Autor: Carlton Mellick III (de livros como Satan Burger, The Cannibals of Candyland, The Haunted Vagina, I Knocked Up Satan's Daughter, Adolf in Wonderland, Cuddly Holocaust,e outros, muitos com títulos ou capas bem mais provocadores*)
Editora: Eraserhead Press -- Páginas: 300
Ano: 2009 -- Tamanho: padrão (meia folha A4)
ISBN: 978-1-933929-92-7
* Quanto às capas, desde que começaram a ser feitas (ou relançadas) com a arte do Ed Mironiuk,
passaram de assustadoras para até "fofinhas". Eu gosto delas, mas ao
passo que alguns livros perderam capas bem artísticas (exs.: War Slut, Fishy-fleshed ou até o The Haunted Vagina), outros eu até pensaria duas vezes antes de comprar se ainda fosse a capa original (exs.: The Menstruating Mall ou Satan Burger). Vejam algumas delas, antes e depois, aqui.
Devaneios estéticos à parte, vamos ao livro em questão.
O que temos é uma espécie de Mad Max com garotas lobisomens! Ou, nas palavras do autor: "Did I just write a fucking Furry book?".
E posso dizer, foi uma excelente surpresa de ano novo! [na verdade, eu terminei esse livro ontem, mas resolvi colocar a data como dia 1 para o blog começar o ano bem]
Eu tenho lido vários livros do gênero "bizarro" ultimamente. Descobri o
estilo e estou experimentando os autores e suas maluquices. Mas por causa de algumas reviravoltas extremamente exageradas ou idéias boas com desenvolvimento ruim [principalmente contos] eu estava com receio de me decepcionar com esse livro. Aquela enrolação para finalmente lê-lo pois poderia não atender as expectativas e, no final, a capa e o nome serem as melhores partes, com o miolo
não sendo tão bom quanto o conceito.
Estava enganado! Eu tinha medo de que as lobas seriam só coadjuvantes, mais um detalhe do que personagens, um mero algo a mais numa avalanche de escatologia, descrições sexuais e outras anormalidades. Coisas comuns nessas histórias. Felizmente ficou só no medo mesmo. O livro foi uma absurda e divertida aventura pós-apocalíptica, com romance, críticas sociais, crescimentos pessoais, redenção e muita ação. Tudo envolvendo mutantes, uma corporação do mal e mulheres-lobo usando metralhadoras e machados dirigindo motos! [yay!]
Ainda tenho vários livros no gênero para ler e alguns com grandes expectativas.
Esse livro renovou minha fé.
Do que se trata, então, esse Guerreiras Lobisomens das Terras Devastadas? [tecnicamente, "lobisomem" não tem feminino. Mas "Mullheres-Lobos Guerreiras..." ficaria pior - e wastelands é complicado traduzir, mas se terras devastadas foi bom o suficiente para o Stephen King, é bom para mim]
// Aviso pós-postagem escrita: me empolguei um pouco e digitei para cacete! Mas sejamos sinceros, e deve ter sido isso que rolou no meu subconsciente: a minoria que parar aqui e ler essa postagem comprará o livro na seqüência. Ou na verdade já leu. No 2º caso eu posso dar qualquer spoiler, e no 1º quanto mais eu falar, mais vocês se divertirão ou ficarão curiosos! Então... sentem que lá vem texto! //
Premissa: Houve um apocalipse econômico! Os governos caíram, os militares debandaram, os ricos ficaram pobres e os pobres ficaram violentos. E quando não podia piorar, católicos extremistas conseguiram por a mãos em armas atômicas e resolveram destruir todas as cidades com pecadores. No meio do caos, apenas o McDonald's sobreviveu à tudo. [pô, se ainda fosse o Bob's...] [se bem que o Bob's caiu no meu conceito quando pararam de vender hamburguer - você precisa pedir um cheeseburguer sem queijo!, e ser cobrado pelo valor total]
Com o mundo em desordem e sem ninguém para impedi-los, eles reúnem os sobreviventes que acharam e fundam sua pacífica cidade chamada McDonaldlândia.
Religião: Uns 30 anos depois, achando ser melhor para os negócios e para a sociedade criada, eles proíbem todas as religiões a fundam a própria, baseada numa mistura de cristianismo e islamismo (como o hábito de rezar 5 vezes ao dia e algumas mulheres terem que usar burca - mas neste caso, há uma razão não religiosa que falarei em breve), e com seus personagens ocupando o lugar das deidades de ambos: o Ronald McDonald é o novo messias, o Prefeito McCheese o novo deus, Hamburglar o novo diabo, e os Fry Guys são os novos anjos.
Apesar de eu detestar o McDonald's e mais ainda esses personagens ridículos [que graças a deus não vingaram no Brasil], saber quem eles são dá uma pequena ajuda.
Governo: todos na cidade trabalham de alguma forma para a Abençoada Corporação McDonald's, que é ao mesmo tempo a igreja, o governo e a única empresa.
Os policiais são chamados de Fry Guys (caras da fritura?) - e até este momento achava que eles usavam uniformes felpudos por causa da garota pássaro. Faria sentido também ser o termo para os anjos, já que é a personagem com asas. Nunca tinha visto esses "pingos com pernas" do McDonald's antes. Mais um personagem detestável para a lista.
A cidade-estado, aproximadamente do tamanho de Salvador e toda pintada de vermelho e amarelo, é cercada com muros 90 metros para proteger os cidadãos da desolação do mundo externo que, além de ruínas, inclui imensos animais selvagens e perigosas gangs de mulheres lobisomem.
Lá também é proibido o consumo e fabricação de qualquer tipo de alimento que não sejam as McRefeições. E você não pode pular nenhuma das refeições obrigatórias.
E aí, finalmente, a última sessão desta explicação antropológica desta sociedade futura:
Saúde: Raramente alguém vive mais que 50 anos e a maioria é obesa. E anos e anos de fast-food, vacas geneticamente alteradas e novas químicas começaram a causar mutações na população. Homens começaram a ter membros adicionais (outro braço, um novo par de pernas, etc) e mulheres, ao entrarem na vida sexual, começam a virar lobos. Por sorte, não basta ter a primeira menstruação, elas só sofrem transformações ao terem orgasmos. E só neste momento. Se a mulher transar 1 só vez e nunca mais, ela vai ficar parada naquele nível de transformação. [eu posso ter feito vocês pensarem uma
coisa errada falando "lobisomem" toda hora. A transformação é fixa e gradual, não tem
volta e nem tem relação com a lua cheia. mas vou continuar usando esta palavra mesmo assim]
E como ninguém quer que mulheres virem feras assassinas andando pela cidade, sexo fora do casamento e masturbação também são crimes capitais. E, mesmo no casamento, você precisa pedir permissão para o sexo (apenas para fins de reprodução), para limitar a quantidade de vezes que cada mulher o fará. E é essa a razão para as mulheres casadas andarem de burca: esconder os sinais da transformação. Nesta sociedade que precisa manter a aparência de perfeita, elas não podem andar por aí mostrando bigodinhos felinos, orelhinhas pontudas e pelagem onde não deveria. A Cheetara, por exemplo, seria presa se andasse por lá só de maiô.
Isso, claro, para as mulheres, porque são necessárias para fins de reprodução. Homens com mutações são sumariamente expulsos da cidade se descobertos, para se virarem sozinhos do lado de fora - o que é o mesmo que uma pena de morte. Esta é a mesma pena para as mulheres que comentem o crime de transar antes ou mais do que o devido.
Agora... vocês lembram da parte mais acima sobre "perigosas gangs de mulheres lobisomem" no mundo externo? Agora adivinhem de onde elas vieram e como foi que mudaram de "mulheres com penugem e bigodinhos" para "mulheres-lobo"!
E aí... começa nossa história. Tudo isso acima você fica sabendo aos poucos ao longo dos primeiros capítulos (se bobear, tudo no primeiro apenas), só para ambientar.
Estamos 120 anos depois da fundação da cidade [cerca de 3 gerações apenas? eu teria aumentado isso, fica muito curto para todas as mudanças e, principalmente, para o surgimento de todas as tradições do lado de fora]. Nosso herói (Daniel Togg) é um sujeito de quatro braços (2 deles devidamente escondidos), que, por ensinamento do avô (expulso da cidade quando ele era novo), não só se mantém em forma, como esconde comida para fazer bebidas alcoólicas em segredo.
Seu irmão é um policial e sua antiga namoradinha de colégio foi expulsa da cidade 10 anos antes por ter sido violentada (sem direito de defesa nem nada, sexo sem permissão é sem permissão e pronto!).
E então descobrem que ele tem braços a mais e é expulso também.
Atenção, são leves, mas os spoilers começam aqui.
Mas ao invés de apenas ser expulso, como todos acreditavam que acontecia, ele é levado em comboio para uma base aliada, onde todos moradores são mutantes também e lutam contra as gangs de mulheres-lobisomem. Assim eles ainda servem para alguma coisa e são menos lobas atacando a cidade. E tem outra razão também ainda, que não vou falar, nem mesmo sendo a parte com spoilers, pô, alguma coisa tem que sobrar para vocês descobrirem.
A propósito... mulheres-lobo ou mulheres-lobisomem é muito longo de digitar. No livro as chamam de Bitches. Será isso então, a partir de agora, digitarei só "cadelas". [sem ofensa alguma, elas são as personagens principais e a melhor coisa do livro]
O irmão dele é um dos responsáveis pelo comboio que levará (e outros como ele) para a tal base. Mas eles são atacados por lobos gigantescos. Os que conseguem escapar de virar almoço são encontrados por uma gang de cadelas e tornam-se propriedade delas, e daí podem ser usados ou alugados para execução de serviços, usados como objetos sexuais, ou mesmo (novamente) servir de alimento.
▪ Temos um gordo, amigo do protagonista, que torna-se posse de uma cadela secundária.
▪ O mocinho passa a ser propriedade de uma sádica e mimada cadela ruiva (Pippi).
▪ O irmão policial, que foi encontrado nos destroços por acaso por uma criança da gang, passa a ser propriedade desta. Que está mais interessada em brincar do que alugar, transar ou comer o sujeito. Mas ele não gosta de crianças. E também é o único ali que não estava sendo expulso da cidade, logo, é o que mais pensa num jeito de retornar.
▪ E um cientista da cidade, também mutante, passa a ser propriedade da garota na capa do livro, a Slayer, que é violenta mas é uma das mais racionais. [lendo o livro, eu tinha a sensação de que ela me lembrava alguém... aí deu o estalo: eu a estava imaginando com a voz da Tigresa, do Kung Fu Panda - e é mesmo uma boa comparação]
Agora os spoilers são mais pesados, se preferir, pule até a linha pontilhada.
Ficamos conhecendo também mais alguns das cadelas, todas com boas descrições, diferentes níveis de "lobitude" e personalidades variadas, e aí... outro grande spoiler: o cara reencontra a antiga namorada, Nova, que se integrou a gang depois da expulsão.
Que por sua vez, tenta negociar com a Pippi a posse dele, que apenas a deixa a ruiva ainda mais sádica e possessiva. E, para piorar, a ruiva quer ter um bebê.
E aí a história, que já estava bem legal, engrena de vez, com ânimos extremamente acirrados entre a Nova e a Pippi (que é adoravelmente detestável), o cientista achando tudo interessante e fazendo amizade com a sua dona, e o irmão policial se acostumando em ser uma babá (mas sempre querendo voltar para a família), o exército de mutantes (a base para onde eles iam no começo) atacando as cadelas (e bolando outros planos paralelos), e nossos heróis precisando avaliar sua lealdade e se as motivações e atitudes daqueles que deveriam defender a sociedade estão corretas.
• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Daqui para baixo os spoilers voltam a ser leves.
Óbvio que você sabe que os mocinhos e as lobas ficam amigos. Mas mesmo assim, o caminho é torto, trocas de papéis, brigas de casal, machados, pulgas, o Chewbacca [mentira, mas uma das cadelas parece muito com ele] e um bebê a caminho. E cheio de morte, personagens interessantes que tombam mesmo. Eu esperava a saída de qualquer um a qualquer momento, não teve dessa de "óbvio que esse/essa fica vivo até final", foi quase georgemartiano!
E o final nem é tão exageradamente clichê - as cadelas não vão morar na cidade e nem o governo é derrubado nem nada. E também não chega a ser um "a luta continua!". Foi um bom final, correto, e que se encaixou perfeitamente.
Até o destino final do "triângulo" "amoroso" principal ficou bem interessante. Ao ler o livro eu sempre tinha aquela sensação de que "ok, vai acontecer X porque sempre acontece X!", mas o X não parecia correto, não estava encaixando bem na minha cabeça pela história sendo contada e eu não via uma alternativa muito boa. Mas, aos poucos, o cara nos empurra numa direção Y que foi uma solução interessante. Pensei em escrever "e adulta", mas... é um livro sobre gangs de mulheres-lobo em motocicletas, McDonald's e mutantes, incluindo um general de 6 braços que usa uma motosserra em cada uma...
Mas não se engane, também não é literatura para menores de idade.
Nem tem tanta pornografia, mas há algumas passagens um tanto "gráficas" demais. Não adianta, autores de bizarro sempre tem uma queda por
fazer algo assim. Mas as passagens são rápidas e sem descrever em excesso. Há uma que é bem horrível mas, por mais estranho
que pareça, serviu à história e ao universo criado.
De uma forma bem doida e grotesca de imaginar, mas ok, é uma cena rápida. Não vou falar do que estou dizendo não, você reconhecerá a cena
se ler, é logo no começo.
E completando, só para saberem, o livro é o 1º de uma quadrilogia. Por
enquanto são só dois, mas o 3º já está para sair e o quarto já está
sendo pensado. [é vago, o autor ainda quer ver como ficam as vendas do 3º, mas a capa já existe até]. São eles:
▪ Warrior Wolf Women of the Wasteland
▪ Barbarian Beast Bitches of the Badlands, que inclui:
▪ Barbarian Beast Babes of the Badlands
▪ Horrendous Horror of the Hateful Hamburglar
▪ Ferocious Female Furries in the Forbidden Zone
▪ Pippi of the Apocalypse; e
▪ Dog Destroyers of the Deadlands (possível)
E agora, algumas resenhas:
OBS: eu até tentei achar algumas ruins
mas, fora da Amazon, não vi. E, mesmo na Amazon, dos 5 que deram nota abaixo
de 4, 3 elogiam o livro na verdade.
The Book Hunter: (...)
it sounded like the worst book in the world. (...) After finishing the
sample, I knew I wanted to read the whole book! It was that good.
CSI: Librarian: (...) it was also really, really enjoyable. (...) In conclusion, incredibly good.
Dangerous Dan's Book Blog: I can't recommend Warrior Wolf Women of the Wasteland enough. It's not just a great Bizarro book, it's a great book. Period.
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
domingo, 10 de novembro de 2013
Rico Slade Will Fucking Kill You
Eu costumo colocar as capas de livro e cartazes sempre +/- no mesmo tamanho [217 de altura, sem margens, que fica bem no Firefox, mas depois descobri que nem tanto no Chrome, no IE e no Comodo Dragon, ou seja, em lugar nenhum quase], mas esse livro agora não só eu não quero falar muito, porque ele é fino e não quero estragar a história toda, como ele ainda tem um nome e capa tão escrotamente divertidos, que será com ela que vou gastar o espaço hoje:
Autor: Bradley Sands
Editora: Lazy Fascist Press / Eraserhead Press
Páginas: 114 -- Ano: 2011 -- ISBN: 978-1-936383-47-4
Tamanho: A5 (metade de uma folha de papel normal)
A história: ... Opa! Aqui já entra um aviso, eu darei a sinopse do livro sem nenhum tipo de spoiler real, mas... eu li o livro sem saber NADA dele fora a chamada oficial (em itálico ao final da postagem ou no link da Lazy Fascist logo acima). A sinopse em si entrega algo que você fica sabendo já na 1ª linha da 7ª página [acabei de contar], então não é nenhum tipo de surpresa ou reviravolta final, mas... como eu li o livro sem saber nem isso, caso vocês também prefiram desta forma, pulem para a linha pontilhada.
Então...
A história: temos um ator (era essa a "surpresa"), famoso pelo papel de personagem musculoso, cabeludo e brucutu em vários filmes, que luta contra vilões que querem dominar o mundo. Uma boa comparação talvez fosse uma junção de Comando para Matar com 007. E certo dia o cara surta! Começa a achar que ele é o personagem, se irrita com praticamente tudo e todos a sua volta, e sai degolando gargantas, chutando mulheres e explodindo lojinhas. Mas...
Agora, outro aviso, o que vou dizer abaixo sim, pode ser considerado spoiler mas, novamente, você fica sabendo tão cedo na história, que talvez não seja na verdade... Bem, não querendo saber, de novo, fica a dica de ir para a linha pontilhada.
... não é bem assim.
Na passagem da lojinha, por exemplo, o sujeito fica puto com a atendente, volta para sua Ferrari e a joga através da vitrine, daí sai andando em câmera lenta enquanto o lugar explode, e empregados e clientes queimam. No capítulo seguinte acompanhamos o psicólogo do sujeito, e num dado momento é anunciado na TV que um careca mal vestido jogou o carro dentro de uma loja, mas, felizmente, não houveram feridos. A parte de ser uma Ferrari era verdade pelo menos.
Então uma coisa é a história que o personagem acredita estar vivendo em seu ataque de fúria nem tão furioso quanto ele acha. Outra é a historia real, que mesmo não sendo devaneio, é bastante bizarra por si só.
• • • • • • • • • o "não-spoiler" e o "mais ou menos spoiler" terminam aqui • • • • • • • • •
É um livro bem engraçado. Tanto os capítulos do Rico Slade, como os do psicólogo, que na prática é o co-protagonista, já que eles revesam capítulos e metade do livro é com o sujeito. Assim, de cabeça, dele me recordo do capítulo envolvendo o golfista e "comentários culturalmente insensíveis", por ex.
O lado ruim é que o livro é fino. Assim como o Shatnerquake, o livro inteiro é na verdade um conto. E nem todos irão querer pagar R$ 25 para ter um livro de 90 páginas (em letras grandes, e há um capítulo inteiro que é uma única palavra) [lá no alto eu digo que são 114 páginas, e são mesmo, mas há 12 só com anúncios de outros livros da editora, mas que, diga-se de passagem, ler os títulos e suas descrições é outra diversão], ou R$ 11 para só ler sem nem ter o livro de verdade. Mas pense assim: um ingresso de cinema custa algo entre R$ 20 e R$ 40 e te diverte (ou não) por duas horas. Esse livro faz o mesmo, mas você ainda passará a ter na sua estante uma capa como a acima. É um plano perfeito.
E dá fácil para imaginar o livro como um filme ao lê-lo, por mais que a história não tenha sido feita pensando no Arnold, ele encaixou como uma luva. Eu li o livro em 3 sentadas e, antes a última, assisti uma reprise de O Sexto Dia [um filme bem idiota, mas uma boa e bem feita diversão] e novamente, o jeitão brucutu bem humorado dele pareceu encaixar feito uma luva. Na minha cabeça, bem melhor que The Rock, como numa entrevista dada pelo autor. Sei lá, o Dwayne é novo demais ainda a meu ver, e não tem o jeito bonachão do Arnold. OBS: a entrevista que mencionei dá os mesmos "spoilers" que comentei acima, então se você os pulou, não a leia. Caso contrário...
Bradley Sands – The Man Who Created Rico Slade.
E para fechar, a sinopse oficial (onde o título passa a fazer mais sentido):
What the crap is Arnold Schwarzenegger doing on the cover of Rico Slade's book? This is Rico Slade's goddamn book. Rico Slade is not a body builder, an actor, or a governor. Rico Slade is an action hero.
Rico Slade doesn't care about the political climate. Rico Slade has an advanced degree in badassery. Rico Slade's favorite food is the honey-roasted peanut. Rico Slade can rip out a throat with his bare hands.
But Rico Slade has a problem. His arch-nemesis, Baron Mayhem, is threatening to drop a bomb on the Earth that will kill every human being except himself while leaving the world's currency intact. To save the planet, Rico Slade must journey across Hollywood to find Baron Mayhem. Unfortunately, Rico Slade's crime fighting style involves ripping out the throat of anyone who gets in his way, including grandmothers and Midwestern tourists.
As Rico Slade leaves Hollywood in ruins, the only person who can stop him from destroying the city is his Jewish psychologist, Harold Schwartzman. Until he does, Rico Slade will kill as many people as it takes to thwart Baron Mayhem's evil scheme. Rico Slade will fucking kill everyone.
RICO SLADE WILL FUCKING KILL YOU.
E terminando, 3 rápidas resenhas. Todas com vários spoilers, estejam avisados:
Mythos flavored blog: "(...) so brilliant and so fun you will not be able to stop reading it."
Dangerous Dan's book blog: "(...) a hilarious tale (...) isn't for everyone, though."
Sheldon Nylander: "Hillarious! (...) an enjoyable and downright fun read (...)"
Autor: Bradley Sands
Editora: Lazy Fascist Press / Eraserhead Press
Páginas: 114 -- Ano: 2011 -- ISBN: 978-1-936383-47-4
Tamanho: A5 (metade de uma folha de papel normal)
A história: ... Opa! Aqui já entra um aviso, eu darei a sinopse do livro sem nenhum tipo de spoiler real, mas... eu li o livro sem saber NADA dele fora a chamada oficial (em itálico ao final da postagem ou no link da Lazy Fascist logo acima). A sinopse em si entrega algo que você fica sabendo já na 1ª linha da 7ª página [acabei de contar], então não é nenhum tipo de surpresa ou reviravolta final, mas... como eu li o livro sem saber nem isso, caso vocês também prefiram desta forma, pulem para a linha pontilhada.
Então...
A história: temos um ator (era essa a "surpresa"), famoso pelo papel de personagem musculoso, cabeludo e brucutu em vários filmes, que luta contra vilões que querem dominar o mundo. Uma boa comparação talvez fosse uma junção de Comando para Matar com 007. E certo dia o cara surta! Começa a achar que ele é o personagem, se irrita com praticamente tudo e todos a sua volta, e sai degolando gargantas, chutando mulheres e explodindo lojinhas. Mas...
Agora, outro aviso, o que vou dizer abaixo sim, pode ser considerado spoiler mas, novamente, você fica sabendo tão cedo na história, que talvez não seja na verdade... Bem, não querendo saber, de novo, fica a dica de ir para a linha pontilhada.
... não é bem assim.
Na passagem da lojinha, por exemplo, o sujeito fica puto com a atendente, volta para sua Ferrari e a joga através da vitrine, daí sai andando em câmera lenta enquanto o lugar explode, e empregados e clientes queimam. No capítulo seguinte acompanhamos o psicólogo do sujeito, e num dado momento é anunciado na TV que um careca mal vestido jogou o carro dentro de uma loja, mas, felizmente, não houveram feridos. A parte de ser uma Ferrari era verdade pelo menos.
Então uma coisa é a história que o personagem acredita estar vivendo em seu ataque de fúria nem tão furioso quanto ele acha. Outra é a historia real, que mesmo não sendo devaneio, é bastante bizarra por si só.
• • • • • • • • • o "não-spoiler" e o "mais ou menos spoiler" terminam aqui • • • • • • • • •
É um livro bem engraçado. Tanto os capítulos do Rico Slade, como os do psicólogo, que na prática é o co-protagonista, já que eles revesam capítulos e metade do livro é com o sujeito. Assim, de cabeça, dele me recordo do capítulo envolvendo o golfista e "comentários culturalmente insensíveis", por ex.
O lado ruim é que o livro é fino. Assim como o Shatnerquake, o livro inteiro é na verdade um conto. E nem todos irão querer pagar R$ 25 para ter um livro de 90 páginas (em letras grandes, e há um capítulo inteiro que é uma única palavra) [lá no alto eu digo que são 114 páginas, e são mesmo, mas há 12 só com anúncios de outros livros da editora, mas que, diga-se de passagem, ler os títulos e suas descrições é outra diversão], ou R$ 11 para só ler sem nem ter o livro de verdade. Mas pense assim: um ingresso de cinema custa algo entre R$ 20 e R$ 40 e te diverte (ou não) por duas horas. Esse livro faz o mesmo, mas você ainda passará a ter na sua estante uma capa como a acima. É um plano perfeito.
E dá fácil para imaginar o livro como um filme ao lê-lo, por mais que a história não tenha sido feita pensando no Arnold, ele encaixou como uma luva. Eu li o livro em 3 sentadas e, antes a última, assisti uma reprise de O Sexto Dia [um filme bem idiota, mas uma boa e bem feita diversão] e novamente, o jeitão brucutu bem humorado dele pareceu encaixar feito uma luva. Na minha cabeça, bem melhor que The Rock, como numa entrevista dada pelo autor. Sei lá, o Dwayne é novo demais ainda a meu ver, e não tem o jeito bonachão do Arnold. OBS: a entrevista que mencionei dá os mesmos "spoilers" que comentei acima, então se você os pulou, não a leia. Caso contrário...
Bradley Sands – The Man Who Created Rico Slade.
E para fechar, a sinopse oficial (onde o título passa a fazer mais sentido):
What the crap is Arnold Schwarzenegger doing on the cover of Rico Slade's book? This is Rico Slade's goddamn book. Rico Slade is not a body builder, an actor, or a governor. Rico Slade is an action hero.
Rico Slade doesn't care about the political climate. Rico Slade has an advanced degree in badassery. Rico Slade's favorite food is the honey-roasted peanut. Rico Slade can rip out a throat with his bare hands.
But Rico Slade has a problem. His arch-nemesis, Baron Mayhem, is threatening to drop a bomb on the Earth that will kill every human being except himself while leaving the world's currency intact. To save the planet, Rico Slade must journey across Hollywood to find Baron Mayhem. Unfortunately, Rico Slade's crime fighting style involves ripping out the throat of anyone who gets in his way, including grandmothers and Midwestern tourists.
As Rico Slade leaves Hollywood in ruins, the only person who can stop him from destroying the city is his Jewish psychologist, Harold Schwartzman. Until he does, Rico Slade will kill as many people as it takes to thwart Baron Mayhem's evil scheme. Rico Slade will fucking kill everyone.
RICO SLADE WILL FUCKING KILL YOU.
E terminando, 3 rápidas resenhas. Todas com vários spoilers, estejam avisados:
Mythos flavored blog: "(...) so brilliant and so fun you will not be able to stop reading it."
Dangerous Dan's book blog: "(...) a hilarious tale (...) isn't for everyone, though."
Sheldon Nylander: "Hillarious! (...) an enjoyable and downright fun read (...)"
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Walrus Tales - Table of Contents
I have all my books catalogued. [and I'm nerdly proud of that!]
When the book is an anthology of short-stories, they also get catalogued. Nothing fancy... all data are just an Excel file with four spreadsheets: one for books, one for the fiction inside of them (when it's a collection), a very smaller one for magazines I won't throw away [mostly old magazines about japanese animation, from the time before the Internet killed all the reasons for theirs existence], and a ridiculously small (about 15 lines) for ebooks (I do have more ebooks than that, but this spreadsheet is for ebooks I don't have the actual paper book - generally something old I got curious about, or something that probably will never appear in book form, or because it's just some short story I decided to read without buying a whole book I didn't want).
So... Although it took a bit of initial effort (the spreadsheets are just about 2 years old, and I had a lot of books already then), I will not have the trouble other people already had for me. That means: I just copied and pasted a lot of things already in The Internet Speculative Fiction Database (it's a lot easier just to adjuste the columns than to retype everything for every SF book in english I have). When I don't find it there, Google is my friend. And then... In some extremely rare cases, when no one bothered, not even the publishers' sites... Those ones I type myself. You can't win everytime [and most of my books are in portuguese anyway].
I will not start my own ISFDB nor will I post the contents of every one of that cases I discover... I just was astonished to discover no one posted the contents of Walrus Tales ANYWHERE! (they almost got it here, but you have to click for every author, and most of the tales names are missing). [and I can't accept an world wide net without the word "Illuminiwalri" in it! that's just too good a word and concept not to appear anyplace]
Ok, it's not Dickens. It's not Asimov. Heck!, for most of the human race it's probably not even a good book! But the table of contents alone is enough fun to not let it pass un-interneted. [true, I could just fill the data on it's own ISFDB page, but that place is not Wikipedia, they're a lot more serious about its editing] [and it's more fun to post it here!]
So, that's enough talk. I will stop abusing english language now. [sorry, my fellow Brazilians, but I do think you guys will be less likely to rummage the net for this book's contents] [and it was fun to write in english, I didn't do that for a long time]
Walrus Tales - Table of Contents:
Edited by Kevin L. Donihe / Eraserhead Press
The Illuminiwalri [*] -- Greg Beatty
We Are All Together -- Bentley Little
Night of the Long Tusk -- Paul A. Toth
The Rhinoceros and the Walrus -- Dave Fischer [2]
Meet the Tuskersons -- James Chambers
Naming Day -- John Sunseri
Walrus Skin -- Ekaterina Sedia [3]
Tattoo Burning Over Your Wasted Heart -- Andersen Prunty
Deadtime for Bonzo -- Violet LeVoit
Scapegoat -- Alan M. Clark
Coloring Book Exegesis -- Nicole Cushing
13 Ways of Looking at a Walrus -- Nick Mamatas
Medicine Song -- Mitch Maraude
The Legend of the Silver Tusk -- Jeffrey A. Stadt
Girl Gone Gray -- Gina Ranalli
The Walrus Master -- Carlton Mellick III [4]
The Walrus-Carpenter Murders -- R. Allen Leider
First Natural Bank -- John Skipp
Sirens of New Brunswick -- Mykle Hansen
The Walri Republic of Sea World [*] -- Bradley Sands
Gus -- A. D. Dawson
Lovespoons in Peril -- Rhys Hughes
Something Fishy -- Mo Ali
[*] = I do think it sounds better, but... I have to say it: technically, walrus is not from latin, so the walri plural does not exist. Octopi also do not. [note: I just saw that in the book's introduction the author makes a similar statement]
[2] = Couldn't find anything about this guy.
[3] = I think she is the only one here that got published in Brazil.
[4] = Easily the most famous of the bunch, so I decide not to link him. I linked his favorite cover artist. If I were crazy enough, I'd buy all the books this guy covers. [and I will buy whatever book uses the picture Nerd Rage]
Now, go buy the book. And then return and tell me if you liked. I didn't read it yet. [and I have mixed feelings about bizarro fiction. Sometimes I love it, sometimes... I really don't.] [you can find both situations in Die You Doughnut Bastards]
When the book is an anthology of short-stories, they also get catalogued. Nothing fancy... all data are just an Excel file with four spreadsheets: one for books, one for the fiction inside of them (when it's a collection), a very smaller one for magazines I won't throw away [mostly old magazines about japanese animation, from the time before the Internet killed all the reasons for theirs existence], and a ridiculously small (about 15 lines) for ebooks (I do have more ebooks than that, but this spreadsheet is for ebooks I don't have the actual paper book - generally something old I got curious about, or something that probably will never appear in book form, or because it's just some short story I decided to read without buying a whole book I didn't want).
So... Although it took a bit of initial effort (the spreadsheets are just about 2 years old, and I had a lot of books already then), I will not have the trouble other people already had for me. That means: I just copied and pasted a lot of things already in The Internet Speculative Fiction Database (it's a lot easier just to adjuste the columns than to retype everything for every SF book in english I have). When I don't find it there, Google is my friend. And then... In some extremely rare cases, when no one bothered, not even the publishers' sites... Those ones I type myself. You can't win everytime [and most of my books are in portuguese anyway].
I will not start my own ISFDB nor will I post the contents of every one of that cases I discover... I just was astonished to discover no one posted the contents of Walrus Tales ANYWHERE! (they almost got it here, but you have to click for every author, and most of the tales names are missing). [and I can't accept an world wide net without the word "Illuminiwalri" in it! that's just too good a word and concept not to appear anyplace]
Ok, it's not Dickens. It's not Asimov. Heck!, for most of the human race it's probably not even a good book! But the table of contents alone is enough fun to not let it pass un-interneted. [true, I could just fill the data on it's own ISFDB page, but that place is not Wikipedia, they're a lot more serious about its editing] [and it's more fun to post it here!]
So, that's enough talk. I will stop abusing english language now. [sorry, my fellow Brazilians, but I do think you guys will be less likely to rummage the net for this book's contents] [and it was fun to write in english, I didn't do that for a long time]
Walrus Tales - Table of Contents:
Edited by Kevin L. Donihe / Eraserhead Press
The Illuminiwalri [*] -- Greg Beatty
We Are All Together -- Bentley Little
Night of the Long Tusk -- Paul A. Toth
The Rhinoceros and the Walrus -- Dave Fischer [2]
Meet the Tuskersons -- James Chambers
Naming Day -- John Sunseri
Walrus Skin -- Ekaterina Sedia [3]
Tattoo Burning Over Your Wasted Heart -- Andersen Prunty
Deadtime for Bonzo -- Violet LeVoit
Scapegoat -- Alan M. Clark
Coloring Book Exegesis -- Nicole Cushing
13 Ways of Looking at a Walrus -- Nick Mamatas
Medicine Song -- Mitch Maraude
The Legend of the Silver Tusk -- Jeffrey A. Stadt
Girl Gone Gray -- Gina Ranalli
The Walrus Master -- Carlton Mellick III [4]
The Walrus-Carpenter Murders -- R. Allen Leider
First Natural Bank -- John Skipp
Sirens of New Brunswick -- Mykle Hansen
The Walri Republic of Sea World [*] -- Bradley Sands
Gus -- A. D. Dawson
Lovespoons in Peril -- Rhys Hughes
Something Fishy -- Mo Ali
[*] = I do think it sounds better, but... I have to say it: technically, walrus is not from latin, so the walri plural does not exist. Octopi also do not. [note: I just saw that in the book's introduction the author makes a similar statement]
[2] = Couldn't find anything about this guy.
[3] = I think she is the only one here that got published in Brazil.
[4] = Easily the most famous of the bunch, so I decide not to link him. I linked his favorite cover artist. If I were crazy enough, I'd buy all the books this guy covers. [and I will buy whatever book uses the picture Nerd Rage]
Now, go buy the book. And then return and tell me if you liked. I didn't read it yet. [and I have mixed feelings about bizarro fiction. Sometimes I love it, sometimes... I really don't.] [you can find both situations in Die You Doughnut Bastards]
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terça-feira, 17 de setembro de 2013
Dois livros que eu esperava mais
Título: Fifty Short Science Fiction Tales
Editado por: Groff Conklin e Isaac Asimov.
Autores: são 52 autores diferentes, não vou nomeá-los. Clique aqui para a relação completa. Ou clique na capa ao lado para aumentá-la e ver os mais famosos.
Editora: Collier -- Páginas: 288 -- ISBN: não tem
Ano livro / histórias: 1963 / de 1940 a 1958 [há um poema de 1962, mas é tão curto que não conta].
Pois então, eu sempre me declaro fã dos contos de FC dos anos 40 e 50. Até mencionei isso na postagem sobre uma coletânea parecida, que era principalmente dos anos 60 e 70, então eu tinha grandes expectativas para esse livro. Mas não sei... Não rolou uma química entre a gente. Foi vingança do outro livro, que eu disse que provavelmente não seria tão bom quanto esse, mesmo antes de ter lido... Foi pra aprender! Bem feito!
No final, achei o livro com muito jeitão de Ray Bradbury - cujas Crônicas Marcianas eu adoro, mas os Frutos Dourados do Sol está disputando com Planolândia e Neuromancer para ver qual será o livro de FC* que mais vou demorar para terminar de ler.
(*): Planolândia não é FC de verdade, a os Frutos, apesar do disco voador na capa (edição Círculo do Livro), até onde li dele, também não deveria ser considerado assim.
E esse livro tinha mais uma pegada do Frutos do que do Crônicas. Muitos contos que mal ou nem se aproximavam de FC. Exemplos: Appointment at Noon, do Eric Frank Russel, escritor que eu gosto bastante ou The Available Data on the Worp Reaction, que é tão curta, que nem devia ter me chateado, mas achei tudo tão ruim nela, que traumatizou. Mesmo contextualizando a época, a maioria dos contos não me pegou.
E olha que o conto do Russell envolve a Morte (ela mesmo, aquela de capuz e foice) e no Microcosmic também havia um conto com essa temática, completamente não-FC, mas lá eu gostei do conto... Então o problema não é não ser de FC, é só que não gostei mesmo.
Claro, há alguns clássicos, daqueles que você encontra em várias outras coletâneas, como The Fun They Had do Asimov. E há algumas surpresas legais, folheando agora rapidamente para achar uma, esbarrei com a The Choice, de um tal Wayland Hilton-Young. Mal tem 1 página de texto mas é interessante; é daquelas micro-histórias que não te conta nada, mas você fica querendo saber o que o personagem viu. E outra, bem previsível mas bem escrita, é a Project Hush, envolvendo uma base secreta do exército americano na Lua.
No geral, lê-se, mas retiro o que eu disse e, se é para ler contos bem curtos, leiam o Microcosmic. Esse Fifty Short Tales não teve aquele "tcham!".
Só para citar um que tem, para comparação, estou agora lendo o Tomorrow, and Tomorrow, and Tomorrow..., que não é de contos curtos mas servirá para o exemplo; e, finalmente, depois de algum tempo lendo vários livros que não me agradaram muito, esse eu comecei a ler e não queria soltar. Ótima seleção de contos. Só dei uma parada nele porque resolvi que terminaria de ler todos os chatos de uma vez. Arrancar logo esse band-aid. Cheguei outro dia ao cúmulo de estar lendo 6 livros ao mesmo tempo. Porque um ficava chato, aí começava outro, que também descobria ser chato, e assim foi. OBS: dos 6, só 4 estavam chatos. Um era o Tomorrow que acabei de falar e o outro é a 3ª biografia do Asimov. Excelente. O Bom Doutor foi um contador de causos de primeira.
Título: Die You Doughnut Bastards
De: Cameron Pierce
Editora: Eraserhead Press -- Páginas: 172
ISBN: 978-1-62105-055-1 -- Ano: 2012
Ok, eu dei uma passo maior que as pernas.
Li o Shatnerquake e achei que literatura bizarra seria interessante de experimentar. Há muito coisa que, pelas descrições, não pretendo nem passar perto (como o Ass Goblins of Auschwitz, para ficar num exemplo deste autor), mas muito coisa parece legal (continuando no autor, eu tenho outro livro dele já até, o Cthulhu Comes to the Vampire Kingdom). E quando vi o livro com essa capa (clique nela para arte completa), não deu para resistir. Livros de contos de apenas de UM autor são sempre um perigo. Exemplos rápidos que eu não gostei: Só sei que não vou por aí!, Azar do Personagem ou, mesmo com grandes autores como o Os Frutos Dourados do Sol, do Ray Bradbury. Mas não teve como resistir à essa capa.
Então, o que vocês podem esperar do dito cujo açucarado?
Já digo que o conto que dá nome ao livro é bem curto. Tem 10 páginas. Não é ruim não (é quase um conto de zumbi, beirando o convencional), mas acaba aí qualquer relação do nome do livro e a capa com o seu conteúdo. De resto, vários contos (e os poemas) foram bem mais bizarros do que eu estava esperando.
Tem um que começou bem legal ("Death Card"), com bons protagonistas (um casal de namorados numa leve crise), em que vamos conhecendo cada um aos poucos e sua paixão por pequenas esculturas (no caso dele, itens colecionáveis, no dela, artesanato próprio). Conhecemos o dia a dia do dois, seus gostos para pizza e animação japonesa e etc... Nada fora do comum.
E o que estava fazendo esse conto ser "bizarro" então? Nada!! As páginas foram passando, agradavelmente, e nada de estranho acontecia. Eu já estava esperando que as esculturinhas ficassem vivas (as dele ou as dela) e matassem alguém, não sei. E aí descobrimos o porque do conto ser classificado assim numa conclusão completamente ilógica nas últimas linhas. E acaba! Imaginem que fosse um livro do Sherlock Holmes, tudo indo perfeitamente arthurconandoyliano e aí, quando ele sentasse para conversar com o Watson, perto do final, dizendo que tem uma teoria sobre o mistério, Watson dissesse calmamente: "Holmes, não importa. O peixe chegou!" e surgisse um peixe gigante que engolisse Londres. The End! Não tem peixe nenhum no conto, mas foi nesse nível o choque que eu tive.
Não sei... Foi metafísico, poético, ou sutil demais para minha mente.
Mas há outra, por exemplo ("Lantern Jaws"), que também é um romance fofinho, namorico de adolescentes, mas é muito mais maluca (envolve um fantasma, um quê de Lovecraft, uma sereia e uma garota com máscara cirúrgica) e consegue não terminar de um jeito tão insano.
Tem uma história completamente maluca ("Disappear") envolvendo o Stephen King, que já começa esquisita, mas num jeito fofinho, e termina te dando pesadelos. [ok, exagero, não tive. mas a imagem mental criada é horrível - e não foi a pior coisa do livro]
Já a seguinte ("Mitchell Farnsworth", online aqui), que envolvia sexo sem nenhum pudor e que eu esperava alguma séria escatologia ao final, acabou sendo a história mais normal do livro. Poderia ser parte de uma coletânea de contos românticos sem problema; e tampouco terminou com alguma surpresa assustadora.
Claro, o livro ainda tinha outros traumas mentais a minha espera. Um aleijado violentando o globo ocular de uma velha e forçando-a a comer excrementos não é uma boa imagem mental. Em contrapartida, há uma certa graça em castores góticos [a molecada de preto e não a arte medieval], porquinhos-da-Índia assassinos ou um ornitorrinco ["E por falar nisso, cadê o Perry?"] tentando gerenciar suas ações na bolsa numa sala mágica onde há um computador mas nenhum teclado ou mouse. Olhando agora o índice, o conto "A Birthday In Hell" também é legal.
No geral, não me arrependo de ter comprado o livro. Não vou dizer que ele foi de "altos e baixos" e que os altos compensaram (porque nem foram assim tão altos) mas, mesmo tendo seus pontos positivos e sido o tipo de leitura que eu não acharia em nenhum outro canto, o nome da postagem já diz tudo - eu também esperava mais dele.
Mas para o caso de você ter ficado desinteressado, segue uma resenha mais otimista:
David Hudnut: "Die You Doughnut Bastards was a fabulous read, original and creative to the highest level. (...) Five stars."
Editado por: Groff Conklin e Isaac Asimov.
Autores: são 52 autores diferentes, não vou nomeá-los. Clique aqui para a relação completa. Ou clique na capa ao lado para aumentá-la e ver os mais famosos.
Editora: Collier -- Páginas: 288 -- ISBN: não tem
Ano livro / histórias: 1963 / de 1940 a 1958 [há um poema de 1962, mas é tão curto que não conta].
Pois então, eu sempre me declaro fã dos contos de FC dos anos 40 e 50. Até mencionei isso na postagem sobre uma coletânea parecida, que era principalmente dos anos 60 e 70, então eu tinha grandes expectativas para esse livro. Mas não sei... Não rolou uma química entre a gente. Foi vingança do outro livro, que eu disse que provavelmente não seria tão bom quanto esse, mesmo antes de ter lido... Foi pra aprender! Bem feito!
No final, achei o livro com muito jeitão de Ray Bradbury - cujas Crônicas Marcianas eu adoro, mas os Frutos Dourados do Sol está disputando com Planolândia e Neuromancer para ver qual será o livro de FC* que mais vou demorar para terminar de ler.
(*): Planolândia não é FC de verdade, a os Frutos, apesar do disco voador na capa (edição Círculo do Livro), até onde li dele, também não deveria ser considerado assim.
E esse livro tinha mais uma pegada do Frutos do que do Crônicas. Muitos contos que mal ou nem se aproximavam de FC. Exemplos: Appointment at Noon, do Eric Frank Russel, escritor que eu gosto bastante ou The Available Data on the Worp Reaction, que é tão curta, que nem devia ter me chateado, mas achei tudo tão ruim nela, que traumatizou. Mesmo contextualizando a época, a maioria dos contos não me pegou.
E olha que o conto do Russell envolve a Morte (ela mesmo, aquela de capuz e foice) e no Microcosmic também havia um conto com essa temática, completamente não-FC, mas lá eu gostei do conto... Então o problema não é não ser de FC, é só que não gostei mesmo.
Claro, há alguns clássicos, daqueles que você encontra em várias outras coletâneas, como The Fun They Had do Asimov. E há algumas surpresas legais, folheando agora rapidamente para achar uma, esbarrei com a The Choice, de um tal Wayland Hilton-Young. Mal tem 1 página de texto mas é interessante; é daquelas micro-histórias que não te conta nada, mas você fica querendo saber o que o personagem viu. E outra, bem previsível mas bem escrita, é a Project Hush, envolvendo uma base secreta do exército americano na Lua.
No geral, lê-se, mas retiro o que eu disse e, se é para ler contos bem curtos, leiam o Microcosmic. Esse Fifty Short Tales não teve aquele "tcham!".
Só para citar um que tem, para comparação, estou agora lendo o Tomorrow, and Tomorrow, and Tomorrow..., que não é de contos curtos mas servirá para o exemplo; e, finalmente, depois de algum tempo lendo vários livros que não me agradaram muito, esse eu comecei a ler e não queria soltar. Ótima seleção de contos. Só dei uma parada nele porque resolvi que terminaria de ler todos os chatos de uma vez. Arrancar logo esse band-aid. Cheguei outro dia ao cúmulo de estar lendo 6 livros ao mesmo tempo. Porque um ficava chato, aí começava outro, que também descobria ser chato, e assim foi. OBS: dos 6, só 4 estavam chatos. Um era o Tomorrow que acabei de falar e o outro é a 3ª biografia do Asimov. Excelente. O Bom Doutor foi um contador de causos de primeira.
Título: Die You Doughnut Bastards
De: Cameron Pierce
Editora: Eraserhead Press -- Páginas: 172
ISBN: 978-1-62105-055-1 -- Ano: 2012
Ok, eu dei uma passo maior que as pernas.
Li o Shatnerquake e achei que literatura bizarra seria interessante de experimentar. Há muito coisa que, pelas descrições, não pretendo nem passar perto (como o Ass Goblins of Auschwitz, para ficar num exemplo deste autor), mas muito coisa parece legal (continuando no autor, eu tenho outro livro dele já até, o Cthulhu Comes to the Vampire Kingdom). E quando vi o livro com essa capa (clique nela para arte completa), não deu para resistir. Livros de contos de apenas de UM autor são sempre um perigo. Exemplos rápidos que eu não gostei: Só sei que não vou por aí!, Azar do Personagem ou, mesmo com grandes autores como o Os Frutos Dourados do Sol, do Ray Bradbury. Mas não teve como resistir à essa capa.
Então, o que vocês podem esperar do dito cujo açucarado?
Já digo que o conto que dá nome ao livro é bem curto. Tem 10 páginas. Não é ruim não (é quase um conto de zumbi, beirando o convencional), mas acaba aí qualquer relação do nome do livro e a capa com o seu conteúdo. De resto, vários contos (e os poemas) foram bem mais bizarros do que eu estava esperando.
Tem um que começou bem legal ("Death Card"), com bons protagonistas (um casal de namorados numa leve crise), em que vamos conhecendo cada um aos poucos e sua paixão por pequenas esculturas (no caso dele, itens colecionáveis, no dela, artesanato próprio). Conhecemos o dia a dia do dois, seus gostos para pizza e animação japonesa e etc... Nada fora do comum.
E o que estava fazendo esse conto ser "bizarro" então? Nada!! As páginas foram passando, agradavelmente, e nada de estranho acontecia. Eu já estava esperando que as esculturinhas ficassem vivas (as dele ou as dela) e matassem alguém, não sei. E aí descobrimos o porque do conto ser classificado assim numa conclusão completamente ilógica nas últimas linhas. E acaba! Imaginem que fosse um livro do Sherlock Holmes, tudo indo perfeitamente arthurconandoyliano e aí, quando ele sentasse para conversar com o Watson, perto do final, dizendo que tem uma teoria sobre o mistério, Watson dissesse calmamente: "Holmes, não importa. O peixe chegou!" e surgisse um peixe gigante que engolisse Londres. The End! Não tem peixe nenhum no conto, mas foi nesse nível o choque que eu tive.
Não sei... Foi metafísico, poético, ou sutil demais para minha mente.
Mas há outra, por exemplo ("Lantern Jaws"), que também é um romance fofinho, namorico de adolescentes, mas é muito mais maluca (envolve um fantasma, um quê de Lovecraft, uma sereia e uma garota com máscara cirúrgica) e consegue não terminar de um jeito tão insano.
Tem uma história completamente maluca ("Disappear") envolvendo o Stephen King, que já começa esquisita, mas num jeito fofinho, e termina te dando pesadelos. [ok, exagero, não tive. mas a imagem mental criada é horrível - e não foi a pior coisa do livro]
Já a seguinte ("Mitchell Farnsworth", online aqui), que envolvia sexo sem nenhum pudor e que eu esperava alguma séria escatologia ao final, acabou sendo a história mais normal do livro. Poderia ser parte de uma coletânea de contos românticos sem problema; e tampouco terminou com alguma surpresa assustadora.
Claro, o livro ainda tinha outros traumas mentais a minha espera. Um aleijado violentando o globo ocular de uma velha e forçando-a a comer excrementos não é uma boa imagem mental. Em contrapartida, há uma certa graça em castores góticos [a molecada de preto e não a arte medieval], porquinhos-da-Índia assassinos ou um ornitorrinco ["E por falar nisso, cadê o Perry?"] tentando gerenciar suas ações na bolsa numa sala mágica onde há um computador mas nenhum teclado ou mouse. Olhando agora o índice, o conto "A Birthday In Hell" também é legal.
No geral, não me arrependo de ter comprado o livro. Não vou dizer que ele foi de "altos e baixos" e que os altos compensaram (porque nem foram assim tão altos) mas, mesmo tendo seus pontos positivos e sido o tipo de leitura que eu não acharia em nenhum outro canto, o nome da postagem já diz tudo - eu também esperava mais dele.
Mas para o caso de você ter ficado desinteressado, segue uma resenha mais otimista:
David Hudnut: "Die You Doughnut Bastards was a fabulous read, original and creative to the highest level. (...) Five stars."
domingo, 21 de abril de 2013
The Emerald Burrito of Oz
Autores: John Skipp (escritor de livros e roteiros de terror bizarro) e Marc Levinthal (autor do clássico Three Little Pigs).
Com personagens de: L. Frank Baum
Artista da capa: Samuel Deats [o mesmo do Shatnerquake]
Editora: Eraserhead Press [idem]
Ano livro / história: 2012 / 2000 -- Páginas: 264
ISBN: 978-1-936383-12-2
Acabamento: a capa é um pouco mais molenga do que devia, mas fora isso, muito bem feito; com páginas amareladas, mais agradáveis. Tamanho padrão (14x22 cm).
◄ Clique na capa para ampliar.
Ok, depois de ver o Oz, Mágico e Poderoso, achei que era uma boa deixa para ler esse livro logo. Nem ficou muito tempo na espera não, comprei-o no começo do ano.
Contexto: O Mundo Mágico de Oz é real. Dorothy realmente foi lá e conheceu toda aquela galera que conhecemos. [e aí devem ter permitido que o filme fosse feito para disfarçar, aquela coisa meio Arquivo-X. Putz... Isso me faz lembrar da "Trilogia Martin" do Stargete SG-1. Muito bom!!] Mas depois de algum tempo, fazendeiros do Kansas começam a notar que algo de estranho acontecia por ali. O FBI foi chamado, mas, com Guerra Fria no auge e esse tipo de coisa, o governo fez segredo.
Por volta dos anos 80/90 a verdade foi contada para a população. Kennedy até pensara em fazer isso antes, e aí o mataram. [na verdade, parece ter algum problema com as datas, a garota principal parece ter uns 30 e poucos anos, e soube que Oz era real quando criança. Mas Michael Jackson criança já sabia disso também. E no livro eles estão em 2007. Sei lá, mas não é importante.]
Pois bem. Estamos em um mundo onde há turismo entre os dois lugares. Onde humanos podem ir para Oz e abrir negócios (bem, mais ou menos, pois em Oz não há dinheiro). E onde anões de Oz podem ir para a Terra e trabalhar em postos de gasolina.
E entre os 2 mundos há um portão mágico, com todo o aparato imigratório de se ir num aeroporto, burocracia, documentos, etc. Quer dizer, há isso no lado de cá. De lá para cá basta um "boa viagem!".
E claro, um novo mundo, com poderes loucos, recursos desconhecidos e leis da física bem diferentes das nossas... Agentes da CIA, KGB e grandes corporações não iam deixar de visitar e ficar de olho. Sabe como é, segurança nacional e esse tipo de coisa. Você não pode deixar o inimigo levar vantagem.
Pulemos as introduções. Estamos agora em 2007.
A história: blogueiro conhece blogueira. Almas gêmeas. Ambos tem um caso. Mas ela vai morar em Oz. Algum tempo depois, ele vai visitá-la.
Mas sem que qualquer um deles soubesse, Oz está com problemas, um novo "ser" apareceu, já controla algumas partes, tem um exército decente, e não ficará parado até dominar todo o mundo mágico.
Daí que o blogueiro, assim que chega no outro lado, quase morre, salvam a vida dele e, sem que dêem a ele muita opção, acaba tendo que marchar contra o inimigo, recebendo ordens do Homem-de-Lata (o próprio!), que já é um tipo de veterano meio enlouquecido. E também é um monarca, que precisa defender suas terras.
Longe dali, no restaurante de comida mexicana O Burrito Esmeralda, na Cidade Esmeralda, a namorada dele está preocupada em servir boas refeições e contentíssima porque um outro amigo dela inventou caixas-de-som com "tecnologia" de Oz. (mais um pequeno contexto: aparelhos eletrônicos geralmente não sobrevivem à passagem para o mundo de Oz). Antes disso ela só podia ouvir suas músicas no discman (que sobreviveu), mas agora não só ela poderá ouvir em alto e bom som, mas também difundir seu gosto [que não é ruim não] para todos os seus convivas e clientes.
Mas ela já vive lá faz algum tempo, é bem safa, tem seus contatos, e não vai deixar barato quando souber onde o namorado foi parar. A propósito, é ela na capa do livro, literalmente, vestida para matar. [raramente isso acontece, mas achei essa nova capa do livro muito melhor que a original]
Isso posto... Queria contar mais, o livro é bem divertido, várias participações especiais, algumas reviravoltas, mas não posso entregar muito. E todo aquele papo que falei das conspirações do governo é importante para a história, mas não para o desenrolar dela em si; não se preocupem, não é um Dan Brown no mundo de Oz. E o livro é recente, não é como o Centúria 25, por exemplo, que eu entreguei inteiro. E o Centúria é o tipo de coisa que eu sei que vocês não irão atrás para ler. Este cá vocês deveriam.
Nem que seja para dar suporte. Novamente, esse é um daqueles casos de livros impressos sob demanda, de gente que as editoras nunca deram atenção. Muita coisa boa aparecendo desta forma.
Algo importante... Se você só viu o filme da Judy Garland, O Mágico de Oz, não leia esse livro ainda. Vá primeiro ler todos os 47 livros canônicos escritos no mundo de Oz! Não. Sacanagem. Nem eu fiz isso. Na verdade, eu não li nenhum deles e nem pretendo.
Mas eu li, sim, o resumo inteiro dos primeiros 14 livros (os escritos pelo autor original) no Wikipedia.
Demorou um pouco, mesmo porque não vale só ler o resumo. Quando surge um personagem importante é bom dar uma clicada no hiperlink e dar lida sobre eles também. Nem que seja só para ver a cara do personagem. Uma coisa é ler que Tik-Tok é um robô movido a vapor. Outra é ver que ele é redondo e parece um mexicano gordo. Mas o importante é que se você pegar o Burrito para ler e NÃO souber quem é Tik-Tok, quando ele fizer uma ponta você não entenderá a referência e nem imaginará corretamente o pelotão que o acompanha. Será só um personagem qualquer que apareceu ali e conversou rapidamente.
Então faça o dever de casa e reveja o filme [na verdade, isso eu não fiz. não gosto dele e acho o visual horrendo] ou pesquise um pouco antes, para ficar mais interessante a leitura. Se bobear, até assistir o atual Oz, Mágico e Poderoso já é alguma coisa, porque o filme pode até ter suas críticas, mas a direção de arte é espetacular, pelo menos você consegue ótimas referências visuais [na minha cabeça, eu fiz uma misturada entre aquilo, o estilo antiquado dos livros, e dei umas surtadas timburtonianas aqui e ali - mas do filme de 39, não usei nada, só o rosto da Dorothy]
Outro exemplo, em que a pesquisa ajudou: num certo momento do livro um cara acha um tipo de saleiro, escrito "Vida", e guarda no bolso. E esquecem disso por quase o livro inteiro. Mas eu sabia o que era que ele tinha achado naquela 'cena'. E fiquei no suspense de quando aquilo teria uso. Também consegui imaginar corretamente a cena quando Ozma (que vocês que só viram o filme, também não conhecem) resolve emprestar seu veloz (e bizarro) cavalo. [a Ozma eu sabia quem era, mas o cavalo eu também só conheci nessa sessão de leitura]
Esse é o tipo de livro que não basta ler, você tem que entender as piadas e referências para ficar ainda melhor. Pô, se eu vou ler os 2 livros de Alice no País das Maravilhas, só para aproveitar melhor o jogo Alice 2, vocês podem perder 1 ou 2 horas antes de ler o livro e se inteirar sobre o assunto, para curti-lo melhor.
Até o gordinho desse video aqui concorda comigo:
Just a Suggestion: The Emerald Burrito of Oz (fonte)
Aproveitando logo, mais duas resenhas:
David Barbee: "Emerald Burrito might be the tastiest (per)version of Oz you’ve ever seen."
Dangerous Dan's Book Blog: "I could go for two or three more Emerald Burritos of Oz."
Em suma, é um ótimo livro. Não é exatamente profundo, nem filosófico, não é um marco e nem vai mudar a sua vida... Mas é muito bem escrito, diversão de ponta a ponta, história muito bem amarrada, personagens interessantes, cada um com suas motivações, e capítulos que você termina com aquela vontade "ah, peraí... só mais um, que agora fiquei curioso". [ahã... sei... "agora", né? você pensou a mesma coisa 3 capítulos atrás].
O final tem alguns pequenos problemas, mas se você parar para lembrar como terminou o 1º livro (o filme), em que vencem a bruxa por acidente devido à um detalhe (a "alergia" a água) que ninguém sabia, então o livro até mantém o espírito original. Não é um deus ex machina tão chocante, mas... tem lá seu pezinho no conceito. E o livro tem algo que já está me irritando faz muito tempo, que é a existência de um "O Escolhido"... Mas ok, no livro eles fizeram isso para depois deixarem para lá. Então serviu só para fazer alguma graça num momento e pronto.
A propósito, comentário rápido sobre os capítulos: eles mudam o foco o tempo todo. Como se fosse o estilo do Guerra dos Tronos, mas só com 2 personagens. Toda hora mudamos de visão: as coisas do ponto de vista da moça do restaurante; e depois a visão (da mesma parte ou não) do amigo. Existem, as vezes, uma terceira "visão" das coisas: do computador do cara. Que infelizmente aparece bem menos e depois de um certo ponto pára de vez. E sim, você leu direito! O notebook do cara escreve alguns breves capítulos. E não vou explicar isso não.
Terminando o texto, na falta de frase de efeito melhor, vou citar o gordinho do link acima. "É um livro fantástico, um tipo de Oz para adultos.". E é isso. Talvez "fantástico" seja exagero, mas "muito bom" dá para dizer tranqüilamente.
E livro não paga imposto. Deixem de ser mãos-de-vaca e comprem! Há o digital dele na Amazon BR por R$ 16, [e converter arquivos do Kindle para outros formatos é simples, caso vocês tenham algum leitor decente (eu não gosto do Kindle)] mas eu prefiro pagar R$ 40 e ter o livro real, em papel (Book Depository, com envio gratuito).
Com personagens de: L. Frank Baum
Artista da capa: Samuel Deats [o mesmo do Shatnerquake]
Editora: Eraserhead Press [idem]
Ano livro / história: 2012 / 2000 -- Páginas: 264
ISBN: 978-1-936383-12-2
Acabamento: a capa é um pouco mais molenga do que devia, mas fora isso, muito bem feito; com páginas amareladas, mais agradáveis. Tamanho padrão (14x22 cm).
◄ Clique na capa para ampliar.
Ok, depois de ver o Oz, Mágico e Poderoso, achei que era uma boa deixa para ler esse livro logo. Nem ficou muito tempo na espera não, comprei-o no começo do ano.
Contexto: O Mundo Mágico de Oz é real. Dorothy realmente foi lá e conheceu toda aquela galera que conhecemos. [e aí devem ter permitido que o filme fosse feito para disfarçar, aquela coisa meio Arquivo-X. Putz... Isso me faz lembrar da "Trilogia Martin" do Stargete SG-1. Muito bom!!] Mas depois de algum tempo, fazendeiros do Kansas começam a notar que algo de estranho acontecia por ali. O FBI foi chamado, mas, com Guerra Fria no auge e esse tipo de coisa, o governo fez segredo.
Por volta dos anos 80/90 a verdade foi contada para a população. Kennedy até pensara em fazer isso antes, e aí o mataram. [na verdade, parece ter algum problema com as datas, a garota principal parece ter uns 30 e poucos anos, e soube que Oz era real quando criança. Mas Michael Jackson criança já sabia disso também. E no livro eles estão em 2007. Sei lá, mas não é importante.]
Pois bem. Estamos em um mundo onde há turismo entre os dois lugares. Onde humanos podem ir para Oz e abrir negócios (bem, mais ou menos, pois em Oz não há dinheiro). E onde anões de Oz podem ir para a Terra e trabalhar em postos de gasolina.
E entre os 2 mundos há um portão mágico, com todo o aparato imigratório de se ir num aeroporto, burocracia, documentos, etc. Quer dizer, há isso no lado de cá. De lá para cá basta um "boa viagem!".
E claro, um novo mundo, com poderes loucos, recursos desconhecidos e leis da física bem diferentes das nossas... Agentes da CIA, KGB e grandes corporações não iam deixar de visitar e ficar de olho. Sabe como é, segurança nacional e esse tipo de coisa. Você não pode deixar o inimigo levar vantagem.
Pulemos as introduções. Estamos agora em 2007.
A história: blogueiro conhece blogueira. Almas gêmeas. Ambos tem um caso. Mas ela vai morar em Oz. Algum tempo depois, ele vai visitá-la.
Mas sem que qualquer um deles soubesse, Oz está com problemas, um novo "ser" apareceu, já controla algumas partes, tem um exército decente, e não ficará parado até dominar todo o mundo mágico.
Daí que o blogueiro, assim que chega no outro lado, quase morre, salvam a vida dele e, sem que dêem a ele muita opção, acaba tendo que marchar contra o inimigo, recebendo ordens do Homem-de-Lata (o próprio!), que já é um tipo de veterano meio enlouquecido. E também é um monarca, que precisa defender suas terras.
Longe dali, no restaurante de comida mexicana O Burrito Esmeralda, na Cidade Esmeralda, a namorada dele está preocupada em servir boas refeições e contentíssima porque um outro amigo dela inventou caixas-de-som com "tecnologia" de Oz. (mais um pequeno contexto: aparelhos eletrônicos geralmente não sobrevivem à passagem para o mundo de Oz). Antes disso ela só podia ouvir suas músicas no discman (que sobreviveu), mas agora não só ela poderá ouvir em alto e bom som, mas também difundir seu gosto [que não é ruim não] para todos os seus convivas e clientes.
Mas ela já vive lá faz algum tempo, é bem safa, tem seus contatos, e não vai deixar barato quando souber onde o namorado foi parar. A propósito, é ela na capa do livro, literalmente, vestida para matar. [raramente isso acontece, mas achei essa nova capa do livro muito melhor que a original]
Isso posto... Queria contar mais, o livro é bem divertido, várias participações especiais, algumas reviravoltas, mas não posso entregar muito. E todo aquele papo que falei das conspirações do governo é importante para a história, mas não para o desenrolar dela em si; não se preocupem, não é um Dan Brown no mundo de Oz. E o livro é recente, não é como o Centúria 25, por exemplo, que eu entreguei inteiro. E o Centúria é o tipo de coisa que eu sei que vocês não irão atrás para ler. Este cá vocês deveriam.
Nem que seja para dar suporte. Novamente, esse é um daqueles casos de livros impressos sob demanda, de gente que as editoras nunca deram atenção. Muita coisa boa aparecendo desta forma.
Algo importante... Se você só viu o filme da Judy Garland, O Mágico de Oz, não leia esse livro ainda. Vá primeiro ler todos os 47 livros canônicos escritos no mundo de Oz! Não. Sacanagem. Nem eu fiz isso. Na verdade, eu não li nenhum deles e nem pretendo.
Mas eu li, sim, o resumo inteiro dos primeiros 14 livros (os escritos pelo autor original) no Wikipedia.
Demorou um pouco, mesmo porque não vale só ler o resumo. Quando surge um personagem importante é bom dar uma clicada no hiperlink e dar lida sobre eles também. Nem que seja só para ver a cara do personagem. Uma coisa é ler que Tik-Tok é um robô movido a vapor. Outra é ver que ele é redondo e parece um mexicano gordo. Mas o importante é que se você pegar o Burrito para ler e NÃO souber quem é Tik-Tok, quando ele fizer uma ponta você não entenderá a referência e nem imaginará corretamente o pelotão que o acompanha. Será só um personagem qualquer que apareceu ali e conversou rapidamente.
Então faça o dever de casa e reveja o filme [na verdade, isso eu não fiz. não gosto dele e acho o visual horrendo] ou pesquise um pouco antes, para ficar mais interessante a leitura. Se bobear, até assistir o atual Oz, Mágico e Poderoso já é alguma coisa, porque o filme pode até ter suas críticas, mas a direção de arte é espetacular, pelo menos você consegue ótimas referências visuais [na minha cabeça, eu fiz uma misturada entre aquilo, o estilo antiquado dos livros, e dei umas surtadas timburtonianas aqui e ali - mas do filme de 39, não usei nada, só o rosto da Dorothy]
Outro exemplo, em que a pesquisa ajudou: num certo momento do livro um cara acha um tipo de saleiro, escrito "Vida", e guarda no bolso. E esquecem disso por quase o livro inteiro. Mas eu sabia o que era que ele tinha achado naquela 'cena'. E fiquei no suspense de quando aquilo teria uso. Também consegui imaginar corretamente a cena quando Ozma (que vocês que só viram o filme, também não conhecem) resolve emprestar seu veloz (e bizarro) cavalo. [a Ozma eu sabia quem era, mas o cavalo eu também só conheci nessa sessão de leitura]
Esse é o tipo de livro que não basta ler, você tem que entender as piadas e referências para ficar ainda melhor. Pô, se eu vou ler os 2 livros de Alice no País das Maravilhas, só para aproveitar melhor o jogo Alice 2, vocês podem perder 1 ou 2 horas antes de ler o livro e se inteirar sobre o assunto, para curti-lo melhor.
Até o gordinho desse video aqui concorda comigo:
Just a Suggestion: The Emerald Burrito of Oz (fonte)
Aproveitando logo, mais duas resenhas:
David Barbee: "Emerald Burrito might be the tastiest (per)version of Oz you’ve ever seen."
Dangerous Dan's Book Blog: "I could go for two or three more Emerald Burritos of Oz."
Em suma, é um ótimo livro. Não é exatamente profundo, nem filosófico, não é um marco e nem vai mudar a sua vida... Mas é muito bem escrito, diversão de ponta a ponta, história muito bem amarrada, personagens interessantes, cada um com suas motivações, e capítulos que você termina com aquela vontade "ah, peraí... só mais um, que agora fiquei curioso". [ahã... sei... "agora", né? você pensou a mesma coisa 3 capítulos atrás].
O final tem alguns pequenos problemas, mas se você parar para lembrar como terminou o 1º livro (o filme), em que vencem a bruxa por acidente devido à um detalhe (a "alergia" a água) que ninguém sabia, então o livro até mantém o espírito original. Não é um deus ex machina tão chocante, mas... tem lá seu pezinho no conceito. E o livro tem algo que já está me irritando faz muito tempo, que é a existência de um "O Escolhido"... Mas ok, no livro eles fizeram isso para depois deixarem para lá. Então serviu só para fazer alguma graça num momento e pronto.
A propósito, comentário rápido sobre os capítulos: eles mudam o foco o tempo todo. Como se fosse o estilo do Guerra dos Tronos, mas só com 2 personagens. Toda hora mudamos de visão: as coisas do ponto de vista da moça do restaurante; e depois a visão (da mesma parte ou não) do amigo. Existem, as vezes, uma terceira "visão" das coisas: do computador do cara. Que infelizmente aparece bem menos e depois de um certo ponto pára de vez. E sim, você leu direito! O notebook do cara escreve alguns breves capítulos. E não vou explicar isso não.
Terminando o texto, na falta de frase de efeito melhor, vou citar o gordinho do link acima. "É um livro fantástico, um tipo de Oz para adultos.". E é isso. Talvez "fantástico" seja exagero, mas "muito bom" dá para dizer tranqüilamente.
E livro não paga imposto. Deixem de ser mãos-de-vaca e comprem! Há o digital dele na Amazon BR por R$ 16, [e converter arquivos do Kindle para outros formatos é simples, caso vocês tenham algum leitor decente (eu não gosto do Kindle)] mas eu prefiro pagar R$ 40 e ter o livro real, em papel (Book Depository, com envio gratuito).
domingo, 20 de janeiro de 2013
Shatnerquake
Autor e blog oficial: Jeff Burk
Artista da capa: Samuel Deats
Com personagens de: Jornada nas Estrelas, T.J. Hooker, Boston Legal, Além da Imaginação e comercias de TV.
Editora: Eraserhead Press
ISBN: 978-1-933929-82-8 -- Ano: 2009 -- Páginas: 84
◄ Clique na capa para ampliar e expandir.
Já reparei que geralmente começo meus textos com alguma opinião fora de contexto sobre o livro ou filme, e só depois digo qual a história do dito cujo [mas bem, geralmente quem está lendo a postagem já a sabe].
Pois bem, vamos fazer algo mais tradicional agora, porque a história do livro em si já deve causar espanto suficiente:
O livro começa com William Shatner chegando na primeira Shatner-Con, com pensamentos de desdém quanto aos fãs, tanto enquanto chega na sua limusine como quando começa a sessão de autógrafos, cercado de fãs esquisitos - inclusive um, que será importante depois, que fez cirurgia plástica para ter o rosto e voz do ator.
Até aí, tudo muito mundo-real. Uma convenção inteira em homenagem ao Shatner e fãs malucos são coisas bem possíveis. [os fãs malucos já existem]
Até que temos um atentado. E somos apresentado à primeira loucura do livro [e começam as muitas mortes]: atrás das telas de cinema da convenção encontram uma "Bomba de Ficção", colocada lá por um campbelliano (fãs de Bruce Campbell, que consideram Shatner o falso profeta).
Como ela não funciona como deveria, não vou explicá-la. O que importa é o resultado. Ela explode e os personagens de William Shatner dão uma de Rosa Púrpura do Cairo (ou Último Grande Herói, se você for uns 15 anos mais novo): eles começam a sair das telas.
Aí você imaginaria: ok, legal, um mundo com um Capitão Kirk, um T.J. Hooker e o advogado chefão do Boston Legal não é um mundo tão ruim. E cada um vai para um lado, com todos os seus trejeitos e particularidades
Mas enquanto alguns ficam apenas cantando para platéia, ou ficam perdidos falando esperanto [não sabia disso... o Shatner fez um filme de terror (Incubus) todo falado nesse idioma], outros saem meio errados da cabeça, sabendo que não deveriam estar ali e com uma raiva indefinida direcionadas ao Shatner verdadeiro.
Que por sua vez, tenta escapar de toda a confusão que se instaura no centro de convenções (que inclui uma mulher ser pisoteada até a morte por fãs obesos, o Capitão Kirk matar um fã fantasiado de klingon, e o Shatner real praticamente matar uma das versões dele mesmo, que tenta capturá-lo).
E pronto, acabei de descrever tudo que acontece até a páginas 41 de um livro de 83 páginas. Um pouco menos da metade, porque a história mesmo começa na página 11. [o legal é que essa postagem, mais as revisões de digitação e alterações do texto que eu sempre faço, formatação, figuras, links, e etc, no final terão tomado muito mais tempo do que ler o livro] O livro está mais para um conto do que uma novela. Recomendo que leiam em forma digital mesmo, aproveitando que temos Amazon por aqui agora (mas podia ser mais barato, no dia desta postagem está por R$ 10,32), mas até o momento, está bem divertido.
É, não terminei ainda, li até pouco depois do que descrevi apenas. Mas como é fino e só humor negro e correria, é de leitura rápida. Comecei a ler pouco antes do almoço e como teria que parar no meio mesmo [compromisso familiar... acontece] resolvi registrar minhas impressões iniciais antes de sair. Mais 1 hora na volta, e termino.
Achei esse livro via sugestão da Amazon. Queria lembrar a razão dessa sugestão. Muito bom. Como ele é considerado "bizarro fiction", eu devia estar pesquisando livros como o Satan's Glory Hole. Acho que foi isso até... Lembro que uma vez fui parar no site da editora Eraserhead Press, vi nomes como Unicorn Battle Squad, Barbarian Beast Bitches of the Badlands ou The Ass Goblins of Auschwitz [e tantos outros bizarros, que tive que me controlar agora para só citar 3. Clique aqui e se divirta]. Aí... fui na Amazon para ver a opinião das pessoas sobre essas maluquices... E voilá! A Amazon até hoje fica me sugerindo esses livros e outros parecidos (ela insiste em recomendar o Rico Slade Will Fucking Kill You, que vou acabar comprando). E assim surgiu a recomendação do Shatnerquake, que eu não vira no site da editora diretamente.
Não que eu esteja reclamando! As recomendações estranhas da Amazon e as loucas do Youtube já me deram muitas boas horas de diversão.
Acho que esse é um desses livros atuais, impressos sob demanda apenas, com editoras que surgiram só no mercado digital e, depois disso, como tinha gente que ainda prefere ler (ou pelo menos ter também) em papel, começaram lançar versões impressas. Tenho muitos outros livros assim, como o The Old Man and the Wasteland (muito bom). Excelente para os escritores não depender mais de editoras que só querem publicar coisas que acham que vão vender milhões e depois ainda render um filme.
Voltando ao livro em si, a premissa é tão insana, que faço questão de colocar a descrição oficial também:
It's Shatner VS Shatners!
William Shatner? William Shatner. WILLIAM SHATNER!!! It's the first ShatnerCon with William Shatner as the guest of honor! But after a failed terrorist attack by Campbellians, a crazy terrorist cult that worships Bruce Campbell, all of the characters ever played by William Shatner are suddenly sucked into our world. Their mission: hunt down and destroy the real William Shatner.
Featuring: Captain Kirk, TJ Hooker, Denny Crane, Rescue 911 Shatner, Singer Shatner, Shakespearean Shatner, Twilight Zone Shatner, Cartoon Kirk, Esperanto Shatner, Priceline Shatner, SNL Shatner, and - of course - William Shatner!
No costumed con-goer will be spared in their wave of destruction, no redshirt will make it out alive, and not even the Klingons will be able to stand up to a deranged Captain Kirk with a lightsaber. But these Shatner-clones are about to learn a hard lesson...that the real William Shatner doesn't take crap from anybody. Not even himself.
It's Shatnertastic!
---------
E pronto, cá estou de volta, missão familiar cumprida, final da tarde, e livro lido!
A correria e o humor continuam um pouco na segunda metade do livro, mas com quase todas as piadas já apresentadas, o que sobra é só a perseguição principal entre o Shatner real, Kirk com sabre de luz (se você não tinha visto ainda, clique na capa, no alto, para ampliar) e o fã freak com a cara do Shatner. A história cai um pouco sim (ou bastante até), mas como é um livro superfino, você sabe que já vai acabar. Não que tenha sido ruim, continua bom se você entrar no esquema maluco, mas já não é a mesma coisa. A dica é ler de uma vez só. Da forma como eu fiz acidentalmente, em metades, deu o azar de ter me divertido para cacete primeiro, e ter parado exatamente na parte em que a história começou a não ter muito mais o que fazer. Lendo num só susto pode ser que você não perceba.
E o final achei fraco. Meio Além da Imaginação demais [na verdade, a comparação ideal seria outra, mas seria tão perfeita, que arriscava entregar o final do livro] e isso na sequência de uma outra sequência completamente ilógica, quando os vilões finalmente são "vencidos" (leia, e você entenderá as aspas). Mas, como eu disse, o estilo do livro é chamado "ficção bizarra". Algo eles fizeram para merecer o nome.
Esperava um final mais normal, até mesmo feliz, com o Shatner resolvendo tudo (ou seja, se salvando e dane-se os fãs mortos) e soltando a clássica tirada "Eu sou William Shatner, posso fazer qualquer coisa." [a fala no filme não é bem essa, e acho que o filme saiu depois do livro, mas isso é só um exemplo].
É como está em algumas resenhas: "o conceito é excelente, a execução nem tanto". Mas, concordo também com o que li em outro blog e dane-se a execução: "a sinopse é boa demais para não comprar o livro na mesma hora". Foi meu caso.
E apesar do final, foram 2 horas bem aproveitadas. [é chute, acho que foi menos].
Tem uma resenha curta e muita boa aqui: DeFlip Side, onde o tal Christopher DeFilippis diz que o livro falha miseravelmente em quase todos os aspectos, mas que você deve comprá-lo mesmo assim. Eu concordo plenamente. Eu poderia ter escrito os dois primeiros parágrafos da resenha dele sem mudar uma letra.
E sem muita relação, mas interessante, encontrei um video do Shatner onde ele brinca com o fato dele não ser o Kirk. "E nem... falar... desse jeito!" como ele é sacaneado no livro e por quase todos os fãs de Jornada: William Shatner - I Am Canadian
E falando de William Shatner, convenção e mortes... Acho que é uma boa deixa para eu finalmente ler o Night of the Living Trekkies. [estamos em janeiro e digo que penso em ler esse livro em breve... hummm... aguardem então a resenha para NOVEMBRO!]
Artista da capa: Samuel Deats
Com personagens de: Jornada nas Estrelas, T.J. Hooker, Boston Legal, Além da Imaginação e comercias de TV.
Editora: Eraserhead Press
ISBN: 978-1-933929-82-8 -- Ano: 2009 -- Páginas: 84
◄ Clique na capa para ampliar e expandir.
Já reparei que geralmente começo meus textos com alguma opinião fora de contexto sobre o livro ou filme, e só depois digo qual a história do dito cujo [mas bem, geralmente quem está lendo a postagem já a sabe].
Pois bem, vamos fazer algo mais tradicional agora, porque a história do livro em si já deve causar espanto suficiente:
O livro começa com William Shatner chegando na primeira Shatner-Con, com pensamentos de desdém quanto aos fãs, tanto enquanto chega na sua limusine como quando começa a sessão de autógrafos, cercado de fãs esquisitos - inclusive um, que será importante depois, que fez cirurgia plástica para ter o rosto e voz do ator.
Até aí, tudo muito mundo-real. Uma convenção inteira em homenagem ao Shatner e fãs malucos são coisas bem possíveis. [os fãs malucos já existem]
Até que temos um atentado. E somos apresentado à primeira loucura do livro [e começam as muitas mortes]: atrás das telas de cinema da convenção encontram uma "Bomba de Ficção", colocada lá por um campbelliano (fãs de Bruce Campbell, que consideram Shatner o falso profeta).
Como ela não funciona como deveria, não vou explicá-la. O que importa é o resultado. Ela explode e os personagens de William Shatner dão uma de Rosa Púrpura do Cairo (ou Último Grande Herói, se você for uns 15 anos mais novo): eles começam a sair das telas.
Aí você imaginaria: ok, legal, um mundo com um Capitão Kirk, um T.J. Hooker e o advogado chefão do Boston Legal não é um mundo tão ruim. E cada um vai para um lado, com todos os seus trejeitos e particularidades
Mas enquanto alguns ficam apenas cantando para platéia, ou ficam perdidos falando esperanto [não sabia disso... o Shatner fez um filme de terror (Incubus) todo falado nesse idioma], outros saem meio errados da cabeça, sabendo que não deveriam estar ali e com uma raiva indefinida direcionadas ao Shatner verdadeiro.
Que por sua vez, tenta escapar de toda a confusão que se instaura no centro de convenções (que inclui uma mulher ser pisoteada até a morte por fãs obesos, o Capitão Kirk matar um fã fantasiado de klingon, e o Shatner real praticamente matar uma das versões dele mesmo, que tenta capturá-lo).
E pronto, acabei de descrever tudo que acontece até a páginas 41 de um livro de 83 páginas. Um pouco menos da metade, porque a história mesmo começa na página 11. [o legal é que essa postagem, mais as revisões de digitação e alterações do texto que eu sempre faço, formatação, figuras, links, e etc, no final terão tomado muito mais tempo do que ler o livro] O livro está mais para um conto do que uma novela. Recomendo que leiam em forma digital mesmo, aproveitando que temos Amazon por aqui agora (mas podia ser mais barato, no dia desta postagem está por R$ 10,32), mas até o momento, está bem divertido.
É, não terminei ainda, li até pouco depois do que descrevi apenas. Mas como é fino e só humor negro e correria, é de leitura rápida. Comecei a ler pouco antes do almoço e como teria que parar no meio mesmo [compromisso familiar... acontece] resolvi registrar minhas impressões iniciais antes de sair. Mais 1 hora na volta, e termino.
Achei esse livro via sugestão da Amazon. Queria lembrar a razão dessa sugestão. Muito bom. Como ele é considerado "bizarro fiction", eu devia estar pesquisando livros como o Satan's Glory Hole. Acho que foi isso até... Lembro que uma vez fui parar no site da editora Eraserhead Press, vi nomes como Unicorn Battle Squad, Barbarian Beast Bitches of the Badlands ou The Ass Goblins of Auschwitz [e tantos outros bizarros, que tive que me controlar agora para só citar 3. Clique aqui e se divirta]. Aí... fui na Amazon para ver a opinião das pessoas sobre essas maluquices... E voilá! A Amazon até hoje fica me sugerindo esses livros e outros parecidos (ela insiste em recomendar o Rico Slade Will Fucking Kill You, que vou acabar comprando). E assim surgiu a recomendação do Shatnerquake, que eu não vira no site da editora diretamente.
Não que eu esteja reclamando! As recomendações estranhas da Amazon e as loucas do Youtube já me deram muitas boas horas de diversão.
Acho que esse é um desses livros atuais, impressos sob demanda apenas, com editoras que surgiram só no mercado digital e, depois disso, como tinha gente que ainda prefere ler (ou pelo menos ter também) em papel, começaram lançar versões impressas. Tenho muitos outros livros assim, como o The Old Man and the Wasteland (muito bom). Excelente para os escritores não depender mais de editoras que só querem publicar coisas que acham que vão vender milhões e depois ainda render um filme.
Voltando ao livro em si, a premissa é tão insana, que faço questão de colocar a descrição oficial também:
It's Shatner VS Shatners!
William Shatner? William Shatner. WILLIAM SHATNER!!! It's the first ShatnerCon with William Shatner as the guest of honor! But after a failed terrorist attack by Campbellians, a crazy terrorist cult that worships Bruce Campbell, all of the characters ever played by William Shatner are suddenly sucked into our world. Their mission: hunt down and destroy the real William Shatner.
Featuring: Captain Kirk, TJ Hooker, Denny Crane, Rescue 911 Shatner, Singer Shatner, Shakespearean Shatner, Twilight Zone Shatner, Cartoon Kirk, Esperanto Shatner, Priceline Shatner, SNL Shatner, and - of course - William Shatner!
No costumed con-goer will be spared in their wave of destruction, no redshirt will make it out alive, and not even the Klingons will be able to stand up to a deranged Captain Kirk with a lightsaber. But these Shatner-clones are about to learn a hard lesson...that the real William Shatner doesn't take crap from anybody. Not even himself.
It's Shatnertastic!
---------
E pronto, cá estou de volta, missão familiar cumprida, final da tarde, e livro lido!
A correria e o humor continuam um pouco na segunda metade do livro, mas com quase todas as piadas já apresentadas, o que sobra é só a perseguição principal entre o Shatner real, Kirk com sabre de luz (se você não tinha visto ainda, clique na capa, no alto, para ampliar) e o fã freak com a cara do Shatner. A história cai um pouco sim (ou bastante até), mas como é um livro superfino, você sabe que já vai acabar. Não que tenha sido ruim, continua bom se você entrar no esquema maluco, mas já não é a mesma coisa. A dica é ler de uma vez só. Da forma como eu fiz acidentalmente, em metades, deu o azar de ter me divertido para cacete primeiro, e ter parado exatamente na parte em que a história começou a não ter muito mais o que fazer. Lendo num só susto pode ser que você não perceba.
E o final achei fraco. Meio Além da Imaginação demais [na verdade, a comparação ideal seria outra, mas seria tão perfeita, que arriscava entregar o final do livro] e isso na sequência de uma outra sequência completamente ilógica, quando os vilões finalmente são "vencidos" (leia, e você entenderá as aspas). Mas, como eu disse, o estilo do livro é chamado "ficção bizarra". Algo eles fizeram para merecer o nome.
Esperava um final mais normal, até mesmo feliz, com o Shatner resolvendo tudo (ou seja, se salvando e dane-se os fãs mortos) e soltando a clássica tirada "Eu sou William Shatner, posso fazer qualquer coisa." [a fala no filme não é bem essa, e acho que o filme saiu depois do livro, mas isso é só um exemplo].
É como está em algumas resenhas: "o conceito é excelente, a execução nem tanto". Mas, concordo também com o que li em outro blog e dane-se a execução: "a sinopse é boa demais para não comprar o livro na mesma hora". Foi meu caso.
E apesar do final, foram 2 horas bem aproveitadas. [é chute, acho que foi menos].
Tem uma resenha curta e muita boa aqui: DeFlip Side, onde o tal Christopher DeFilippis diz que o livro falha miseravelmente em quase todos os aspectos, mas que você deve comprá-lo mesmo assim. Eu concordo plenamente. Eu poderia ter escrito os dois primeiros parágrafos da resenha dele sem mudar uma letra.
E sem muita relação, mas interessante, encontrei um video do Shatner onde ele brinca com o fato dele não ser o Kirk. "E nem... falar... desse jeito!" como ele é sacaneado no livro e por quase todos os fãs de Jornada: William Shatner - I Am Canadian
E falando de William Shatner, convenção e mortes... Acho que é uma boa deixa para eu finalmente ler o Night of the Living Trekkies. [estamos em janeiro e digo que penso em ler esse livro em breve... hummm... aguardem então a resenha para NOVEMBRO!]
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