas) crescendo junto cada vez mais, ao final você já está torcendo pelo sujeito e achando tudo o máximo, quase fazendo aquela pose de dobrar o braço com punho e gritar YES! [fuck yeah!]
Outro episódio com uma história rala é o com o Vincent Van Gogh, mas ao final dele você precisa ter a alma negra e fria para não estar com os olhos nem um pouco úmidos. Toda a trama envolvendo a Pandorica eu achei meio confusa (até hoje não sei se deram reboot no universo ou não) mas junta todas as falas badass e discursos, e você esquece disso.
Isso é bom frisar: Doctor Who é no espaço [nem sempre, e bem pouco hoje em dia] e com alienígenas, mas é mais sobre os personagens do que qualquer outra coisa. E os extraterrestres, contexto, histórias de planetas e civilizações vão só sendo jogados e você acompanha se for rápido - e você fica com vontade de saber mais daquilo (e provavelmente nunca saberá, como o exército mencionado alguns itálicos atrás). Eu gosto disso, já elogiei isso em Frank Herbert várias vezes: ele só joga coisas ali como se você soubesse do que ele está falando e segue em frente. Ele não explica. Ele tem mais o que fazer, que é contar uma boa história. [mas não se enganem, a mitologia da série é grande e complicada o suficiente para agradar fãs mais maníacos] O episódio com Van Gogh, por exemplo, o monstro foi derrotado e ainda mal era metade do episódio, porque a história na verdade, não era sobre isso. O mesmo vale para o episódio escrito por Neil Gaiman (o próprio), por exemplo, o enredo em si é bem bobo e os vilões parecem de um livro infantil [vindo do Gaiman, é até possível que sejam], mas a principal história sendo contada, da camaradagem entre o Doutor e sua nave, é tocante. [o pior é que não dá para explicar sem estragar a surpresa, e ver esse episódio solto sem já ser um fã também não deve ter o mesmo impacto]
O fato de eu adorar a série e até hoje não ter uma postagem sequer sobre ela é que acho impossível fazer jus à obra. Ainda mais sendo um novato, que perde uma porrada de referências. Então deixa eu parar de falar, repetir que é a minha série preferida [Firefly em segundo lugar], colocar mais dois trailers sobre The Day of the Doctor, e começar a contar os dias.
Trailer de cinema para o especial:
E um fantástico megatrailer (7 min) de fã, juntando alguns trailers da BBC e mais algumas cenas da série:
E repito em negrito: The Day of the Doctor no cinema!
E aumento: The Day of the Doctor NO CINEMA EM 3D!
[ok, mas ser 3D é só um bônus divertido, não tenho essa tara]
E melhor ainda, na cadeira do centro na fila do meio! [obrigado engarrafamento pré-feriado e site do Ingresso.com com problemas! (que ficou uma merda depois da reformulação) vocês impediram os outros fãs de comprarem antes de mim]
É agora, universo! Eu não devo estar vivo no próximo aniversário de 50 anos [de 100] de Doctor Who, então esta é chance única! Mostre que sua implicância comigo é coincidência: eu não ficarei doente neste dia, nem nenhum parente morrerá, nem nenhuma ex-namorada aparecerá na porta com um bebê, nem as chuvas pararão o Rio: neste dia eu vou ao cinema! [levei 1 minuto para escrever o texto acima e depois, quando fui pegar o link do trailer abaixo, mais duas horas assistindo trailers do especial de aniversário e mais outras coisas que o Youtube ia sugerindo, desde nerdices de fã até uma excelente chamada de episódio que eu não conhecia].
O legal de Doctor Who é que eu não era um fã antigo da série - eu simplesmente nunca a assistira antes do recomeço em 2005. Mas de tanto ouvir falar e ver ao longo dos anos o carinho com que era tratada (e aproveito aqui para encaixar mais uma lembrança ao saudoso TopTV), sempre tive um certo respeito pela dita cuja.
E aí a série recomeçou, com um enredo envolvendo manequins (aqueles, de loja de roupa mesmo) assassinos. E claro, temos os Daleks, que basicamente são uma raça de lixeiras antigas com uma lanterna na testa e dois braços: um é um pá de batedeira e outro um desentupidor de pia - e eles são o principal vilão do seriado. Mas eles fazem isso com tanta seriedade e drama, e com atores tão bons, e ao mesmo tempo com tanto humor deslavado, que Doctor Who É a melhor de todas as séries de tv. Você assiste todas essas coisas bizarras, algumas com enredos bem ruins, mas eles te levam sem você perceber por tudo isso com tanto carisma, dando tanta credibilidade aos personagens, que cada episódio ruim é um ótimo episódio, e cada episódio bom é épico.
A frase citada num dos trailers abaixo (e parcialmente reproduzida a seguir) é de um episódio recente que foi um dos 'não grande coisa', mas a frase é tão impactante, com tanta história subentendida ainda que não fale nada na verdade, e dita com tanta emoção, que soa espetacular (e melhor ainda fora de contexto).
And I watched universes freeze and creations burn, I have seen thing you wouldn't believe, I have lost things you will never understand and I know things; secrets that must never be told, knowledge that must never be spoken, knowledge that will make parasite gods blaze!
OBS: no trailer, a parte sobre "the Could-Have-Been King with his army of Meanwhiles and Never-weres" é de outro episódio.
A cena em que o atual Doutor apresenta-se pela primeira vez para o vilão-da-semana (que era um ridículo globo ocular gigante num disco voador com cara de estrelinha ninja) é dita com muito menos raiva, enquanto o sujeito ainda escolhia qual gravata usar, e no entanto, quando ele simplesmente termina a fala com um "Olá! Eu sou o Doutor!", com a trilha sonora (o seriado tem excelentes trilhas) crescendo junto cada vez mais, ao final você já está torcendo pelo sujeito e achando tudo o máximo, quase fazendo aquela pose de dobrar o braço com punho e gritar YES! [fuck yeah!]
Outro episódio com uma história rala é o com o Vincent Van Gogh, mas ao final dele você precisa ter a alma negra e fria para não estar com os olhos nem um pouco úmidos. Toda a trama envolvendo a Pandorica eu achei meio confusa (até hoje não sei se deram reboot no universo ou não) mas junta todas as falas badass e discursos, e você esquece disso.
Isso é bom frisar: Doctor Who é no espaço [nem sempre, e bem pouco hoje em dia] e com alienígenas, mas é mais sobre os personagens do que qualquer outra coisa. E os extraterrestres, contexto, histórias de planetas e civilizações vão só sendo jogados e você acompanha se for rápido - e você fica com vontade de saber mais daquilo (e provavelmente nunca saberá, como o exército mencionado alguns itálicos atrás). Eu gosto disso, já elogiei isso em Frank Herbert várias vezes: ele só joga coisas ali como se você soubesse do que ele está falando e segue em frente. Ele não explica. Ele tem mais o que fazer, que é contar uma boa história. [mas não se enganem, a mitologia da série é grande e complicada o suficiente para agradar fãs mais maníacos] O episódio com Van Gogh, por exemplo, o monstro foi derrotado e ainda mal era metade do episódio, porque a história na verdade, não era sobre isso. O mesmo vale para o episódio escrito por Neil Gaiman (o próprio), por exemplo, o enredo em si é bem bobo e os vilões parecem de um livro infantil [vindo do Gaiman, é até possível que sejam], mas a principal história sendo contada, da camaradagem entre o Doutor e sua nave, é tocante. [o pior é que não dá para explicar sem estragar a surpresa, e ver esse episódio solto sem já ser um fã também não deve ter o mesmo impacto]
O fato de eu adorar a série e até hoje não ter uma postagem sequer sobre ela é que acho impossível fazer jus à obra. Ainda mais sendo um novato, que perde uma porrada de referências. Então deixa eu parar de falar, repetir que é a minha série preferida [Firefly em segundo lugar], colocar mais dois trailers sobre The Day of the Doctor, e começar a contar os dias.
Trailer de cinema para o especial:
E um fantástico megatrailer (7 min) de fã, juntando alguns trailers da BBC e mais algumas cenas da série:
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Argo
Resenha rápida, para tirar o blog do marasmo.
Nome original: Argo
Duração: 2hs -- Ano: 2012 -- Trailer (OBS: não veja! droga de trailers atuais, que entregam cenas chaves ao invés de só te deixaram no suspense)
De: Ben Affleck (de Atração Perigosa)
Com: Ben Affleck (de Barrados no Shopping e Demolidor), Bryan Cranston (o pai da família em Malcolm in the Middle), Alan Arkin (de Pequena Miss Sunshine), John Goodman (de A Vingança dos Nerds e o Fred Flintstone do 1º filme), Victor Garber (de Legalmente Loira e Titanic, um daqueles caras que você sempre vê por aí, mas parece que nunca é o principal), os 6 reféns (Tate Donovan, Clea DuVall, Scoot McNairy, Rory Cochrane, Christopher Denham e Kerry Bishé) e Sheila Vand (papel pequeno mas importante, e eu sempre gosto de citar as mulheres bonitas).
Resumindo: ótimo filme. Queria poder fazer elogios à direção, fotografia, e todas essas coisas mais técnicas. Mas não entendo nada do babado. E também não sou tão velho a ponto de ter lembranças "ao vivo" da crise dos reféns, então não há do que reclamar de "Isso não foi assim!!!". Não sei. Até onde sei, foi tudo igual. [mas não foi, hein! no mínimo do mínimo, leiam o artigo da Wikipedia] Boa parte do que lembro devem ter sido de retrospectivas televisivas de alguns (ou mais) anos depois, e só lembrava dos que ficaram presos na embaixada americana, não dos que "escaparam". Mas eu lembro do Aiatolá Khomeini! Isso é da minha geração ainda. Tínhamos ditadores bem mais interessantes na minha época. O Ahmadinejad e o Assad até que tentam, mas nunca terão o "charme vilanesco" do Kadafi nos seus bons tempos, por ex..
Ok, mas vamos ao filme. Para quem é muito novo para lembrar, existiu uma Crise dos Reféns no Irã, em que empregados da embaixada norte-americana ficaram na mão de militantes por quase 2 anos. Mas meia dúzia conseguiu escapar a tempo e ficaram escondidos na embaixada canadense. O filme é sobre o que foi feito para tentar tirar esses 6 de lá em segurança. O trailer e todo o marketing do filme já diz o que foi feito. Mas se puder, veja sem saber, só pela surpresa [e na hora lembre: fatos reais!]
E é isso. Belas cenas [por falar nisso, a Torre Azadi é muito maneira. No filme ela pareceu ser maior do que realmente é, e ela seria extramente foda se tivesse o dobro ou triplo da altura, mas ainda assim, muito bonita], tensão sem parar, e nenhuma cena é desperdiçada. Nada ali pareceu estar em cena só para dramatizar, dar um charme ou encher película. E eu não lembrava que na crise tinham esses 6 em paralelo (se bem que por mais que eles temessem por suas vidas, o "cativeiro" deles foi bem mais aprazível que dos demais) e, para assistir ao filme, não lembrar de nada do que aconteceu é bom. Como é baseado em fatos reais, eu vi o filme esperando qualquer tipo de final. Até onde eu sabia, tanto podia metade deles ter morrido, como ter dado tudo certo, ou terem sido todos fuzilados.
Filme altamente recomendável para galera jovem que quer ver um bom trhiller de tensão ou que seja fã do Ben Affleck (sim, existe!); para os medianos como eu, que sabem quem eram os ditadores da época e tem boas noções do contexto; e até para quem lembra de tudo aquilo. Depois de ver o filme eu liguei para os meus pais e o recomendei para a minha mãe, falei até que ela podia falar para o meu pai que ele também gostará [ele sofre quando minha mãe o leva para ver filmes como "O Gato do Rabino" ou "Babel"]
Tudo bem que já "enganei" minha mãe [não foi de propósito] e a fiz ver Distrito 9, falando que era um filme sobre racismo e segregação. :-D [pô, mas é!]
Como já disse numa das primeiras postagens do blog (e acima), não sei comentar muito quando é para elogiar. Mas para não terminar outra postagem dizendo que alguma das atrizes do filme é uma graça (Kerry Bishé [olhei o imdb e não concluí de onde a conheço. Acho que de Scrubs mesmo]), e eu tenho tão pouco para ranzinzar em cima do filme [vide nome do blog], que vou comentar a cena mais inútil de ser comentada. Aquela que fará você terminar essa postagem pensando "ah, peraí... filmaço sobre política, CIA e crise no oriente... e o cara vem me falar DISSO?!". Pois... Vide novamente o nome do blog, a parte antes do Ranzinza.
Não sei se foi um "erro proposital", para dar realismo cenográfico (afinal, era um quarto de criança - se bem que até por isso mesmo, talvez fosse menos provável de estar errado), mas mais alguém teve a cretinice de reparar que erraram a posição dos bonequinhos? Colocaram o jawa no lugar de um dos sujeitos do povo da areia e vice-versa. [não falei? pior fim de postagem sobre o filme Argo possível!]
Ah, pensei em algo útil: para quem quiser se aprofundar, foi lançado no Brasil o livro Argo, escrito pelo agente que é o Ben Affleck no filme. Detestável a capa ser o cartaz do filme, mas editora brasileira tem essa mania ofensiva... Obrigado, editoras. Muito gentil da parte de vocês. A capa americana nem é tão melhor assim, e ainda parece o cartaz de 11 Homens e Um Segredo, mas passa.
Ah, e resenhas dos meus 2 sites preferidos para linkar resenhas:
Cinema com Rapadura: consagração como cineasta / poderoso thriller político
Screen Rant: a tense and captivating ride
E alguns comentários mais longos sobre fatos x ficção no filme, também do Screen Rant.
Nome original: Argo
Duração: 2hs -- Ano: 2012 -- Trailer (OBS: não veja! droga de trailers atuais, que entregam cenas chaves ao invés de só te deixaram no suspense)
De: Ben Affleck (de Atração Perigosa)
Com: Ben Affleck (de Barrados no Shopping e Demolidor), Bryan Cranston (o pai da família em Malcolm in the Middle), Alan Arkin (de Pequena Miss Sunshine), John Goodman (de A Vingança dos Nerds e o Fred Flintstone do 1º filme), Victor Garber (de Legalmente Loira e Titanic, um daqueles caras que você sempre vê por aí, mas parece que nunca é o principal), os 6 reféns (Tate Donovan, Clea DuVall, Scoot McNairy, Rory Cochrane, Christopher Denham e Kerry Bishé) e Sheila Vand (papel pequeno mas importante, e eu sempre gosto de citar as mulheres bonitas).
Resumindo: ótimo filme. Queria poder fazer elogios à direção, fotografia, e todas essas coisas mais técnicas. Mas não entendo nada do babado. E também não sou tão velho a ponto de ter lembranças "ao vivo" da crise dos reféns, então não há do que reclamar de "Isso não foi assim!!!". Não sei. Até onde sei, foi tudo igual. [mas não foi, hein! no mínimo do mínimo, leiam o artigo da Wikipedia] Boa parte do que lembro devem ter sido de retrospectivas televisivas de alguns (ou mais) anos depois, e só lembrava dos que ficaram presos na embaixada americana, não dos que "escaparam". Mas eu lembro do Aiatolá Khomeini! Isso é da minha geração ainda. Tínhamos ditadores bem mais interessantes na minha época. O Ahmadinejad e o Assad até que tentam, mas nunca terão o "charme vilanesco" do Kadafi nos seus bons tempos, por ex..
Ok, mas vamos ao filme. Para quem é muito novo para lembrar, existiu uma Crise dos Reféns no Irã, em que empregados da embaixada norte-americana ficaram na mão de militantes por quase 2 anos. Mas meia dúzia conseguiu escapar a tempo e ficaram escondidos na embaixada canadense. O filme é sobre o que foi feito para tentar tirar esses 6 de lá em segurança. O trailer e todo o marketing do filme já diz o que foi feito. Mas se puder, veja sem saber, só pela surpresa [e na hora lembre: fatos reais!]
E é isso. Belas cenas [por falar nisso, a Torre Azadi é muito maneira. No filme ela pareceu ser maior do que realmente é, e ela seria extramente foda se tivesse o dobro ou triplo da altura, mas ainda assim, muito bonita], tensão sem parar, e nenhuma cena é desperdiçada. Nada ali pareceu estar em cena só para dramatizar, dar um charme ou encher película. E eu não lembrava que na crise tinham esses 6 em paralelo (se bem que por mais que eles temessem por suas vidas, o "cativeiro" deles foi bem mais aprazível que dos demais) e, para assistir ao filme, não lembrar de nada do que aconteceu é bom. Como é baseado em fatos reais, eu vi o filme esperando qualquer tipo de final. Até onde eu sabia, tanto podia metade deles ter morrido, como ter dado tudo certo, ou terem sido todos fuzilados.
Filme altamente recomendável para galera jovem que quer ver um bom trhiller de tensão ou que seja fã do Ben Affleck (sim, existe!); para os medianos como eu, que sabem quem eram os ditadores da época e tem boas noções do contexto; e até para quem lembra de tudo aquilo. Depois de ver o filme eu liguei para os meus pais e o recomendei para a minha mãe, falei até que ela podia falar para o meu pai que ele também gostará [ele sofre quando minha mãe o leva para ver filmes como "O Gato do Rabino" ou "Babel"]
Tudo bem que já "enganei" minha mãe [não foi de propósito] e a fiz ver Distrito 9, falando que era um filme sobre racismo e segregação. :-D [pô, mas é!]
Como já disse numa das primeiras postagens do blog (e acima), não sei comentar muito quando é para elogiar. Mas para não terminar outra postagem dizendo que alguma das atrizes do filme é uma graça (Kerry Bishé [olhei o imdb e não concluí de onde a conheço. Acho que de Scrubs mesmo]), e eu tenho tão pouco para ranzinzar em cima do filme [vide nome do blog], que vou comentar a cena mais inútil de ser comentada. Aquela que fará você terminar essa postagem pensando "ah, peraí... filmaço sobre política, CIA e crise no oriente... e o cara vem me falar DISSO?!". Pois... Vide novamente o nome do blog, a parte antes do Ranzinza.
Não sei se foi um "erro proposital", para dar realismo cenográfico (afinal, era um quarto de criança - se bem que até por isso mesmo, talvez fosse menos provável de estar errado), mas mais alguém teve a cretinice de reparar que erraram a posição dos bonequinhos? Colocaram o jawa no lugar de um dos sujeitos do povo da areia e vice-versa. [não falei? pior fim de postagem sobre o filme Argo possível!]
Ah, pensei em algo útil: para quem quiser se aprofundar, foi lançado no Brasil o livro Argo, escrito pelo agente que é o Ben Affleck no filme. Detestável a capa ser o cartaz do filme, mas editora brasileira tem essa mania ofensiva... Obrigado, editoras. Muito gentil da parte de vocês. A capa americana nem é tão melhor assim, e ainda parece o cartaz de 11 Homens e Um Segredo, mas passa.
Ah, e resenhas dos meus 2 sites preferidos para linkar resenhas:
Cinema com Rapadura: consagração como cineasta / poderoso thriller político
Screen Rant: a tense and captivating ride
E alguns comentários mais longos sobre fatos x ficção no filme, também do Screen Rant.
sábado, 13 de agosto de 2011
A Árvore da Vida
Esse filme precisa ser visto no cinema!
[momento de silêncio para punchline]
Porque se você tentar vê-lo em casa você desiste! Ok, tem gente que gosta. E eu talvez sinta até uma certa admiração por elas. Mas eu sou apenas parcialmente o público alvo de um filmes destes. Não digo que não sou porque afinal... fui ver e nem saí no meio. Mas se você tem o mesmo gosto que eu... Até explico melhor a minha primeira frase, lá eu só defino a forma como ele deve que ser visto... Não que ele tenha que sê-lo. Algumas vezes não saber nada do filme antes de assisti-lo... é uma coisa ruim. Agora que já vi, não me arrependo. É interessante. De uma forma meio bizarra, mas é... E putz... parece que foi anteontem que eu fiz um post dizendo que, nestes tempos de falta de tempo, vir escrever sobre o filme no blog, logo após a sessão, era um bom sinal. Sei lá, não sei... Não será todo mundo dizendo que é uma obra-prima que vai me fazer gostar.
Com todo o oba-oba que fizeram sobre o filme, a verdade é que ao sair do cinema o considerei a maior pegadinha do Mallandro da história. São 2 horas e meia até o HÁ!
Nome original: The Tree of Life
Duração: 2h18min (e já falam numa versão de 6 horas!) -- Trailer legendado
De: Terrence Malick (de Além da Linha Vermelha) -- Ano: 2011
Com: Hunter McCracken, Brad Pitt, Jessica Chastain e pontas de Sean Penn.
O início do filme é espetacular. Perdi um pouco de tempo me localizando, mas quando vi a divisão celular logo após e cena do poço de lama fervente [sei que não era lama, estou com preguiça de pensar no termo correto] entendi o que estava acompanhando. Espetacular.
Foi até uma injustiça cerebral minha o fato de que toda hora eu cantarolava em silêncio Umba! Ontchi... bumba! Ontchi... bumba! (entenda a referência aqui). A cena do dinossauro aquático sangrando em terra, prenunciando a etapa seguinte da evolução... Lindo. [era um elasmossauro, a quem interessar]
Por falar em coisa bonita, a trilha sonora é fantástica. Excelente. MAS... como sempre... as músicas boas NÃO estão na trilha sonora do filme. A trilha sonora do filme tem só as musiquinhas de elevador que tocam nos momentos não-importantes. Coisas como a versão de Má Vlast, Vltava que toca no começo do trailer e no filme, a Lacrimosa, ou a marcha fúnebre... Nada disso está na trilha. Então não comprem. Só de birra. Até eles aprenderem a colocar nos discos das trilhas sonoras *todas* as músicas que tocam nos filmes - e também as dos trailers. Que seja um album triplo. Eu pago. Mas não vou pagar para ter só as músicas que não fariam falta. [e aí, nós procuramos as músicas boas na Internet, e *nós* é que somos os piratas malignos]
Mas a internet é cheia de gente legal, então seguem 2 links para vocês:
Criterion Corner: The Real Tree of Life soundtrack (não tem todas, mas as principais)
The Playlist: All 37 Songs Featured In The Tree Of Life
Voltemos ao filme... Após mostrar a evolução da vida na Terra, o filme mostra a infância do protagonista em curtos saltos de tempo. Neste começo achei que o filme estava indo muito bem. Achei que ele seria meio doido, não se prendendo a história nenhuma, e seguiria a vida do cara em saltos até o momento em que ele estava no começo do filme (velho) e passaria daquilo. E aí voltaríamos para mais 20 minutos de planetário, talvez mostrando o fim da vida na Terra. E voilá, início, meio e fim. É o que sempre se espera de uma história. E eu teria gostado! É sério.
Mas as vezes, do nada, vinha a voz da mãe, como se estivesse conversando com Deus. [acho que era isso mesmo] E quando chegamos na adolescência do protagonista, param os saltos. Acompanhamos a vida complicada dele e dos irmãos num intervalo de poucos meses ou anos, com um pai amoroso do jeito ruim dele e rígido ao extremo. E a mãe doce e divertida com as crianças - quando o marido escroto não está por perto. Uma espécie de Desperate Housewives com Conta Comigo, mas sem o humor, sem o sexo, e com muitos problemas psicológicos na bagagem.
Quem quiser uma sinopse decente, sugiro a do Cinema com Rapadura.
Devo ter pescado algumas das mensagens do diretor, aqueles clichês da busca da criança interior, de fazer as pazes com os fantasmas do passado e estas coisas [e devo ter perdido outras menos óbvias], mas ainda assim, saí do cinema rindo. Aquela coisa de "pqp! pq eu vi isso?" Mas eu levei na esportiva. Como eu disse, sou parcialmente público alvo destas tranqueiras.
O filme serviu para "animar" a noite de muita gente, vi muitos rindo pela mesma razão e outros rindo de comentários de terceiros sobre "2h e meia perdidas para sempre", "que b*", esse tipo de coisa. Até as mocinhas que ficam na porta ao término da sessão estavam rindo, porque sabiam o que estava acontecendo. :-D
Leitura recomendada: resenhas do ScreenRant: sobre o trailer e sobre o filme.
ATUALIZAÇÃO: Ok, tudo isso acima eu escrevi ao chegar em casa, no "calor do momento". Não retiro nada. Mas o cérebro humano é safado e é só começar a passar um pouco de tempo que ele começa a esquecer as partes ruins de qualquer coisa. Hoje de manhã já acordei com uma impressão melhor do filme. Agora de noite já começo a quase achar bom. Dê-me uma semana e o estarei recomendando [humm... acho que não.] Mas façam o seguinte então, se forem ver não se desesperem durante a sessão, e esperem 2 dias. Aí vejam o que sobrou na memória.
[momento de silêncio para punchline]
Porque se você tentar vê-lo em casa você desiste! Ok, tem gente que gosta. E eu talvez sinta até uma certa admiração por elas. Mas eu sou apenas parcialmente o público alvo de um filmes destes. Não digo que não sou porque afinal... fui ver e nem saí no meio. Mas se você tem o mesmo gosto que eu... Até explico melhor a minha primeira frase, lá eu só defino a forma como ele deve que ser visto... Não que ele tenha que sê-lo. Algumas vezes não saber nada do filme antes de assisti-lo... é uma coisa ruim. Agora que já vi, não me arrependo. É interessante. De uma forma meio bizarra, mas é... E putz... parece que foi anteontem que eu fiz um post dizendo que, nestes tempos de falta de tempo, vir escrever sobre o filme no blog, logo após a sessão, era um bom sinal. Sei lá, não sei... Não será todo mundo dizendo que é uma obra-prima que vai me fazer gostar.
Com todo o oba-oba que fizeram sobre o filme, a verdade é que ao sair do cinema o considerei a maior pegadinha do Mallandro da história. São 2 horas e meia até o HÁ!
Nome original: The Tree of Life
Duração: 2h18min (e já falam numa versão de 6 horas!) -- Trailer legendado
De: Terrence Malick (de Além da Linha Vermelha) -- Ano: 2011
Com: Hunter McCracken, Brad Pitt, Jessica Chastain e pontas de Sean Penn.
O início do filme é espetacular. Perdi um pouco de tempo me localizando, mas quando vi a divisão celular logo após e cena do poço de lama fervente [sei que não era lama, estou com preguiça de pensar no termo correto] entendi o que estava acompanhando. Espetacular.
Foi até uma injustiça cerebral minha o fato de que toda hora eu cantarolava em silêncio Umba! Ontchi... bumba! Ontchi... bumba! (entenda a referência aqui). A cena do dinossauro aquático sangrando em terra, prenunciando a etapa seguinte da evolução... Lindo. [era um elasmossauro, a quem interessar]
Por falar em coisa bonita, a trilha sonora é fantástica. Excelente. MAS... como sempre... as músicas boas NÃO estão na trilha sonora do filme. A trilha sonora do filme tem só as musiquinhas de elevador que tocam nos momentos não-importantes. Coisas como a versão de Má Vlast, Vltava que toca no começo do trailer e no filme, a Lacrimosa, ou a marcha fúnebre... Nada disso está na trilha. Então não comprem. Só de birra. Até eles aprenderem a colocar nos discos das trilhas sonoras *todas* as músicas que tocam nos filmes - e também as dos trailers. Que seja um album triplo. Eu pago. Mas não vou pagar para ter só as músicas que não fariam falta. [e aí, nós procuramos as músicas boas na Internet, e *nós* é que somos os piratas malignos]
Mas a internet é cheia de gente legal, então seguem 2 links para vocês:
Criterion Corner: The Real Tree of Life soundtrack (não tem todas, mas as principais)
The Playlist: All 37 Songs Featured In The Tree Of Life
Voltemos ao filme... Após mostrar a evolução da vida na Terra, o filme mostra a infância do protagonista em curtos saltos de tempo. Neste começo achei que o filme estava indo muito bem. Achei que ele seria meio doido, não se prendendo a história nenhuma, e seguiria a vida do cara em saltos até o momento em que ele estava no começo do filme (velho) e passaria daquilo. E aí voltaríamos para mais 20 minutos de planetário, talvez mostrando o fim da vida na Terra. E voilá, início, meio e fim. É o que sempre se espera de uma história. E eu teria gostado! É sério.
Mas as vezes, do nada, vinha a voz da mãe, como se estivesse conversando com Deus. [acho que era isso mesmo] E quando chegamos na adolescência do protagonista, param os saltos. Acompanhamos a vida complicada dele e dos irmãos num intervalo de poucos meses ou anos, com um pai amoroso do jeito ruim dele e rígido ao extremo. E a mãe doce e divertida com as crianças - quando o marido escroto não está por perto. Uma espécie de Desperate Housewives com Conta Comigo, mas sem o humor, sem o sexo, e com muitos problemas psicológicos na bagagem.
Quem quiser uma sinopse decente, sugiro a do Cinema com Rapadura.
Devo ter pescado algumas das mensagens do diretor, aqueles clichês da busca da criança interior, de fazer as pazes com os fantasmas do passado e estas coisas [e devo ter perdido outras menos óbvias], mas ainda assim, saí do cinema rindo. Aquela coisa de "pqp! pq eu vi isso?" Mas eu levei na esportiva. Como eu disse, sou parcialmente público alvo destas tranqueiras.
O filme serviu para "animar" a noite de muita gente, vi muitos rindo pela mesma razão e outros rindo de comentários de terceiros sobre "2h e meia perdidas para sempre", "que b*", esse tipo de coisa. Até as mocinhas que ficam na porta ao término da sessão estavam rindo, porque sabiam o que estava acontecendo. :-D
Leitura recomendada: resenhas do ScreenRant: sobre o trailer e sobre o filme.
ATUALIZAÇÃO: Ok, tudo isso acima eu escrevi ao chegar em casa, no "calor do momento". Não retiro nada. Mas o cérebro humano é safado e é só começar a passar um pouco de tempo que ele começa a esquecer as partes ruins de qualquer coisa. Hoje de manhã já acordei com uma impressão melhor do filme. Agora de noite já começo a quase achar bom. Dê-me uma semana e o estarei recomendando [humm... acho que não.] Mas façam o seguinte então, se forem ver não se desesperem durante a sessão, e esperem 2 dias. Aí vejam o que sobrou na memória.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Melancolia
Taí... Uma postagem sobre o filme logo após a sessão, isto não fazia faz tempo. Significa uma [duas] coisa[s]: o filme é muito bom [e estou sem sono]. E aqueles que leram o resto do blog, lembrarão só de outra situação parecida: eu saí do cinema feliz. E duas horas de Kirsten Dunst em tela nem foi o motivo [ô magrelinha albina danada de bonita]. E não foi feliz-satisfeito-com-o-resultado; saí feliz de bem com a vida. Sei lá, acho que não estar participando da extinção da vida humana num ambiente deprimente faz tudo parecer menos ruim. Se foi esta a intenção do diretor, ótimo. Se não foi, o filme foi um fracasso. Melancólico não passou nem perto de como me senti ao sair do cinema.
Detalhes técnicos:
Nome original: Melancholia
Duração: 2h15min -- Ano: 2011 -- Trailer legendado
De: Lars von Trier -- País: Dinamarca e outros.
Com: Kirsten Dunst (T-T-T-Torrance!), Charlotte Gainsbourg (a irmã), Kiefer Sutherland (o cunhado), John Hurt (o pai), Charlotte Rampling (a mãe), Alexander Skarsgård (o noivo) e Udo Kier. Tem uma criança também, mas podemos ignorá-la. Na verdade, o filme é basicamente as duas irmãs de personagem, o resto é ponte para elas.
Agora, de cara, coisas a se dizer:
Para fãs de FC. (e abro parêntese para comentar para os não fãs: FC não é só homenzinho-verde de Marte nem tentáculos estupradores, você deve gostar de vários filmes ou livros de FC e nem se dar conta disso).
Achei que o filme seria mais suburbano, teríamos uma situação mais caseira e familiar, com várias pessoas esperando o fim do mundo, e as reações que isso traria. NOPES! A primeira hora de filme ninguém nem está sabendo de nada. É um drama, onde você é meio que jogado no meio de uma situação horrível, que só desanda, ainda que vagarosamente. Detalhe divertido: é um casamento. E 95% de tudo ali é ignorado na segunda hora. Onde o tema "o mundo vai acabar" parece central, mas não é.
Se bem que, verdade seja dita, quando eu resolvi ver o filme estava confundindo-o com o Another Earth (não sei ainda o nome em português) e sequer havia visto o trailer correto até ainda a pouco. Mas claro, sabia já que não eram o mesmo filme porque vira algumas cenas soltas na TV.
O tema musical: Prelúdio, de Tristão e Isolda, de Wagner.
O final: não deixem de ver a cena após os créditos. Tudo se resolve bem. Brincadeira. Morreram todos mesmo. E não estou entregando nenhum segredo, morrem todos no primeiro minuto de filme.
Na verdade, morreram todos só 10 minutos depois do começo. O filme abre com uma longa, lenta, e viajante (podem dizer "onírica" se preferirem) seqüência de cenas estranhas, do tipo que se você estivesse sonhando aquilo, preferiria acordar.
E não que isso faça qualquer tipo de diferença para gostar ou não do filme... Mas para os que não estudaram direito Ciências no colégio ou não têm bom senso e vieram parar aqui...Vão embora! 1) Sim, pode acontecer. Mas nem de perto será como no filme. 2) Qualquer site dizendo que VAI acontecer, é mentira.
Resuminho do filme: garota que sofre de depressão clínica tem uma crise (seria esse o termo médico correto?) durante o casamento. As coisas desandam. Ironicamente, há várias cenas engraçadas nesta parte do filme. Algum tempo depois vemos a mesma garota indo passar um tempo na casa da irmã devido a outra crise. E ficamos sabendo que entre os dois fatos rolou a notícia de um planeta em rota de quase-colisão com a Terra, que afeta bastante a irmã mais velha, que já é mãe. A história segue daí, com a irmã tentando ajudar a outra outra em crise, e depois o inverso. Ainda que a Kirsten Dunst não seja exatamente amigável nem no estado alterado, nem no estado são. Mas ela se redime, não se preocupem, vocês não terminarão o filme com raiva dela.
A Kirsten ganhou Melhor Atriz em Cannes pelo filme. Não vi as concorrentes, mas ela está muito bem. Merecido. O filme é lento e longo, mas foi uma boa pedida. Só não vá me levar a namorada achando que é um filme romântico ou um filme catástrofe.
Outras opiniões:
Adoro Cinema -- Melhores Coisas -- Guardian -- Cine Resenhas -- Omelete
E agora, momento DJ!
Tal qual Besouro Verde, que eu recomendei o que ouvi em seguida, segue recomendação de trilha para ouvir pós-Melancolia. Se você saiu tranqüilaço, as músicas estão de acordo. Se você saiu deprê, essa sequência pode te animar um pouco:
Greased Lightning - John Travolta (de Nos Tempos da Brilhantina)
You Never Can Tell - Chuck Berry (de Pulp Fiction)
Juke Box Blues - Reese Witherspoon (de Johnny e June)
Soon my Lord - canto religioso melanésio (de Além da Linha Vermelha, mas não se deixe enganar pelo filme ou pelo estilo, é uma música alegre)
Hey Ya - OutKast
Shut Up and Drive - Rihanna
45 Seconds of Ecstasy - Meat Loaf
The Rhythm of Life - Sammy Davis Jr (deste excelente comercial da Guinnes: noitulovE)
The Lady Is a Vamp - Spice Girls ("She's the talk of the town, she's the best, Yes!")
AD Police - Rockin' the Beat (de Bubblegum Crisis)
Detalhes técnicos:
Nome original: Melancholia
Duração: 2h15min -- Ano: 2011 -- Trailer legendado
De: Lars von Trier -- País: Dinamarca e outros.
Com: Kirsten Dunst (T-T-T-Torrance!), Charlotte Gainsbourg (a irmã), Kiefer Sutherland (o cunhado), John Hurt (o pai), Charlotte Rampling (a mãe), Alexander Skarsgård (o noivo) e Udo Kier. Tem uma criança também, mas podemos ignorá-la. Na verdade, o filme é basicamente as duas irmãs de personagem, o resto é ponte para elas.
Agora, de cara, coisas a se dizer:
Para fãs de FC. (e abro parêntese para comentar para os não fãs: FC não é só homenzinho-verde de Marte nem tentáculos estupradores, você deve gostar de vários filmes ou livros de FC e nem se dar conta disso).
Achei que o filme seria mais suburbano, teríamos uma situação mais caseira e familiar, com várias pessoas esperando o fim do mundo, e as reações que isso traria. NOPES! A primeira hora de filme ninguém nem está sabendo de nada. É um drama, onde você é meio que jogado no meio de uma situação horrível, que só desanda, ainda que vagarosamente. Detalhe divertido: é um casamento. E 95% de tudo ali é ignorado na segunda hora. Onde o tema "o mundo vai acabar" parece central, mas não é.
Se bem que, verdade seja dita, quando eu resolvi ver o filme estava confundindo-o com o Another Earth (não sei ainda o nome em português) e sequer havia visto o trailer correto até ainda a pouco. Mas claro, sabia já que não eram o mesmo filme porque vira algumas cenas soltas na TV.
O tema musical: Prelúdio, de Tristão e Isolda, de Wagner.
O final: não deixem de ver a cena após os créditos. Tudo se resolve bem. Brincadeira. Morreram todos mesmo. E não estou entregando nenhum segredo, morrem todos no primeiro minuto de filme.
Na verdade, morreram todos só 10 minutos depois do começo. O filme abre com uma longa, lenta, e viajante (podem dizer "onírica" se preferirem) seqüência de cenas estranhas, do tipo que se você estivesse sonhando aquilo, preferiria acordar.
E não que isso faça qualquer tipo de diferença para gostar ou não do filme... Mas para os que não estudaram direito Ciências no colégio ou não têm bom senso e vieram parar aqui...
Resuminho do filme: garota que sofre de depressão clínica tem uma crise (seria esse o termo médico correto?) durante o casamento. As coisas desandam. Ironicamente, há várias cenas engraçadas nesta parte do filme. Algum tempo depois vemos a mesma garota indo passar um tempo na casa da irmã devido a outra crise. E ficamos sabendo que entre os dois fatos rolou a notícia de um planeta em rota de quase-colisão com a Terra, que afeta bastante a irmã mais velha, que já é mãe. A história segue daí, com a irmã tentando ajudar a outra outra em crise, e depois o inverso. Ainda que a Kirsten Dunst não seja exatamente amigável nem no estado alterado, nem no estado são. Mas ela se redime, não se preocupem, vocês não terminarão o filme com raiva dela.
A Kirsten ganhou Melhor Atriz em Cannes pelo filme. Não vi as concorrentes, mas ela está muito bem. Merecido. O filme é lento e longo, mas foi uma boa pedida. Só não vá me levar a namorada achando que é um filme romântico ou um filme catástrofe.
Outras opiniões:
Adoro Cinema -- Melhores Coisas -- Guardian -- Cine Resenhas -- Omelete
E agora, momento DJ!
Tal qual Besouro Verde, que eu recomendei o que ouvi em seguida, segue recomendação de trilha para ouvir pós-Melancolia. Se você saiu tranqüilaço, as músicas estão de acordo. Se você saiu deprê, essa sequência pode te animar um pouco:
Greased Lightning - John Travolta (de Nos Tempos da Brilhantina)
You Never Can Tell - Chuck Berry (de Pulp Fiction)
Juke Box Blues - Reese Witherspoon (de Johnny e June)
Soon my Lord - canto religioso melanésio (de Além da Linha Vermelha, mas não se deixe enganar pelo filme ou pelo estilo, é uma música alegre)
Hey Ya - OutKast
Shut Up and Drive - Rihanna
45 Seconds of Ecstasy - Meat Loaf
The Rhythm of Life - Sammy Davis Jr (deste excelente comercial da Guinnes: noitulovE)
The Lady Is a Vamp - Spice Girls ("She's the talk of the town, she's the best, Yes!")
AD Police - Rockin' the Beat (de Bubblegum Crisis)
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